Vinte e Sete

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Noah

"Eu não tive coragem de fazer por mim, então eu faço por você."

— Quanto eu devo pagar por isso?

Manuseio o pequeno cartão de memória nas minhas mãos enquanto fito os olhos de uma garota alta na minha frente. Ela deve ter uns 1,80 de altura e bastante ódio no coração para fazer o que está fazendo.

— O pagamento é fazer com que seu plano funcione. Se conseguir ferrar aquela vadia demoníaca, eu ficaria mais que grata.

Seu discurso de ódio só reforça a minha ideia de que as duas tiveram um passado bastante conturbado.

— Isso me cheira à vingança.

— E não é disso que se trata? Vingança e ódio. — Ela ri, mas eu não vejo nenhum traço de humor nos seus lábios. — O preço a se pagar não me atormenta, eu só quero ferrar com a vida dela assim como ela fez com a minha.

— Eu também.

Ficamos por um breve minuto de silêncio apenas nos encarando. Havia compreensão ali. Um sabia o que o outro estava passando, e até mesmo se solidarizava com a situação. Caroline sofreu tanto quanto eu sofro. Hoje ela já não é mais a mesma, mas também não carrega nenhum traço do seu passado sombrio com Lia. Exceto o ódio. Uma raiva vermelha, crua e crescente.

— Eu não te conheço, Noah, mas acredito que seja um cara de bom coração. — Ela levanta a mão e eu cubro sua palma com a minha, selando nosso contrato do modo mais antigo e respeitoso: com um aperto de mãos.

— Obrigado.

Saí daquele beco escuro com um peso à menos nos ombros. Eu podia sentir o ar entrar mais forte no meu pulmão e não saberia distinguir se é a ansiedade ou o alívio de estar cada vez mais perto do que eu tanto queria: me ver livre de Lia. Para sempre, se possível.

Eu e Mason traçamos uma base do que era ou não necessário para me tirar das ameaças da ruiva, e uma delas era Caroline McGregor. A negra alta e intimidadora já fora melhor amiga de Lia e tinha a última informação que eu precisava.

A semana toda girou em torno de ajudar Liv. E era por ela que eu saí determinado a juntar qualquer prova que incriminasse Lia.

Pode parecer muita coisa, mas minha motivação é muito grande para me fazer desistir por conta do primeiro obstáculo que aparecer. Eu não culpo os covardes que recuam dois ou três passos quando a situação começa a complicar, eu só não sou um deles.

Meu telefone vibra no bolso da calça e eu atendo assim que vejo o número de Mason no identificador de chamadas.

Tudo certo? — Ele pergunta, apreensivamente baixo, e eu logo percebo as vozes femininas ao fundo. — Eu estou com as garotas.

— Ela me deu o vídeo e as fotos. Ainda preciso conferir, mas julgando pelo ódio que eu vi nela, é tudo verdadeiro.

Imagina então transar com ela e mandá-la embora às cinco da manhã. — Ele ri alto, mas logo reclama de dor. — Desculpa, Corie! Eu não quis dizer isso! Mas foi antes de você, meu bebê. — Eu sorrio enquanto ouço a briga dos dois. — Não faz assim comigo, vida... — Sua voz vai ficando mais distante, como se ele estivesse se afastando do telefone.

Mason tinha um sério problema com relacionamentos no passado. Ele morava com a mãe, que trabalhava a noite toda e voltava para casa às seis da manhã. Por isso, cinco horas em ponto havia uma garota sonolenta na calçada do seu prédio.

Noah? — Uma voz doce atravessou o celular e meus lábios automaticamente se ergueram em um sorriso bobo.

— Oi, pequena.

Desastre Sensual (REPOSTANDO)Onde histórias criam vida. Descubra agora