Acordei meio zonza. Estava no meu quarto, na minha cama, Solaria e Miranda estavam do meu lado. Tentei levantar a cabeça mas então pude sentir um leve repuxado em meu pescoço, levei a mão até ele e senti uma curativo. Foi ai que eu me lembrei de tudo, do homem, da dança e da faca.
-Miranda.
Foi a única coisa que consegui falar.
-Ah, não acredito, você finalmente acordou! O que deseja? Água, comida, quer que eu te ajude a levantar?
Ela disse com um tom de voz preocupado.
-Não, eu estou bem. Só quero ficar sozinha.
Falei num fiapo de voz.
-Mas alteza.
Solaria contestou.
-Por favor.
Disse engolindo o choro.
As duas saíram sem mais. Quando a porta se fechou e me vi sozinha, coloquei tudo aquilo para fora. As lágrimas desciam e meu soluço ecoava dentro do quarto. "POR QUE TE MATARAM SELENA? POR QUE?".
Eu gritava. Gritava de raiva, gritava de tristeza. Eu queria tanto a minha irmã, tanto! Ezeque, minha mãe, meu pai, todos eles nunca me contaram que ela havia sido assassinada. A dor era insuportável. Agora sim eu entendia o motivo de Ezeque não querer assumir o trono. Ele não queria correr o risco de ter uma filha morta. Isso é demais. Quão sombrio é esse reino que controla os reis? Como eles podem isso? Como?
Me permiti chorar mais. Acho que tudo que eu nunca chorei, liberei naquele momento. Aos poucos as lágrimas pararam de rolar, e a minha respiração voltou ao seu ritmo normal. Senti minha cabeça latejar, meu sangue parecia ferver dentro de mim. Levantei da cama cambaleando e fui até o banheiro. Quando me olhei no espelho vi que os curativos eram grandes, com certeza o corte havia sido enorme. E ainda meu olho estava roxo, devo ter levado um soco quando já estava inconsciente. Se isso foi uma tentativa de me amedrontar, ele falhou miseravelmente, acho que ele pensa que sou uma princesinha medrosa, mal sabe ele que sou muito mais esperta e decidida que um rei em busca da libertação do seu povo. Nasci princesa, mas o coração é de guerreira, sem sombra de dúvidas.
Me abaixei um pouco, abri a torneira e lavei meu rosto. Deixei que a água fria me despertasse, peguei uma toalhinha e enxuguei o rosto. Voltei para a cama, e na mesinha ao lado havia dois copos de água, um bilhetinho e alguns remédios.
"Aqui estão os remédios que você deve tomar. Quando você acordar, provavelmente vai querer ficar um pouco sozinha, então já deixei tudo separado. Esse no plastiquinho azul é para caso sua cabeça latejar.
-Ass: Sua amiga Miranda.♡"
Sorri ao ler o bilhetinho de Miranda. Ela me conhece tão bem que nem precisou que eu pedisse algo, já sabia que eu iria precisar.
Tomei então o remédio e deitei novamente na cama. Meu olhar estava fixo no teto. Meus pensamentos rodavam e rodavam.
Quem era exatamente aquele homem? De quem ele é filho? Onde mora? Por que meus pais não o prenderam? Como que o Reino Maior ainda existe, sendo que a trezentos anos atrás eles foram derrotados e mortos? Como eles entraram no palácio? Como eles tinham aquele raça de cavalos, sendo que hoje é proibido cavalos de guerra, já que eles são extremamente maltratados? Minha irmã morreu de que forma? Como eles sabiam que Ezeque é meio contra sua admissão ao trono?
Eram muitas perguntas a serem respondidas, muita coisa a ser explicada. Agora sim fazia sentido a frase que Ezeque me disse a alguns dias, que nem tudo é tão perfeito assim. Fico chateada de ter duvidado de meu irmão, de achar que ele estava mentindo. Não deve ser fácil saber que ele corre o risco de ter um filho morto, ou de saber que ele viverá sempre observado por esses psicopatas. Então não será tão fácil assim ser rainha. Existe todo um esquema para que nenhuma mulher se sente no trono dos herdeiros. Para mim isso não importa mais, agora o que vale é acabar com esse reino, que destruiu um pedaço da minha família, e que já destruiu muitas outras.
