Ariella Young
Escuto alguém bater na porta me despertando. Ergo a cabeça em um susto vendo que dormir no quarto do Oliver depois que nos amamos pela segunda vez ontem a noite. Não tive coragem de ir embora e também seus braços me envolveram carinhosamente impedindo-me de levantar. Dormimos juntinhos que foi impossível não ficar perto dele. Bocejo ouvindo alguém bater na porta de novo. Suas cortinas estão fechadas o que faz parecer que ainda é noite. Estico os braços um pouco sonolenta no momento que seu celular começa a tocar em cima da cômoda. Suspiro. Sento-me na cama cobrindo o meu corpo com o lençol quando escuto a voz da Camilla no corredor.
- Oliver! Você precisa acordar, filho. O Breno está na sala a sua espera. Parece que aconteceu alguma coisa. - Arregalo os olhos assustada com a informação. O que deve ser? A respeito da Munique e do Osmar? Será? Toco em seu ombro para acorda-lo.
- Oliver... - Cutuco devagar para não assusta-lo, e espero ele reagir. Seus olhos se abrem vagarosamente.
- Aconteceu alguma coisa? - Ele ergue a cabeça sonolento, e passa a mão no rosto ficando de barriga para cima.
- Milla avisou que o Breno está na sala. Deve ter alguma informação.- eu disse, em um sussurro.
- Droga! Espero que seja coisa boa. - Oliver resmunga coçando os seus olhos. Ajeito meus cabelos com os dedos e enrolo o cobertor contra o meu corpo. Seus olhos me observam por alguns segundos.
- Vai descer comigo? - Ele pergunta, se aproximando. Seus lábios tocam nos meus dando um selinho demorado. Balanço a cabeça em negação devido a sua pergunta.
- Não, tenho que trocar de roupa. - aviso.
- Esta bem. Não demore. Quero que tome café comigo.- disse Oliver, com um sorriso no rosto. Dou mais um selinho nos seus lábios quando ouvimos mais uma batida na porta. Sorrio.
- Filho...- Camilla o chama com um tom baixo.
- Estou pondo a roupa. - ele avisa, em voz alta dando uma piscada para mim. O vejo entrar no banheiro com o corpo despido para tomar um banho rápido. Nem acredito que dormimos sem roupa. Esse homem é tentação. Minha nossa! Aproveito para me ajeitar também, e pego meu pijama do chão e calço minhas pantufas. Entro no banheiro, as pressas, o vendo dentro do box tomando banho. Oliver molha os cabelos, enquanto passa a mão no rosto. Desvio o olhar, com uma vontade absurda de agarra-lo aqui mesmo. Ligo a torneira da pia.
- O que deve ser? - Pergunto, lavando o meu rosto.
- Sobre o quê? - ele pergunta.
- O que o Detetive Breno tem a dizer. Não sabemos se é coisa boa. - eu disse.
- Possa ser que ele tenha encontrado Osmar. - Oliver sugere.
- Talvez, para dizer que eu seja uma suspeita. É só isso que ele sabe dizer sobre mim, ainda mais sobre o que eu falei ontem sobre a Verônica e as coincidência das balas.- retruco, intrigada. Oliver desliga o chuveiro, e abre a porta do box pegando uma toalha branca pendurada próximo a ele.
- Independente do que o Breno pense ou não ao seu respeito, não importa pra mim.
- Acredita que não tenho nada haver com o arrombamento? - perguntei com um sorriso de alívio.
- Não! Não mais, apesar que cheguei a duvidar realmente , mas eu a conheço e sei que roubar não é do seu jeito.- Oliver confessa, enrolando a toalha em sua cintura. Suspiro aliviada.
- Acho melhor se apressar. O Breno esta a sua espera. - eu disse, entrando no box para tomar um banho. Seus olhos percorrem meu corpo com desejo.
- Você é irresistível.- ele se aproxima no momento que fecho a porta do box o impedindo de entrar para me agarrar. Sorrio.
- Se apresse. - eu disse, aos risos. Oliver volta para o quarto deixando a porta do banheiro aberta.
- Não demore.
- Tudo bem. - respondo, tomando um banho rápido para não perder a informação que o Breno trouxe. Quero ouvir o que ele tem a dizer mesmo que seja ou não sobre mim.
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Oliver Walker
Desço as escadas as pressas, enquanto passo as mãos nos cabelos molhados. Breno esta sentado no sofá com uma xícara de café nas mãos conversando com Camilla sobre a sua infância nos Estados Unidos. A nossa amizade é de muitos e muitos anos. O conheci quando tinha vinte anos de idade, hoje estou com trinta e dois... É... Muito tempo. Caminho pela sala atraindo atenção dos dois. O vejo observar seu relógio de pulso antes de me olhar desconfiado. Ele sabe mais do que ninguém que não tenho costume de demorar quando o assunto envolve a minha empresa, porém precisei tomar um banho antes de descer.
