A casa da vovó

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O plano é seguir até Clivintown, dar a volta na cidade, depois descer em direção ao rio e continuar o caminho por lá até o distrito de East Woods. Daí em diante tudo fica mais perigoso, pois ele só conhece um caminho até Belmore, temos que torcer para que nenhum soldado ou rebelde tenha a ideia de ir pelo mesmo trajeto que nós.

- Vamos manter distância de estradas e trilhas, geralmente é por esses lugares que há mais trânsito de pessoas. – enfatiza ele.

- Eu confio em você. – digo.

Em um ato de cavalheirismo, Rick insiste em carregar minha mochila, em retribuição, levo a aljava que está em sua mão. Noto sua extrema atenção por todos os lugares que percorremos. Ele me chama a atenção, pedindo que recolha todos os gravetos que encontrar pelo caminho.

Depois de uma hora de caminhada, nos aproximamos da minha antiga cidade, resolvemos acampar ali mesmo. Meu namorado agrupa todos os gravetos, depois pega a faca militar que está presa em sua calça e fricciona a ponta de uma das flechas contra ela. Após algumas tentativas, consegue produzir faíscas e nossa fogueira está pronta. Dividimos o pedaço e pão e uma maçã. Tomo um pouco de água.

- O que você espera encontrar em Belmore? – ele indaga.

- Algo que tire todas as dúvidas que estão em minha cabeça. – respondo.

- Mas e se essas respostas não forem muito boas? Seu pai pode ter sido um mercenário ou um assassino. – Rick supõe.

- Independente do que seja, terei que aceitar a verdade. – digo. – Além disso, algo de estranho tem acontecido comigo nos últimos dias.

- O quê? – ele demonstra curiosidade.

- É difícil de explicar. Dias atrás aconteceu pela primeira vez. Inexplicavelmente a água de dentro de um jarro no centro médico começou a se mexer sozinha, ontem, dentro da minha casa, uma colher flutuou na minha frente. – conto.

- Que loucura. – ele fica surpreso. – É como se você tivesse superpoderes!

- Com tudo que aconteceu ultimamente, estou seriamente cogitando a possibilidade de estar imaginando tudo isso. – falo.

- Só há um meio de saber. – meu namorado pega duas pedras pequenas que estão próximas e me entrega. – Tente fazer de novo.

Coloco-as na palma da mão e tento imagina-las flutuando, não funciona. Rick insiste para que eu tente outras vezes, mas nada acontece.

- Eu já assisti alguns filmes em que o protagonista tem dificuldades para usar suas habilidades, então ele pensa no que mais ama e funciona. – sugere ele.

Fecho meus olhos, recordando os momentos em que me diverti ao lado da minha mãe, depois revivo a maravilhosa sensação que tenho quando beijo Rick.

- Abra os olhos Annie. – ele sussurra.

Miro minha mão, as pedras flutuam e se mexem sobre ela, fico feliz.

- Essa é a coisa mais legal que eu já vi em toda minha vida. – admira ele.

De repente as pedras ao redor começam a flutuar também, e as flechas dentro da aljava seguem o mesmo caminho.

- Como você faz isso? – Rick pergunta observando os objetos.

- Não tenho a mínima ideia. – confesso.

Tudo despenca de uma vez.

- Isso foi extraordinário! De onde vieram esses poderes? – ele fala extasiado.

Capuz de Sangue - Livro 1Onde histórias criam vida. Descubra agora