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As palavras pareciam fugir da minha boca, nem ao menos eu conseguia pronunciar algo enquanto Jade me olhava desafiadora. A morena tinha um aspecto de doente e cansada, olheiras grande, parecia mais magra apesar de ter tido bebê.

- Fala logo Perrie!

- Eu... - Fui interrompida pela enfermeira que entrou com o pequeno pacote amarelo.

- Olha só quem veio conhecer a mamãe! - A enfermeira levou o bebê até o colo de Jade, a morena no mesmo momento se calou e chorou baixinho passando a mão na bebê.

Ela abriu o pacotinho e viu o pequeno corpinho da filha, passou a mão no rosto da bebê de forma delicada, ela levantou a touca e os cabelos castanhos claros e ralos na cabeça. Ela sorriu em meio as lágrimas e eu me peguei sorrindo pela cena, a bebê abriu os olhos revelando os belos pares de olhos azuis.

- Oi meu amor, é a mamãe! - Ela sussurrou mais eu conseguir ouvir.

- Ela tem os olhos azuis e lindos. - A enfermeira falou sorrindo e Jade olhou para mim. - Eu vou me retirar, se você precisar de qualquer coisa aperta esse botão vermelho que eu venho.

Jade sorriu fraco e voltou a observar a pequena que parecia tranquila e que já havia amado o colo da mãe. Eu me senti estranha olhando aquela cena, a um tempo atrás isso era meu sonho, hoje com certeza não era, olhando o amor que a morena parece transborda agora é lindo.

- Você pode falar o que quer e ir embora? - Ela falou embargada.

- Eu vim falar sobre ela... - Jade fechou a mantinha e apertou a menina no colo, impedindo a minha visão. - Existe possibilidade dela ser minha filha?

- O que você acha Perrie? - Uma risada amarga saiu da boca dela. - Claro que sim, mas nós não precisamos de você, então você só contribuiu de alguma forma, agora me esquece e vai embora daqui curtir sua vida de loucura.

- Não, eu quero ajudar você. - Uma risada irônica.

- Eu e minha filha não precisamos de você! - Ela falou firme.

- Eu quero ajudar vocês de alguma forma, eu posso te dar um dinheiro... - Eu encostei na cama.

- Eu vou falar devagar para você ouvir e entender. - Eu suspirei. - Eu não preciso da sua ajuda e muito menos o seu dinheiro, fique tranquila a Aurora nunca vai precisar de você, não queremos nada que seja seu.

- Eu ouvi o médico falando que você precisa ficar aqui mais dias e seu plano não cobre.

- Eu não preciso ficar aqui mais, posso muito bem ir para casa e cuidar da minha filha. - Ela quando queria era teimosa demais.

-Não pode não!

-Posso sim, durante a gravidez foi pior e nós duas estamos aqui, eu posso muito bem me virar sozinha! - Ela começou a se exaltar.

- Ei, ei, ei, o que está acontecendo aqui? - Uma voz grave saiu.

O médico entrou pela cortina e passou o olhar entre mim, Jade e o bebê, ele cruzou os braços como um pai zangado reprovando as ações do filho e eu sorri amarelo.

- Doutor, você poderia fazer ela sair daqui? - Jade disparou.

-Não, eu sou a mãe dela também! - O médico me olhou confuso.

- Como assim você é a mãe da bebê?

-E-eu sou intersexual doutor. - Falei corada. - Mas eu não sabia que a Jade estava grávida, ela não me contou!

- Porque você deixou claro que não queria ter filho algum, antes mesmo de fazer! - Eu neguei com a cabeça.

- Calma Jade, por favor. - o médico tentou acalmar. - Você esta fraca, necessita de ajuda no momento.

-Não preciso não!

-Pare de agir como uma criança, Jade!- Ela me olhou raivosa.

- Pare de tentar interferir na minha vida, nós não somos nada! - Ela deu uma respirada forte. - E suma você com esse seu dinheiro, eu não quero nada e minha filha não precisa de você.

- Jade ela é a mãe também do seu bebê, então por favor colabora, você vai precisar de ajuda para cuidar da sua filha, o parto foi difícil e seus movimentos pelo menos nesses dois primeiros meses não podem ser muito grandes, seria ideal você ter alguém pra pegar a menina do berço, da banho nela, você ficar num bom repouso e ter uma ótima alimentação.

- Nada que eu não possa fazer sozinha, nessa primeira semana a vizinha da frente se ofereceu para dar banho na Aurora, e o resto eu me viro.

- Doutor eu posso me responsabilizar por elas, posso levar ambas para minha casa e contratar alguém para cuidar das duas.

-Isso seria ótimo!

-Não seria não, eu não quero e não preciso de migalhas dela!

-Eu também sou a mãe dela e quero cuidar.

- Mas eu não quero!

- Garotas,por favor! - O médico interrompeu nosso início de discussão. - Jade por favor aceite, é pela Aurora, é importante para ela que você tenha uma boa quarentena e se recupere.

Ela me olhou com raiva e depois olhou para a menina no seu colo que havia se mexido e fez um som parecido com um choro e seus olhos encheram de lágrimas, ela parecia em guerra dentro de si.

- Um mês, pode ser? - Sorri por ela ter cedido.

- Quatro. - O médico falou e ela olhou abismada.

-No máximo três e não quero mais conversa.

-Tudo bem, vou deixar vocês a sós. - Ele deu una batidinha no meu ombro e saiu.

-Eu sei que você não quer a Aurora e que esta fazendo isso por pena. - Eu me calei pois era praticamente verdade. - Pois saiba que depois que esses três meses acabarem eu vou sumir com a minha filha e você não vai ter com o que se preocupar.

- E se ela precisar de alguma coisa, faltar alguma vez dinheiro?

- Não se preocupe, minha filha não vai precisar nunca mais do seu dinheiro e não se preocupe que ela jamais vai vim cobrar algo de você.

- Tudo bem Jade.

- Isso não era nem para estar acontecendo, depois das palavras que você me disse, eu deveria estar te jogando mil pedras agora e não aceitando a porra da sua ajuda. - Ela limpou as lágrimas. - Mas tudo que eu estou fazendo é pela a minha filha, eu não quero que nada de ruim aconteça, por isso estou aceitando a sua ajuda, apenas por isso.

Aurora → Jerrie   G!pOnde histórias criam vida. Descubra agora