Capítulo 9

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Eu me debatia na água, sentia os peixes encostando em mim. Em menos de segundos, guardas vieram e me me tiraram da fonte. Eu já havia bebido tanta água que enquanto eu estava nos braços de um guarda, eu me joguei no chão e comecei a colocar todo meu almoço para fora. Eu estava vermelha de vergonha, Ezeque me olhava com pena, e Beatriz não expressava  nenhuma reação. Miranda veio correndo, eu estava toda ensopada, ela jogou uma toalha em mim e um guarda me pegou e me levou até meu quarto. Ao chegar lá várias criadas me esperavam, é assim, quando algo acontece com a filha dos reis, tudo que é pequeno, se transforma em grande. Mas isso que havia acontecido não era nada pequeno. Ao chegar no meu quarto eu estava muito mal, meu estômago e minha cabeça doiam, meu nariz ardia por causa da água que eu respirei. Fui direto para o banho, coloquei uma roupa confortável e depois algumas enfermeiras me verificaram. Sim, eu havia me afogado na enorme fonte, havia vomitado tudo, e estava acabada, mas o pior não era isso, era o fato de que eu havia sido empurrada, e de propósito.

-O que aconteceu Lia? Me explica isso direito.
Miranda estava sentada ao meu lado enquanto eu estava deitada na cama, ela passava de leve a mão no meu cabelo e eu começava a me sentir melhor.

-Eu e Ezeque estávamos indo para o jardim, minha mãe pediu que Beatriz nos acompanhasse, ao chegar lá ela primeiro criticou a fonte, e depois, quando eu e Ezeque já estávamos sentados, ela veio andando até nós, mas seu sapato de salto ficou preso na grama, ao tentar puxar, ela caiu no chão e me empurrou na fonte.

As palavras sairam cuspidas da minha boca. Beatriz fez isso de propósito, ela não iria pagar mico sozinha, ela não precisa me derrubar, mas derrubou.

-Caramba Lia, ela mal chegou e já está aprontando, como que alguém desse tipo vai assumir um reino tão importante?

Eu suspiro forte, são nessas horas que eu vejo como a vida é injusta.

-Pois é Mi, enquanto eu batalho para ser melhor, e assumir o trono, ela nem se esforça para manter a compostura.

-Fica tranquila, amanhã você será o centro das atenções no baile de comemoração a chegada dos reis, você nem imagina como será seu vestido.

Miranda falava entusiasmada, sua voz doce tentava me acalmar e me distrair, porém eu ainda estava bem brava com Beatriz.

Alguém bateu na porta e Miranda foi abrir, minha mãe entrou e se sentou na cama ao meu lado.

-Lia mas o que aconteceu?
Ela perguntou-me.

-Beatriz me empurrou na fonte, simples assim.
Digo direta e sem dar muitas explicações.

-Ela me disse que foi um acidente.

-Ué mãe, pergunte aos nossos guardas que viram tudo.
Digo meio estressada.

-Ah minha filha, agora você está bem, nada te aconteceu, eu fiquei preocupada.

Ela diz segurando minha mão.

-Bom mãe, então, estou bem, não precisa se preocupar.

Minha mãe me dá um beijo na testa e sai do quarto, logo após Ezeque entra.

-Como está?
Ele me pergunta.

-Com a barriga doendo um pouco por causa do tanto de água que engoli, mas estou bem.

Ezeque respira fundo e começa a falar algo que muito me interessa.

-Bom, pra você se sentir melhor vou lhe contar o real motivo da Beatriz estar aqui.

Não consigo conter meu sorriso, só o fato de isso não ser uma simples visita de aliados, muito, muito me interessa!

-Pode começar a falar.

-A princesa Beatriz sofreu uma tentativa de assassinato.

Miranda que estava parada em pé, ao lado da porta me olha, eu sem nenhuma reação olho para Ezeque bem confusa.

-Calma, vou te explicar certinho.

Ele se senta a minha frente, e eu me arrumo na cama.

-Ha alguns dias atrás, um homem entrou no palácio, disfarçado de guarda, e quando a princesa estava sozinha ele tentou mata-la. Ninguém sabe direito o motivo, mas o rei acha que há pessoas infiltradas no palácio, pessoas que querem matar Beatriz.

Apesar de ser chata e mimada, Beatriz  sempre foi uma princesa muito amada pelo povo de Terá, nunca ouvi nada sobre pessoas com essas tais intenções.

-E então o rei e a rainha vieram pedir ajuda.
Ele completa.

-Ajuda de quem?
Pergunto curiosa.

-Ajuda da Espada.

Meu coração bate mais forte, saber que verei a Espada em ação depois de mais de vinte anos sem nenhum uso será mais que especial, será um marco em minha vida.

-Isso é maravilhoso Ezeque, a Espada será desperta, vovô vai usá-la!
Digo toda contente.

-Não Lia, não vai, vovô não pode mais pegá-la.

Em segundos a minha felicidade se transforma em decepção. A Espada lutou na mão do guerreiro que libertou todos os Reinos da mãos do Reino Maior, um reino que não tinha misericórdia nem limites para escravizar. A Espada se transformou então, numa arma poderosa, que escolhe seus guerreiros, aqueles que a utilizarão, ela também pode indentificar traidores, mas para isso ela precisa estar ativa, e atualmente, ela está a mais de vinte anos, parada, dentro de uma caixa de vidro.

-O que vamos fazer então?
Pergunto.

-Bom, vovô é o último guerreiro, papai não pode toca-la, então, de uma forma ou de outra ela vai escolher alguém.

-Mas quem?

-Vovô disse que ela já escolheu.

-Ezeque, isso é impossível, só alguém muito corajoso e que tenha encostado nela pode ser escolhido. Você já encostou, mas tinha dez anos de idade, e foi porque eu te desafiei.

-Eu sai com a mão toda queimada.
Ele diz rindo.

-Pois é.

Ezeque respira fundo e balança os ombros, nem eu nem ele sabemos o que virá pela frente. Se os rei estão aqui porque precisam de um guerreiro e a Espada para indentificar quem é que quer matar Beatriz, então eles estão bem enrolados, pois aqui não há nem guerreiro, nem Espada ativa...

-Tente descansar, amanhã será um longo dia, o baile de recepção aos reis será incrível, e tenho certeza que você irá brilhar como sempre.

Ezeque da um beijo em minha mão e sai, peço que Miranda pegue o Diário de minha avó, que eu ainda não devolvi, e eu começo a ler. Eu já havia lido todas as páginas, tudo o que minha avó escreveu durante sua vida nesse diário eu li. A cada palavra eu me encantava mais e mais pela avó sábia e incrível que eu tive, com certeza meu avô teve muita sorte em se casar com alguém como minha querida avó.

-Você vai passar o resto do dia aqui?
Miranda me pergunta.

-Acho que sim.

-Então vou pedir que seu café da tarde e sua janta sejam servidos aqui no quarto. Eu tenho que voltar para a Ala das costureiras para terminar seu vestido de amanhã, mas qualquer coisa que precisar de mim, é só me chamar.

Minha amiga me abraça e sai, e eu continuo ali, mergulhada nas doces palavras de minha avó.

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Olá meus amores, o próximo capítulo estará imperdível, provavelmente ele vai sair hoje ou amanhã, então não se esqueçam da nossa tão importante estrelinha ⭐. Então é isso, um beijão 😘❤

"O Trono e a Espada"Onde histórias criam vida. Descubra agora