CAPÍTULO 7

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THEO

Faltavam apenas dois quarteirões para minha vida pressionada e fantasiosa voltasse a acontecer novamente, infelizmente não era essa a vida para a qual eu queria voltar quando o trabalho acabasse, não era ao lado de Marcela que eu gostaria de dividir a cama, não era nada disso. Foram anos acatando ordens de minha família, os agradando da melhor forma esquecendo completamente que dentro de mim existia sim um homem com princípios e que tinha suas próprias vontades. Eu queria uma vida com Lis, e eu lutaria cada segundo para resolver o que estava em nosso caminho.

—Alô? —Senti sua voz triste, ela parecia ter chorado e aquilo não me deixava nada tranquilo.

—Lis você está chorando? O que aconteceu querida? —Gritei as pressas pensando o pior. Eu já sentia o coração acelerado, pronto para parar.

—Não foi nada, fique calmo eu estou bem. Estava apenas pensando em meus pais e acabei chorando, fique tranquilo. É melhor não me ligar no trabalho, não quero que tenha problemas. —Meu peito apertou ainda mais, eu sabia que algo não estava certo e querendo ou não ela me diria a verdade.

—Estou no banheiro, não vão ver. Lis tem certeza que está tudo bem? — aquilo não parecia que estava bem.

—Sim, estou apenas emocionada com lembranças, já estou até na cama pra dormir. —Tranquilizei-me por alguns segundos, respirei fundo acreditando em suas palavras.

—Falando nisso, você pensou em morar na minha casa?

—Estou pensando, é um passo grande demais.

—Eu sei mais não me importo, quero você segura meu bem e ao meu lado. Pense por favor, esta me matando não pode estar aí te consolando agora.

—Estou bem não fique preocupado, vá trabalhar, te prometo dormir agora, não quero você em problemas por minha causa Teodoro.

—Eu não vou ficar, me prometa que se houver qualquer problema vai me ligar?

—Prometo, agora eu preciso desligar, cuide-se bem e não deixe de se alimentar ok?

—Ok, boa noite meu bem.

—Boa noite querido. —Foi tudo que pude ouvir sentindo peso em meu peito, algo não estava bem.

** ** **

Entrei no quarto vendo Marcela me olhar, ela estava em pé na janela com os olhos em mim. Respirei fundo sabendo que nossa noite não seria como as outras depois de tudo.

—Meu pai foi falar comigo a provavelmente mando da sua mãe, o que tem a me dizer sobre isso? —Joguei minha mala sobre a cama a olhando duramente, aos poucos eu via que mulher realmente era Marcela.

—E precisa? Todos estão notando que tipo de homem você está se mostrando ser para mim, não sei por que volta pra casa, deveria dormir fora mesmo, já nem mesmo fica tanto tempo assim.

—Eu adoraria não voltar, não por você não me entenda mal. Meu pai me empurrou pra você e me obrigou a casar com um mês que estávamos nós conhecendo Marcela, será que isso não foi incomodo pra você? Aos poucos eu começo a entender e ver que nossa relação aconteceu de uma maneira rápida demais, sem motivos reais entre nós.

—Não, não culpe seu pai pelos seus deslizes, estávamos nós vendo não era? Não éramos desconhecidos, o casamento aconteceu por que você e eu aceitamos isso.

—Conveniência Marcela, esse é o nome que podemos dar a essa união que nossos pais viram como solução para seus próprios desejos. Sempre vive a sombra que meu pai impôs para mim, mais agora posso perceber que tipo de vida eu estava cultivando para mim mesmo sobe a supervisão dele. Não me culpe por não ser um bom marido, não é minha culpa. Não consigo deitar e transar com você sem ter nenhum sentido nisso Marcela, eu fui posto nisso mais meu corpo não aceita mais. E falo isso não apenas por mim, mais por você também que não merece ser infeliz. —Faíscas saltaram de seus olhos raivosos e tudo indicava seu descontrole. Eu não queria a machucar, eu estava simplesmente tentando abrir seus olhos para a realidade explosiva que estávamos dentro.

UMA CHANCE PARA AMAROnde histórias criam vida. Descubra agora