Olivia
"Se você não se amar, quem vai? Quem vai querer alguém que foi rejeitado por si próprio?"
Acordei muito cedo, mas não ousei mexer um músculo quando lembrei quem estava na minha casa. Noah James.
Joguei as pernas para fora da cama e me sentei. Permaneci de olhos fechados até meu corpo se acostumar com a ideia de estar acordado. Ainda tonta de sono, atravessei o cômodo esbarrando em, pelo menos, três móveis diferentes.
Eu me sentia como um zumbi. Essa era a consequência de passar a noite inteira acordada.
Não havia ninguém no banheiro, nem na cozinha. Na sala, o edredom estava perfeitamente dobrado sobre o sofá. Definitivamente, ele tinha saído.
E, mais definitivamente ainda, eu não sabia o que pensar ou sentir. Não era como uma grande desilusão amorosa, mas também não era como se eu não me importasse. Acho que foi até melhor assim, sem despedidas ou um café.
Que seja.
Resolvi que um banho quente e um café bem doce eram o que eu precisava naquele momento. Mas nem a água morna relaxando meu corpo ou a cafeína me dando energia para pensar afastaram aquele assunto tão impertinente da minha cabeça.
Voltei para o quarto e tentei não encarar a cama enquanto vestia uma roupa. Estava óbvio, bem na minha cara, que eu esperava que ontem tivesse acontecido alguma coisa. Mas não aconteceu, e eu precisava parar de remoer o sexo que nunca ia rolar.
Só que eu revivi aquele beijo a cada minuto desde que aconteceu. No parque e na calçada do prédio. Eu podia ser iludida, sim, mas ninguém podia me culpar.
Eu queria saber onde está a garota que eu fui dois dias atrás. Que simplesmente não se importava com Noah James ou com o que ele pensava. A vida dela era mais simples.
Me apoiei no criado mudo para vestir o sapato e vi um papel amassado embaixo do meu celular. Um bilhete, escrito no verso de um comprovante de pagamento, em letras pequenas e cursivas.
"Precisei sair, não quis te acordar.
Adorei o nosso encontro, e obrigado por tudo.
NOAH."
Amassei o bilhete e joguei dentro da gaveta. Era isso, um obrigado, sem um até mais. Melhor assim. Que seja.
No caminho para a cozinha, encontrei Corie sentada no sofá assistindo alguma coisa na Tv.
— Onde esteve? — Perguntei.
— Bom dia para você também, bela adormecida. — Vendo que eu só responderia com um sorriso, ela continuou. — Dormi na casa da minha mãe depois do jantar. Aquele que você furou feio.
— Eu precisei ajudar o meu pai, já disse.
— Tudo bem. Mamãe não ficou com raiva. Mas vem cá, você não deveria estar na casa do seu pai? Ajudando ele e tudo mais...
Eu e Corie tínhamos uma regra importante sobre segredos. Contamos tudo uma para a outra, sem ocultar nada. Era importante para nossa amizade, visto que ambas tinham sérios problemas com confiança.
— É que eu voltei cedo. Era pouca coisa. — Dei de ombros ao me aproximar.
Tentei não parecer muito nervosa. Amigos são perigosos por saberem muito de você, e não era preciso tanta perspicácia para notar minhas mentiras.
— Hm — estreitou o olhar na minha direção e se levantou. — Deve ter sido bem rápido lá.
— É. Foi. Por que?
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Desastre Sensual (REPOSTANDO)
Romance‼️CAPÍTULOS TODOS OS DIAS‼️ Os maiores desastres são sempre os mais bonitos, não é o que dizem? Para Olivia Hampton, o desastre tem nome, um sorriso devastador e, misteriosamente, parece gostar muito dela. A estudante de psicologia não consegue acre...
