#CAPÍTULO 40#

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Ariella Young

Observo Oliver se afastar extremamente revoltado. Por um momento penso que vai olhar para trás, mas não o faz. Seus passos são firmes e largos demonstrando o quanto está irritado. Ainda não acredito que Oliver veio na minha direção para tirar satisfação sobre o Felipe. Ficamos tão próximos que precisei prender a respiração. Nunca me sentir tão nervosa com sua presença. As pessoas continuam pulando sem se abalar com a briga.
Tento procurá-lo em meio a multidão, mas não consigo. Ele sumiu tão rápido que o perdi de vista. Alguém toca na minha mão me tirando do transe. 
- Está bem? - Olho para frente vendo Ramon me observar cuidadosamente. Lembro dele. Do evento que teve aqui na França. Solto um suspiro profundo.
- Estou sim. - eu disse.
- Se precisar de qualquer coisa pode me ligar. - Ramon estende um cartão pequeno na minha direção. Assinto. Segurando o seu contato.
- Obrigada. - Agradeço vendo os amigos do Oliver se afastarem. Olho para o lado vendo Felipe me encarar sem dizer nenhuma palavra. O que de fato está acontecendo? Não entendo... Como esses dois se conhecem? Encosto na parede. As pessoas voltam a dançar novamente esquecendo a pequena confusão, e as palavras do Oliver se repetem na minha cabeça sem parar.
"Se o conhece-se tão bem. Não estaria com ele."
O que isso significa? Felipe se aproxima, e olha para mim.
- Você o conhece? - Ele perguntou, curioso. Franzo a testa.
- Pergunto o mesmo. Como o conheceu? - devolvo a pergunta, perplexa.
- Ariella olha a maneira como ele a prensou na parede. Vocês se...
- Não importa, Felipe. Te fiz uma pergunta. - eu disse, desconfiada.
- Eu o conheço como todos o conhecem, Ariella. Ele é uma pessoa pública.
- Mais não é nesse sentindo que estou falando. - falo, passando a mão no rosto.
- Em que sentido? - Felipe pergunta, nervoso.
- Não sei! - murmuro, confusa.
- Quer comer ou beber alguma coisa? - Felipe muda de assunto. Seus braços me envolvem e tento me acalmar um pouco. Assinto. Mando uma mensagem para o Benjamin avisando que o vejo depois. Sigo Felipe para um restaurante, e sento na cadeira pensativa. Seguro o cardápio quase fome, mas eu vou comer.
- Está bem?- Felipe pergunta, com o semblante preocupado.
- Estou um pouco confusa. - Afirmo.
- Confusa? Por que?
- Deixa para lá. O que vai querer? - Mudo de assunto, drasticamente. Felipe me olha pensativo, e concorda com a cabeça olhando para o cardápio.
- O que você pedir eu aceito. - Ele da de ombros, ainda me observando.
- Okay. - concordo.
~*~

Oliver Walker

Entro no banheiro, agoniado. Apoio as mãos na pia para tentar me controlar. Dimitri abre a porta desesperado, e fecha logo em seguida olhando para mim. Solto um suspiro e passo a mão no rosto frustrado.
- O que foi aquilo, Oliver? - Ele pergunta, com a testa franzida.
- Agora não. - resmungo.
- Você quase bateu no cara. O que deu na sua cabeça? Surtou? É o namorado da sua ex-secretaria.
- Aquele cara é um ladrão, não vale nada. - Exalto-me.
- Sim, e o que você tem haver com isso, Oliver? É o namorado ou amigo dela, sei lá. Você não deveria ter se intrometido. O que é isso? Esta apaixonado ainda?- Dimitri altera a voz.
- Mas que diabos! Não estou sentindo porra de paixão. Apenas não me controlei porque ele é o cara que arrombou a minha empresa.
- Deveria ter avançado nele ao invés dela não acha? - ele pergunta, examinando meu rosto.
- O caso ainda está aberto. Ariella conseguiu provar a sua inocência antigamente, mas aparecer com esse sujeito a faz ser novamente uma suspeita. - murmuro.
- Se conhece o cara que arrombou, por que não o denunciou? Ele deveria está preso.- Dimitri perguntou, pensativo.
- Não posso. Não agora. Que porra!- resmungo.
- Tente se acalmar, Oliver.
- Tenho certeza que ele não contou para Ariella sobre o que fez.- eu disse, pensativo.
- Isso não tem nada haver com você, Oliver. A vida é dela. Não se meta.- Dimitri aconselha.
- Não preciso de ordens como se eu fosse uma criança. Ficarei um pouco lá fora- aviso, passando por ele.
- O que vai fazer? - Dimitri pergunta, curioso.
- Fumar. - eu disse, saindo do banheiro sem esperar por Dimitri.
Caminho a passos largos com as mãos no bolso, quando escuto alguém chamar o meu nome. Olho para o lado vendo Apolline se aproximar devagar com um vestido vermelho, bem decotado e chamativo. Preciso admitir. Esta linda.
Ela da um sorriso, envergonhada.
- É bom vê-lo aqui.
- Eu preciso da uma saída. Depois a gente se fala. - aviso, tentando ir embora. Não estou com cabeça agora... E sei que se eu for falar algo posso trata-la de forma que não gostaria.
- Calma... - Ela toca no meu braço.
- Eu preciso ir, Apolline. - aviso, de novo dando-lhe as costas e caminho até saída sem olhar para ela.
~*~

