Coisas em comum

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Na manhã seguinte, ao chegar no centro médico, visto o uniforme. Melody me ensina sobre as ervas medicinais que temos a disposição. Com a sua supervisão, atendo sozinha alguns pacientes com ferimentos provindos de acidentes domésticos. Depois vou a cada leito para trocar a roupa de cama. Chego a um dos últimos pacientes, um senhor magro de pele clara, ele está dormindo, leio em sua ficha médica que ele sofre de ausaimer e esta aqui a cerca de dois meses, seu nome é Mario Browling, o observo por um tempo e tenho uma vaga lembrança do meu avô.

Pego algumas cápsulas de seringas caídas no chão, lavo-as e acrescento novas agulhas, deixando em uma bandeja ao lado da cama do paciente, para depois leva-las a tenda de medicamentos. Recolho a roupa suja e coloco os lençóis limpos na velha cômoda próxima a cama. Sinto alguém me puxar.

- Não se mexa. – manda o senhor, pressionando duas seringas sobre meu pescoço.

- Calma Sr. Browling, sou a nova enfermeira do centro médico, estou limpando seu quarto. – explico apreensiva.

- Você não vai acabar com a felicidade da minha família Roselee, volte pro buraco de onde você veio sua vadia, e não apareça aqui mais nunca. – acusa Mario.

É óbvio que não faço a mínima ideia do que ele está falando, penso em gritar por ajuda, mas temo que Mario seja mais rápido em perfurar minha garganta com aquelas agulhas.

- Sr. Browling, não sou quem o senhor está pensando, meu nome é Annie, solte as seringas. – peço com medo.

- Não se faça de desentendida. – ele insiste com insanidade. – Se minha mulher souber de qualquer coisa, eu juro que te mato.

- Mario, solte essas agulhas e depois conversamos. – o medo e a tensão aumentam dentro de mim.

Olho em volta, tentando achar uma solução, inesperadamente, a água que está no vaso em cima da cômoda começa a flutuar.

- Sr. Browling, me liberte e solte as agulhas. – continuo.

De repente o líquido que parece estar vivo, acerta o rosto de Mario em um só jato. Consigo me libertar. A água envolve o senhor até o pescoço e ele começa a dar sinais de que está se afogando. Não sei o que está acontecendo, mas quero que pare. Nesse momento, o liquido despenca de uma vez, molhando o chão e a roupa do homem.

Mario se apoia na cama com respiração fraca, ajudo-o a se deitar novamente, logo depois, ele desmaia.

Tento reorganizar minhas ideias, com toda certeza, esses foram os minutos mais insanos da minha vida. Termino o trabalho a que fui designada, tiro a roupa do paciente e substituo por uma peça seca. Meu coração ainda está acelerado, decido ir ao lado de fora, para tomar um pouco de ar. Andando pela tenda, não avisto nenhum outro enfermeiro, onde estão todos?

Chegando a entrada da tenda, esbarro em Melody, que está fazendo o caminho inverso, os outros enfermeiros vem logo atrás dela, estão se divertindo.

- Onde vocês estavam? – questiono.

- Fomos buscar mais medicamentos com os mercadores. – responde Melody. – Aconteceu alguma coisa?

- Está tudo bem, só fiquei preocupada quando não vi ninguém. – justifico.

- Você como sempre muito atenciosa. – diz ela com um sorriso no rosto. – Venha e nos ajude a guardar a mercadoria.

Termino todo o serviço que ainda falta, quando chega a hora do almoço, minha mentora vem ao meu encontro.

- Por favor, leve essa refeição ao soldado que está no leito dezessete, ele foi transferido ontem da ala de pacientes em estado grave. – ela pede. – Ele vai começar a te falar um monte de asneiras, chegue lá e somente faça o seu trabalho.

Capuz de Sangue - Livro 1Onde histórias criam vida. Descubra agora