Ouvi duas batidas na porta. Mesmo não querendo ver, nem falar com ninguém, permiti que entrassem. Era uma criada, que disse que uma pessoa queria falar comigo no telefone. Ah, fala sério, eu quase fui morta e estou recebendo telefonemas? Bufei, mas decidi ir atender o telefone mesmo assim. Pedi que a criada me levasse até a sala do telefone, que fica ao lado do escritório de minha mãe, pelas passagens secretas. Não queria ver ninguém, não ainda. Ela então me levou, pedi que ela esperasse por mim enquanto eu falava no telefone, pois eu iria querer voltar pelas passagens secretas também.
-Alô.
Falei cansada.
-Liana?
A outra voz respondeu.
-Não não, aqui é a princesa da antiga Grécia.
-Então foi um engano, liguei para falar com a minha amiga, mas já vou desligar.
-Mathew!
Falei surpresa.
-A seu dispor.
Ele falou.
Senti uma leve paz dentro de mim, uma sensação diferente, mas muito boa.
-Que saudade! Por que está me ligando garoto? Aconteceu algo?
-Claro que aconteceu Liana. Você quase foi assassinada pelo verme do Invictus. Quando seu pai comunicou a nós sobre a aparição daquele imprestável, e sobre o que ele havia feito, eu não conseguia parar de pensar em você, fiquei muito preocupado.
Awn.
-Não precisa se preocupar, estou bem, apenas com alguns pontos no pescoço, um olho roxo e uma leve vontade de matar esse Invictus, mas bem de leve mesmo.
Ele riu.
-Eu quero muito ver você. Mas qualquer coisa que seja precipitada irá alarmar o Invictus. Então liguei para você, mas você estava dormindo ainda.
-Por quanto tempo eu dormi?
Perguntei.
-Sete dias.
-Caramba, como isso é possível? Quem dorme por sete dias?
-Seu irmão me contou que você teve que passar por três transfusões de sangue, e que você também teve 1 parada cardiorrespiratória, sem contar que a faca que o Invictus usou tinha veneno. - Ele pausou sua fala e respirou fundo. - Você poderia ter morrido.
-Eu sei. Quer dizer, não sabia dessas outras coisas que você disse, mas sei que poderia ter morrido. Agora ele que irá morrer, e sei reino irá acabar. Para sempre!
Falei determinada.
-Não é tão fácil assim, muitos já tentaram. Mas é quase impossível acabar com alguém que vive nas sombras.
Ele disse.
-Nada é impossível para quem realmente quer.
Respondi.
Ele não disse mais nada, quando eu achei que a ligação havia caído, mas não, sua respiração ainda estava lá.
-Fico feliz por saber que você está bem. Se precisar de alguma coisa estarei aqui.
-Muito obrigada. Amigo.
-De nada. Amiga.
Sorri e então desliguei o telefone. Voltei para o meu quarto, mas agora me sentindo um pouco melhor.
Mas não era tudo, eu precisava falar com os meus pais, precisava entender tudo. Absolutamente tudo.
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Olá meus amores! Hoje o capítulo foi bem completo e o último do ano! Vim agradecer a vocês por estarem acompanhando o livro e tbm, vim dizer que em 2018 teremos a continuação do livro ❤❤
Ainda não vou divulgar muito sobre ele, pois estamos apenas no meio do livro, mas posso dizer que além da continuação de O Trono e A espada, nós teremos também outros livros!!!
Desejo a todo vocês um ótimo 2018, cheio de alegria, paz e mto amor! Que Jesus abençoe vcs! Beijoes 😘😘❤❤
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"O Trono e a Espada"
AventuraComeço: 13/07/17✔ Liana Heleonora De Florence é a filha do meio do rei Giulian e da rainha Diana, reis do Reino de Florence. Apesar de não ser a sucessora do trono, a princesa não desistirá até que o reino seja seu. Seu irmão, Ezeque, o verdadeiro s...