Ariella Young

O garçom coloca o pedido na mesa e sorrio em agradecimento. Olho para fora do restaurante, pensativa. Não consigo raciocínar direito. Ainda penso no que acabou de acontecer e como tudo ficou depois, várias perguntas sem respostas.
Logo percebo um rapaz passar em frente ao restaurante e logo o reconheço. É o Oliver. Ergo a cabeça na sua direção. Ele caminhar com as mãos no bolso para a saída da boate com um semblante sério. Está sozinho. Meu coração acelera, e a vontade de segui-lo aumenta. Preciso saber o que aconteceu.
- Felipe, o que aconteceu ali? - Um dos seus amigos pergunta, preocupado referindo-se a discussão. Levanto-me na mesma hora, e olho para Felipe.
- Vou ao banheiro. Daqui a pouco volto. - eu disse, me afastando.
- Está bem. Só não demore para a comida não esfriar. - Felipe avisa sorrindo, e assinto saindo do restaurante apressadamente. Olho em volta a procura do Oliver, e o vejo passar pelo portão de entrada, enquanto acende um cigarro.
Apresso os passos.
Tento segui-lo, sem deixa-lo notar a minha presença. Engulo em seco. Começo a andar em sua direção desviando das pessoas que entram na mansão completamente bêbadas, outras normais, enquanto outros vomitam perto da árvore. Começo a correr. Passo pelo seguranças e saio da mansão. Olho a rua a sua procura. O perdi de vista. Merda! Começo a caminhar próximo aos carros estacionados e passo a mão no rosto. Me sinto triste e frustada. Suspiro. Viro o rosto para o lado quando
quando o encontro encostado no seu carro fumando.
- Oliver! - chamo seu nome, atraindo a sua atenção. Ele ergue o olhar surpreso.
- O que veio fazer aqui? - Oliver pergunta, com a testa franzida.
- Achou mesmo que ia fazer aquela cena e eu deixaria por isso mesmo? Como conheceu o Felipe? O que preciso saber sobre ele?- me aproximo com cautela. Não quero que vá embora de novo.
- Não cabe a mim contar, Ariella. - Oliver coloca o cigarro aceso na boca, e suga um pouco de fumaça, enquanto olha para as minhas pernas me deixando desconcertada.
- Por que fez aquilo se sabia que não  me contaria? - questiono, incomodada com o cigarro.
- Não interessa. - Ele dá um sorriso amargo e frio, após assoprar a fumaça no ar.
- Claro que me interessa. - retruco, indignada me aproximando cada vez mais.
- Agir por impulso. - Oliver diz sem importância, e se encosta em seu carro Lamborghini de cor prata. Cruzo os braços.
- Eu conheço você. Se está aqui desse jeito é porque alguma coisa te afetou.- Digo, percebendo a sua expressão mudar. Ele joga o cigarro no chão e pisa em cima com o sapato preto para apaga-lo. Passo a mão no cabelo nervosa.
- Volte para a festa e finge que nada aquilo aconteceu, principalmente que me viu. Esqueça essa noite. - Oliver avisa passando por mim enfurecido. Sem hesitar, toco na sua mão sentindo uma sensação me atingir. Seus olhos encontram os meus no mesmo instante, demostrando que não fui a única a sentir. Meu coração acelera e a vontade de entrelaçar nossas mãos e de abraça-lo não cabe no meu peito.
- Não esperava te encontrar aqui.-  confesso quase em um sussurro com os lábios trêmulos, porém o silêncio prevalece e percebo que o deixei sem palavras. Esperava por um "eu também", mas nenhuma resposta sai da sua boca.
- Volte para a festa, Ariella.- Oliver resmunga fazendo pouco-caso. O vejo abrir a porta do seu carro, e o encaro com um semblante sério.
- Espera! Não vai mesmo me dizer o motivo daquilo tudo?- Pergunto, assim que ele senta no banco. 
- Apenas saiba que não fiz por ciúmes ou algo parecido. Minha raiva é com ele.
- Caramba! Só me fala o que aconteceu. - suplico, impaciente. 3le solta um suspiro 3 coloca a chave na ignição. Dou um passo para trás na tentativa de me fazer recuar, mas meu coração fala mais alto. Não quero deixá-lo ir embora.
- Eu só não sei o que fazer. - murmuro, entristecida vendo ele descer a janela do carro. Seus olhos me fitam.
- Isso não é assunto meu. Quer dizer, apenas uma parte não.- Oliver ressalta passando uma das mãos na têmpora.
Arregalo os olhos.
- Que parte te envolve?- Pergunto, curiosa.
- Pergunta ao seu namorado. Creio que entre vocês não tem mentira. - disse Oliver, em um tom sarcástico antes de ir embora do local me deixando sozinha com os meus próprios pensamentos. Dúvidas. Curiosidades. Medo. Terei que descobrir o que esses dois sabem que eu não sei. E eu vou descobrir tendo ou ajuda ou não.

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