Capítulo 20

219 50 16
                                        

MARATONA parte 2.

*Beethoven na foto acima

Ao descer da carroagem eu, Mathew e o rei nos sentamos nas poltronas posicionadas em cima do palanque, todo o povo de Gálio comemora a nossa chegada, me fazendo sorrir encantada. O rei se levanta, pega o microfone e começa a falar, dando início a primeira parte do festival.

-Boa noite povo de Gálio!
O rei diz e todos gritam.

-Esta noite damos início a comemoração dos mil anos de vendas de trigo! E para essa nossa enorme comemoração, convidamos para participar conosco, a querida Princesa Liana Heleonora de Florence!
Neste instante eu me levanto e aceno para todos, que batem palma e celebram, o rei me passa o microfone, para que eu fale algumas palavras.

-Boa noite povo de Gálio. Quero agradecer a oportunidade de participar deste maravilhoso festival, e também dizer que Gálio é um reino muito importante e especial para Florence. Viva ao festival!

Todos gritam "VIVA" e batem palmas. Eu passo o microfone para o rei e volto a me sentar ao lado de Mathew, que me olha sorrindo, me deixando um pouco sem graça.

O rei faz um longo discurso sobre os anos de venda de trigo, sobre a importância dele na economia do reino e agradece ao povo pela colaboração no festival. Confesso que foi um pouco entediante, mas eu sorri a todo momento e tentei prestar atenção em cada palavra.

Depois de todo o discurso nós voltamos para o palácio e deixamos o povo comemorar a sua maneira. Ao chegar no palácio a janta já nos esperava, servida na mesa, fazendo minha barriga roncar.

-Esta com fome Lia?
Mathew me pergunta, provavelmente percebendo que eu encarava a mesa.

-Só um pouco.
Eu digo meio tímida.

Nos sentamos na mesa e começamos a comer, óbvio que muitos pães fora servidos. Provei vários, e posso dizer que está muito bom.

-Você está deslumbrante princesa. Todos amaram sua presença.

O rei diz e eu agradeço.

-Bom, já está na minha hora, podem ficar na mesa, eu é quem irei sair.

O rei se despede de nós e sai, percebo que ele mal tocou no seu prato, o que é estranho.

-Não se incomode Lia, os festivais o lembram muito de minha mãe, então ele prefere ficar sozinho.
Mathew diz.

-Eu sinto muito Mathew. Nem imagino como deve ser perder a mãe com apenas onze anos.

-É.
Sua única palavra me faz refletir que apesar de meus pais serem um pouco distantes eu ainda os tenho, e isso é muito bom.

-Me desculpe, eu não queira te entristecer.
Falo me desculpando.

-Não estou triste princesa.-Ele me olha e sorri- Vossa alteza quer dar uma volta pelo jardim antes de ir para o quarto?
Ele pergunta, tentando mudar de assunto, eu acho.

-Claro, quero sim.
Dou um último gole no meu suco e vou junto a ele para o jardim. Como todos sabem, eu amo jardins.

Ele se aproxima de mim e estende o braço, eu resisto um pouco, mas acabo passando meu braço no seu e vamos juntos caminhando até o jardim. Quando a porta do salão principal para o jardim se abriu meus olhos brilharam.
O jardim, bem menor que o de casa, é muito mais iluminado, com vários caminhos de pedras e várias arvorezinhas espalhadas. O muro não é amarelo claro como o de meu palácio, mas sim um tom acinzentado. Nem percebo quando um cãozinho (bem grande e peludo) se aproxima de nós. Eu dou um passo para trás, tirando meu braço de Mathew.

-Você tem medo de cães?
Mathew diz abaixado acariciando o cãozinho.

-Mais ou menos.
Eu digo dando uma risadinha de nervoso.

-Não precisa ter medo, esse aqui é o Beethoven, filho da Marsha, a cachorra da minha mãe.
Ele diz o acariciando.

-Não foi a Marsha que avisou a todos que o quarto da sua mãe estava pegando fogo?
Digo me lembrando que foi essa a cachorra que salvou muitos do palácio.

-Foi ela mesmo. Ela estava com a minha mãe quando o incêndio começou, o vestido de minha mãe  havia ficado preso no piano, Marsha correu e chamou atenção dos guardas que foram e salvaram minha mãe. Três dias depois o Beethoven nasceu. Pode ficar tranquila, ele não morde nem mosquito.

Com muito receio e com a mão tremendo fui acariciar o cão. Ele pareceu não se importar comigo ali.

-Ele é um doce.
Disse perdendo um pouco do meu medo.

-Ele é, mas não sei o que esse garotinho faz aqui fora a esta hora, tanto Marsha quanto os outros cães já estão no canil para passar a noite.

-Então quer dizer que você é fujão?
Eu pergunto para ele mesmo sabendo que ele não irá responder, mas ele me olha, com uma carinha de arteiro.

-Você quer ir comigo guardar ele?
Mathew pergunta.

-La onde os outros estão?

-Exatamente.
Ele responde.

Eu faço que sim com a cabeça e vamos andando até o canil, quando Mathew entra todos eles fazem festa. Ele então me mostra onde Marsha está, eu faço um carinho de leve nela e saio. Com tantos cães ali e ainda sinto um medinho.

Quando saímos do canil voltamos para dentro do palácio, Mathew me acompanha até meu quarto e ali nos despedimos.

-Obrigada pelo dia incrível.
Eu digo sorrindo.

-Não a por que agradecer Lia. Tenha uma boa noite, até amanhã.

-Até.

Ele dá um sorriso e quando já está saindo, por algum motivo que eu desconheço, eu o puxo pelo braço e dou um beijo em sua bochecha.
Ele me olha sorrindo e diz um "boa noite" em meu ouvido. Eu me viro e entro no quarto, totalmente fora de órbita.

"O Trono e a Espada"Onde histórias criam vida. Descubra agora