"Mais um show concluído! Mais um sonho realizado. Muito obrigada a todos que estavam presentes, vocês foram incríveis! Até a próxima."
Eu digitava a legenda da foto com um meio sorriso no rosto. Era tão gratificante o cansaço que eu sentia pós-show que eu nem me importava com a dor no corpo.
- Rafa, ficamos sabendo de uma balada aqui nessa cidade! Dizem que é top, tá afim de ir? - O baixista da banda me convidava.
- Ah não, Mar! Eu to cansada, quero ir dormir. - Respondi.
- O quê? Rafaela Almeida negando uma balada? Alguém vê a temperatura dela! - O mesmo triplicou.
- Rafaela está apaixonada. - Cadu se intrometeu.
- Ah, jura? Por quem? - Uma das bailarinas indagou.
- Pelo trabalho dela. Por que mais seria? - Larissa respondeu impaciente.
- Que trabalho o que... É por bofe, piroca. Coisas que você não conhece. - Cadu deu de ombros.
- Olha a boca garoto. - Larissa advertiu. - Rafaela não tem tempo pra essas coisas, ela precisa focar na carreira.
O assunto encerrou e eu agradeci mentalmente por isso. Escorei minha cabeça na janela fechada da van e fiquei refletindo sobre a discussão que foi posta aqui. Incrível como cada um espera uma coisa diferente de mim. Meus amigos esperam a Rafaela que curte a vida loucamente sem pensar nas consequências, meus assessores e pessoas que cuidam da minha carreira esperam que eu seja responsável e viva só ao entorno de trabalho e no fim nenhum deles se importam com o que realmente eu quero. Só querem que eu seja do jeito que agrada eles.
- Tem certeza que não quer ir? - As meninas insistiam pra mim sair.
- Tenho. Estou me sentindo cansada. Só quero me atirar na cama e dormir. - Respondi em meio a bocejos de sono.
- Acho engraçado que eu ninguém convida pra balada. - Cadu disse birrento.
- Por que não precisa, né. Você vai de qualquer jeito. - Respondi.
- Eu me divirto. - Ela disse dando de ombros.
Logo o elevador parou e nós descemos no nosso andar do hotel. Dei tchau pra todos e fui pro meu quarto. Abri a porta e logo no entrar arranquei os sapatos e os deixei atirados por ali, peguei o celular e liguei pro Luan.
Conversamos por cerca de meia hora até que ele decidiu ir dormir, eu estava prestes a ir pro banho quando meu celular tocou novamente.
- Paulinha. - Disse empolgada.
- Rafaela, onde você está? - Ela disse um pouco séria demais.
- No hotel, por que?
- Você precisa me ajudar! - Ela respondeu apreensiva e eu me assustei.
- Com o quê? Fala. - Comecei a exasperar.
- Um cara que eu conheci na balada. - Sua voz era falha.- Ele me convidou pra vir pra casa dele e eu aceitei.
- Porra Paula, você não aprende que não pode ir pra casa com qualquer um que você conhece em uma noite? - Respondi rispida.
- Rafaela deixa o sermão pra depois. Você precisa me ajudar. - Pediu.
- Não, se vira! Você não é criança. - Gritei e desliguei o celular.
Não posso me meter em confusão agora, não enquanto eu estiver com o Luan, ele nunca me perdoaria.
Tomei um banho e me deitei, queria dormir mas não conseguia fechar os olhos, estava elétrica. Fiquei olhando pro teto tentando imaginar como estava a festa dos meus amigos.
Num impulso levantei da cama e fui procurar algo pra vestir, se eu ir pra festa e me comportar o Luan não vai nem ficar sabendo e ele vai me entender, eu sozinha às 03:00AM sem sono não consigo ficar parada.
- Pensei que você não viria. - Cadu com um copo na mão veio até mim.
- Pois é, mas eu não consegui dormir então quis vir. - Eu estava um pouco constrangida.
- Tudo bem mana, agora vem que a festa recém começou a animar. - Ele gritou sob a música alta.
Ele me levou até o pessoal da equipe que gritaram quando me viram, fiquei mais constrangida ainda, não queria que as outras pessoas me notassem ali, só queria curtir um pouco com meus amigos.
Logo eles todos focaram nos seus copos e esqueceram de mim, Cadu dançava comigo e tentava me convencer a beber alguma coisa. No fim das contas eu aceitei, não consigo me soltar sem uma bebidinha.
Quando marcou 07:00 eu não aguentava mais de dor nos pés, dancei e me diverti bastante, bebi um pouco mas nada que eu pudesse perder a razão, eu ria de tudo mas era de felicidade mesmo.
Quando cheguei na porta do meu quarto no hotel a Larissa me esperava com a típica cara de nojo dela, antes que eu pudesse talar alguma coisa o Cadu se meteu.
- Antes que você começe a tagarelar já quero dizer que a Rafaela é uma menina jovem, livre e desimpedida. Foi pra festa sob minha custódia e não fez nada errado.
- E desde quando você é confiável? - Ela disse com uma sobrancelha erguida.
- Sou tanto quanto você. Lagartixa anêmica. - Cadu respondeu.
- O meu assunto não é com você princesa. - Disse com um tom irônico- é com essa desmiolada aqui.
- graças que você reconhece que eu sou uma princesa. - Ele fez um gesto ridículo e eu tive que rir.
- Bom, continuem a conversa de vocês, eu vou pra cama por que eu estou cansada. - Disse entrando no quarto. - Lari, pede pra mandarem o meu café da manhã mais tarde ta bom?
Fechei a porta antes que ela pudesse me responder e me atirei na cama, de repente comecei a sentir um vazio, olhei pro celular na cabeceira e fui ver se não tinha recebido nenhuma mensagem, recebi, mas não de quem queria. Fiquei desanimada mas a foto do Luan dormindo, no fundo da tela do meu celular me fez sorrir.
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Contrato - Luan Santana
RomanceSe houvesse um prêmio para histórias complicadas essa aqui com certeza estaria no top 3. Rafaela com seus 20 anos nunca sentiu um amor que lhe causasse frio na barriga. Cantora em uma banda de garagem terá a chance de mudar sua vida e a de seus trê...