- Acordou agora? - Breno pergunta ao notar a minha fisionomia.
- Ainda é cedo. - murmuro sentando no sofá ao seu lado.
- Já são quase uma hora da tarde, Oliver. - Breno responde, deixando uma risada escapar.
- O quê? Uma hora? - franzo a testa, surpreso. Não esperava que fosse tão tarde. Ariella e eu dormimos quase cinco da manhã.
- Dormiu tarde fazendo o que meu filho? - Camilla pergunta com um semblante de preocupação. Olho para Breno que me observa a espera da minha resposta. Cenas de ontem passam na minha mente quando escuto Ariella descer as escadas cantarolando uma música em outra língua. Acredito que seja o idioma português. Seus olhos percorrem a sala.
- Bom dia! - Ela deseja sorrindo antes de entrar na cozinha. Desvio olhar, reprimindo uma risada e encosto-me no sofá fingindo que nada aconteceu.
- Sei bem o motivo que o fez perder o sono.- Breno murmura segurando a risada, enquanto Camilla me olha sem entender.
- Muito trabalho... Fiquei muito ocupado.- eu disse, fazendo uma expressão de cansaço. Ela assente, com uma olhar compreensivo e acaricia o meu rosto.
- Tente dormir mais cedo, filho. - ela avisa, se levantando do sofá. Dou um sorriso carinhoso quando a vejo passar por mim. A espero entrar na cozinha.
- Você e Ariella... - Breno não termina a frase e me olha perplexo.
- Diga o motivo da sua vinda. - peço, sorrindo com a situação. Apoio os braços na perna, e o encaro.
- Bem... A informação que tenho não é uma das melhores. - Breno fala, pensativo.
- O que aconteceu? - pergunto, preocupado.
- Um casal foi assassinado dentro do próprio apartamento. O rapaz era um empresário conhecido por seu pai e acredito que por você também... É o Fábio.
- Fábio? Puta que pariu... Meu pai vai ficar arrasado. - eu disse, pensativo.
- Meus pêsames, Oliver. - Ele diz percebendo meu rosto pálido com a notícia.
- Descobriram o motivo dá sua morte?- Pergunto, preocupado.
- Não sabemos. Tudo indica que estamos lidando com um assassino muito perigoso e calculista. Ele mata sem deixar rastros.
- Acha que pode ser a mesma pessoa que tentou nos matar? - pergunto.
- É uma probabilidade. Estamos separando todas as pessoas que encontramos até agora. Só te peço que tenha cuidado... Eu estava dando uma olhada nos arquivos e encontrei algumas casos que achei interessante.- disse Breno.
- Que casos? - indago.
- Há outros empresários que seu pai e você conheciam que morreram e o mais estranho é que as esposas também foram mortas. Arquivaram o caso, porque não conseguiram encontrar novas pistas.- Breno explica, olhando para a cozinha. Sigo o seu olhar encontrando Ariella com uma xícara na mão de boquiaberta nos encarando. Vejo espanto em sua feição
- Desculpa. Não queria interromper... - Ariella fala subindo a escada rapidamente nos deixando a sós. Desvio o olhar, preocupado.
- O que esta querendo dizer com isso?- pergunto.
- Não estou dizendo que todas as mortes estão envolvidas com a pessoa que deseja machuca-lo, apesar que pode ser ou não... Não sabemos ainda. Mas se você é o alvo, tenha certeza que Ariella também é. O alvo do assassinato é fragilizar a pessoa que ele deseja matar e para isso ele atinge a família, então a sua envolve seu pai, Camilla e Ariella... Ainda mais que já se espalhou por toda a França que vocês "estão juntos".
- Porra! - rosnei, apreensivo.
- Por enquanto, se cuidem. Vocês estão na mira de alguém. Ah, antes que eu esqueça... Recebemos essa mensagem pela manhã na delegacia. A voz está alterada. Não sabemos se é um homem ou uma mulher, mas tudo indica que é para você. - Breno tira o gravador de voz do bolso da sua calça, e me entrega. Seguro o aparelho na mão colocando para tocar.
"Olá, olá... Acredito que se esta ouvindo isso é porque continua vivo. Só preste atenção. Todos se foram para satisfazer a minha vingança, mas apenas um é o que mais quero para finalizar o meu ciclo de empresários sucedidos. Falta um rapaz e sua ex secretária... E podem me esperar. Eu estou chegando. Divirtam-se! ".
- Mais que diabos é isso? - perguntei, perplexo.
- Acredito que você é o único que teve um caso com uma secretária. Os outros que morreram eram casados, e nenhuma delas trabalhavam nas empresas dos seus companheiros.
- Tudo isso por causa do meu dinheiro? Não acredito que isso ainda não acabou. Tenho certeza que foi Osmar ou Munique. Esses dois só vão parar quando conseguirem o que querem. - Levanto-me aflito.
- Não lembra de mais alguém que teve algum desentendimento? Ou que te ameaçou?
