Capitulo 1

941 18 8
                                        

Música: Snow Patrol - Chasing Cars


"-Querido diário.


Estou neste momento a voar , parece estranho o que acabei de dizer , mas sim , estou neste momento dentro de um avião ,a caminhar para um lugar que desconheço . Olho pela janela e vejo terra , nunca fui amiga de alturas e de estar numa maquina a que qualquer momento pode cair, deixa-me louca .

Poderia dizer que deixei a minha vida para trás mas realmente não é o que se sucede , nunca criei relação em nenhum lugar em que vivi , nunca tive uma melhor amiga a qual pudesse contar os meus medos ou segredos. Nunca tive um namorado, nunca consegui criar uma vida , sempre vivi dependente das decisões do meu pai. A sua vida conta mais que a felicidade dos outros . Será que ele vai realmente encontrar o lugar que irá ficar ou continuará à procura da felicidade pelo mundo? Onde ele me irá levar desta vez ?"


-Estás aqui Clary? -Perguntou o meu pai que se encontrava no banco da frente , olhando para mim tentado tão entusiasticamente descobrir o que eu estava a escrever.


-Claro .. -Respondi , mas na verdade o meu corpo podia estar ali , mas a minha cabeça estava noutro lugar.


-Tu vais gostar filha. Só faço isto para o teu bem, sabes que te amo muito.


-Claro que vou .. dizes sempre o mesmo .. -murmurei , olhando novamente pela janela pude ver ainda que havia terra onde nos encontrávamos .


-Disseste alguma coisa Clary ? - Perguntou , olhando-me com os olhos semi-serrados.


-Não .. - Falei soltando um pequeno suspiro.


Olhei em volta , havia pessoas a dormir , outras pela cara delas estavam enjoadas , outras a ler ou a escrever , fazendo o tempo passar , ouvi mermurios vindos do fundo do corredor , olhei e estavam as camareiras a falar , pouco me importei e realmente não se ouvia nada . Olhei de novo para a janela , parecia uma iternidade estar ali , naquele cubiculo com um homem ao meu lado a resonar , por favor tirem-me deste tédio. Olhei para baixo e reparei que a terra tinha desaparecido , só havia mar , pelo pelos era o que parecia.


-Grrrr , que tédio . Tirem-me daqui . -Resolvi levantar-me , precisava de ir à casa de banho.


Quando caminhava vi um rapaz que me olhava a sorrir , é não sou de modos e mando-lhe um ar de demónio , cara de zombi até tive pena dele. Aproximei-me e senti uma mão no meu braço.


-Olha lá oh palhaço , larga o meu braço . -Reclamei.


-Não grites , vais assustar os outros passageiros.


-Se não me agarrasses dessa maneira , não precisava de gritar , aliás nem te conheço.


-Pois claro , mas podiamos ficar-mos a conhecermo-nos . -Falou o rapaz com um sorriso estranho , só conhecia aquele sorriso quando o Carl estava a ver filmes pôrno .


-Não obrigada , agora solta-me! - Ordenei.


-Posso ir contigo ? -Falou.


-Caralho queres que eu chame as camareiras , olha que eu não tenho medo de berrar diante esta gente toda. -Reclamei , fazendo o gajo largar-me o braço.


-Tá bom , só te ia ajudar a perder o teu medo , cheiras a virgem. - Falou , gozando comigo.

Não fui de modos e dei-lhe uma chapada na cara , saindo dali a correr até à casa de banho.


Sentei-me no chão , senti a minha cara molhada , o que se passa comigo ? Eu não sou assim , mas aquele parvalhão estava a pedi-las , tenho que me defender , tenho que ser mulher para enfrentar a vida , não me posso rebaixar , não desta maneira . Ouvi alguém a bater à porta , era uma camareira a avisar o íamos pousar , levantei-me do chão e sacudi as minhas lagrimas , mantive a postura e sai porta fora. Fui até ao meu lugar , meu pai olhava para mim , cheio de animo , parecia uma criança que acabara de receber um brinquedo, olhei pela janela e parecia tudo tão escuro , nublado e a chover , talvez era de noite . Quando o avião parou, sai dali a correr , acabei por avistar Carl , corri até ele , abraçando-o


-Então Marian , é preciso isso tudo ? Estivemos juntos ainda ontem.- Riu


-Tive saudades e alem disso andava um lunatico lá dentro . -Falei.


-Lunatico ? Ouve algum problema ? -Perguntou Cal preocupado.


-Nao , é uma maneira de falar. -Respondi.


-Então filha , com o teu pai , nem um abraço obrigado . Bem , Cal já fizeste o que eu te pedi ? -Falou o meu pai indo buscar as malas.


-Sim , está tudo resolvido . -Respondeu , olhando para mim de relance.


O homem que me tinha assediado tinha desaparecido do radar , sentia um alivio . Na parte da chegada percebi onde tinha aterrado 'welcome to England' , a cidade dos mortos vivos como eu lhe chamava , cidade dos vampiros e dos lobisomens , de tantos lugares lindos calhou Inglaterra ? É castigo só pode , até há coisas giras para se ver , mas de resto é sempre tudo tão sombrio , frio .


-Pai , diz-me , porque é que não escolheste Miami ou Nova Yorque ? Porque este lugar ? Há praias ? Este lugar é tão creepy. -Resmunguei.


-Ainda bem que gostas amor , amanhã vamos falar com o teu professor para teres aulas em casa.


-O quê ? Não posso ter uma vida normal ? -Falei .


-Não fales assim para mim , eu é que mando , fazes o que eu quero , quando tiveres idade de escolheres ai eu vou pensar.


-Quando eu tiver idade vais trancar-me numa torre .


-Provavelmente. -Riu Carl.


-Não tem piada Carl. -Papagareou o meu pai com cara de poucos amigos.

Passados algum tempo já farta de estar enclausurada dentro do carro Carl afirma que finalmente tínhamos chegado a casa.


Return (Português)Dove le storie prendono vita. Scoprilo ora