Capítulo 6... Foi alguma coisa que eu fiz?
P.O.V- Lia
Tinha entrado na sala errada? Acabei, por uma perfeita coincidência, entrando num concurso de mímica? Tudo ficaria tão melhor se eu enxergasse seus rostos...
- Nós entraremos em contato, tudo bem? - disse outra voz, mais firme.
-Ok. - Faziam isso com todo mundo? Praticamente me mandaram embora sem nem dizer se fui boa ou ruim.
-Espera, você é profissional? - uma voz conhecida perguntou.
-Não... - agucei meus ouvido, timbre iria ser muitíssimo útil. Ninguém disse nada por um tempo, então, antes que falassem, decidi tentar desvendar logo esse assunto: - isso acontece normalmente? Quero dizer... Vocês não deveriam dizer "sim" e eu iria para a próxima fase?
-Não - ele não entendeu a piada e, muito menos, a referência - nós avaliaremos os outros concorrentes com cuidado, temos somente 15 vagas. - aquela voz estava tão familiar que chegava a ser assustadora.
Acenei com a cabeça lentamente, processando a informação. Andei meio desorientada, não sabia onde estava nem como sair dali, mas seguir em frente era a única coisa que podia fazer, literalmente.
-Você foi muito bem! - disseram algumas pessoas mais jovens. Sorri timidamente, foi inesperado e tocou meu coração.
-Obrigada. Devo ficar aqui?
-Só se quiser ver outras apresentações. Acha que vai demorar para ligarem para nós? Estou tão nervosa! - disse uma jovem muito bonita, também familiar. Ela estava falando muito rápido para minha linha de raciocínio, a vida estava acabada para mim, minha missão terrena parecia ter sido realizada, a partir desse ponto nada importa muito além de seu resultado - Então, quer sentar?
- Não, obrigada. - sorri gentilmente, pensando na alegria que teria ao colocar meus óculos em casa. - Boa sorte.
-Pra ti também... - sua expressão exigia algo, chutei "Lia" - Lia! - A reposta a estava correta - Nós já nos conhecemos, antes? Estou te achando familiar.
- Desculpe, não lembro. - outra música começou a ser tocada, era Humble, do Kendrick Lammar.
- Meu Deus, que lindo! - colocou as mãos na boca dramaticamente, alguém estava fazendo movimentos brutais no palco, mas indecifráveis. Quanto mais a encarava a moça mais familiar ficava. Tinha cabelos morenos, olhos verdes claros e parecia tão jovem. Será que era famosa? Enfim... Não queria descobrir tanto assim. Me despedi com dois "tchau" e fui pedalando cuidadosamente na volta para casa. Acho que estava passando mal.
-Como foi?- disseram Lee e Ana ao mesmo tempo. Elas olhavam fixamente, atentando a qualquer mudança de expressão.
- Não sei, vão me ligar. Eles não falam nada para gente, que estranho, né?
-Como assim?
- Parece que fui pedir um hambúrguer e não me apresentar lá. Eles pediram meu nome, o nome da música e disseram "entraremos em contato", como alguém que realmente não quer entrar. Acho que não passei. Nem sequer podia enxergar direito.
- Nós percebemos, suas lentes ficaram no banheiro... Ah Lia, e se... Não, deixa.
-E se eu não passar? - suspirei, já cogitando a ideia como a mais provável realidade - Pelo menos tentei.
Deitei no sofá me sentindo extremamente cansada, todo o esforço daqueles dias de treino intensivo e muita pressão me atingiram como uma bomba, dormi em menos de dois minutos.
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𝔻𝕣𝕖𝕒𝕞 𝕆𝕟
HumorApós várias situações vividas que a deixaram em uma posição difícil de ter grande otimismo, Lia finalmente reencontra seu primeiro amor, Bruno, mas o encontro acaba não ocorrendo como ela espera pois ele nem sequer lembra dela e a trata mal. Mancada...