- O Osmar... O Erick no dia do jantar na minha casa, mas ele só mexeu com Ariella e depois sumiu. Não procurou problema comigo, e nem com ela. Pode ser a Munique, o Henrique... Eu não sei. Qualquer pessoa... São tantas.- ando de um lado para o outro na sala.
- Já descartei Ariella da lista de suspeitos. Não acredito que seja ela. - Breno afirma, pegando o gravador dá minha mão para guardar de volta no bolso com um semblante cansado.
- Já vai? - perguntei.
- Sim. Tenho que ir para a delegacia, há outros casos que precisam de uma resposta.- ele responde, exausto. Concordei.
- Esta bem. Agradeço por vim.- o observo se levantar indo até a porta.
Camilla sai da cozinha para leva-lo até a saída, enquanto fico paralisado com a informação. Não esperava uma notícia dessas. O Fábio esta morto. Trabalhou com meu pai durante muitos anos, e ainda eu o vi na festa do aniversário do Ramon. Não sei mais o que pensar. Meu pai vai ficar arrasado quando receber essa triste notícia. Suspiro. Sinto uma dor de cabeça tremenda e passo a mão no rosto só de imaginar que Ariella esta na mira dele ou dela. Não sei o que fazer, não sei como posso protege-la. Passo a mão no meu rosto atordoado, e começo a subir a escada para trocar de roupa. Preciso ir para a empresa. Ando pelo corredor do primeiro andar ouvindo o meu celular tocar no quarto e apresso os passos para da tempo de atender.
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Ariella Young
Penteio os meus cabelos na frente do espelho lembrando da conversa que o Breno teve com Oliver. Mais duas pessoas perderam a vida. Um casal. Que triste. O que pode ter acontecido? Sinto um embrulho no estômago só de pensar que a pessoa ainda continua solta. Só acho estranho pensar que o assassino da Verônica pode ser o mesmo que tentou nos matar ou também que matou esse casal, porém não tem lógica. Oliver não a conhece... Por que matar duas pessoas que são completamente estranhas uma para outra? Não faz sentido. Não tem sentido interligar os casos um no outro se são pessoas distintas. Verônica e Oliver?
Acredito que sejam casos totalmente diferentes e infelizmente acabo me envolvendo por conhecê-los. Coloco a escova na pia, e passo os dedos nos meus cabelos.
Meu celular começa a tocar em cima da cama, e corro em sua direção. O nome do Felipe aparece no visor. Por que ele insiste em falar comigo? Já disse que não teremos mais nada. Pego o meu celular em cima da cama, e entro no banheiro para atender a chamada, as pressas. Não quero que Oliver suspeite que estive falando com ele. Passo a chave na fechadura, e me encosto na parede. Atendo a chamada receosa.
Ligação ON.
- Oi Felipe. - Falo em voz baixa.
- Estava dormindo?
- Não, não. Diga o que foi.- peço, curiosa pela a sua ligação.
- Preciso conversar com você.- Felipe avisa, com um tom de voz sério.
- A gente já conversou.- dou de ombros.
- Não... É sobre a Verônica. - ele responde, nervoso. Fico de boquiaberta.
- Verônica? - pergunto, abismada.
- Mentir... Para... Você. A conheço algum tempo.
- O que tem a dizer?- Coloco a mão na testa, intrigada.
- Não dá para explicar por telefone, Ariella. Só pessoalmente... É uma coisa que tem haver comigo também. Na verdade, estou meio que na situação.
- O que você fez? - Pergunto, assustada.
- Por favor, me diga onde está que vou...
- Não! Me fale o endereço que eu vou ao seu encontro.- o interrompo.
- Pode ser aqui em casa? - Felipe pergunta a espera da minha resposta. Ando de um lado para o outro no banheiro pensando no que fazer. Não quero perder a confiança do Oliver. Não quero magoa-lo, ou seja, não posso ir na casa do Felipe. Meu Deus! O que faço? Preciso saber o que ele tem para me contar sobre Verônica. Até porque eu flagrei os dois juntos na frente do hotel quando fui buscar minhas coisas. Me olho pelo espelho durante alguns segundos pensando no que devo fazer.
- Ariella? Está ai?- Felipe pergunta, ao notar meu silêncio. Fecho os olhos com força decidida a visita-lo.
- Vou para a sua casa. Tem que ser rápido. - aviso, com as mãos trêmulas.
- Estarei esperando.- ele responde e encerro a chamada. Se Felipe confessar que matou a Verônica será um ato imperdoável. E se Oliver descobrir poderei o perder de novo. Que merda!
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Ariella (A proposta) - 2° LIVRO
RomantizmO LIVRO SERÁ REVISADO! Autora: Emily Silva Seja Consciente, PLÁGIO É CRIME. Obra registrada na Biblioteca Nacional. SEGUNDO LIVRO DE ARIELLA. # É necessário ler o primeiro livro "Entre Destinos", Ariella enfrenta uma reviravolta após decidir morar...
