Vamos conjugar o verbo trair? Eu traio. Tu trais. Ele trai. Nós Traímos. Vós traís. Victoria e George traem muito. Saiba mais dos babados imperiais em Açúcar: Um amor real.
No Brasil do século XIX, Victoria, regressará ao seu país como duquesa de Ma...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
"Seus olhos são como espelhos que refletem ao mais puro e insensato amor, sua boca faz-me alegremente perder noites em claro imaginando como doce deve ser seus beijos, eu não paro de pensar, porventura esquecer-te é uma triste condenação da qual não desejo desfrutar. Sim, eu sou escravo, negro e escravo, duas vezes escravo. Escravo dos homens e de sua beleza. Lamento informar, mas não mandamos no coração, adoraria, contudo, sou humano, sou limitado e vivo a conquistar-te em meus sonhos e a perder-te em vida. Pode e deves acabar comigo, destruir meu amor é uma grande possibilidade, entretanto mesmo que o sol não brilhe, a lua não torne a iluminar nossas noites e as estralas despenquem do céu como pássaros ao abate, eu ainda jamais te esquecerei."
Os versos que tocaram meu coração pertencem a quem jamais ousei acreditar, Sr. Benjamim, um negro letrado e deveras apaixonado. Por um mínimo segundo as ameaças de Aurora foram sepultadas na mais profunda cova do esquecimento e sobre as asas do amor deixe-me levar ao infinito além.
Naquela tarde as escondidas nossos olhos se conectaram, mas no íntimo nossas almas estavam ligadas e nosso amor era fruto de um vadio destino. As verdejantes florestas que rodeiam o casarão do senhor meu pai converteu-se no nosso aconchego de calor, e logo diria que a tentação já conspirava contra nosso livre arbítrio.
— Victoria? — Era a voz de meu pai adentrando sobre a densa mata. — Filha, responda?
— Estou aqui, senhor meu pai. — Respondi um tanto medrosa pela situação, visto que na companhia de Benjamim me encontrava.
— O que fazes aqui? — Interrogou o velho Gonçalo Ferreira. — Victoria?
— Posso explicar, senhor! — Disse Benjamim.
— Não indaguei a vosmecê, negro. — Esbravejou o velho Ferreira. — Creio não estar enganado? Acaso estou?
— Perguntas de um lado e chicote sobre as mãos.
Ele nada contestou e seus olhos de jabuticaba de tristeza se encheu, poderia e deveria interceder, mas não tive força e calada fiquei. Querido diário vivo em um mundo de aparências e ter um negro como amor não me é permitido, sendo assim, a ameaça com o tronco soou ser suficiente.
Naquela mesma tarde foi me permitida a companhia de Benjamim, ele guiaria a carruagem até o palácio real, todavia o caminho fora feito com inúmeros flertes, entretanto, o silêncio deveria permanecer, pois, nosso romance jamais seria revelado e mesmo que o ame não posso e não devo dar-me esse luxo de assumir publicamente que estou encantada por um negro deveras escravo de meu pai.
— Sua graça! — Benjamim sussurrou e instantaneamente após abrir a porta da carruagem ele tocou em minhas mãos aveludadas, enfim, quase nos beijamos.
— Desculpe! — Nossos lábios estavam quase ligados. — Isso deve acabar.