Decisões a se tomar

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A.

Após Callie sair da sala ficamos eu e Carina nos encarando. Resolvi ir tomar um banho antes de fazer algo para comer. A mesma me seguiu em silêncio. Tomei um banho rápido e quando retornei ao quarto ela estava parada de pernas cruzadas.

- Arizona, que droga você tem na cabeça?

- Como assim?

- Pense a felicidade que fiquei quando recebi uma ligação de minha amiga dizendo que viu você mais bêbada do que nunca na festa dançando com sua 'amiga' na frente de nossos colegas que vão passar a comentar o quão chifruda eu sou. – A mesma fez questão de adicionar o sinal se aspas com as mãos para falar a palavra amiga. -

- Oi? Você ta maluca? Primeiro, eu vou a festa que eu quiser? Sua amiga não tem mais o que fazer? Me vigiar? Sério?

- Acontece que ela calhou de cruzar com sua amiga no banheiro Arizona. Você me disse que ela é heterossexual. Bom ela não se mostrou muito heterossexual noite passada no banheiro com Erica. – Engoli em seco ao ouvir o que Carina me disse. Senti meu sangue ferver só de imaginar a cena. Obviamente Callie não comentou sobre esse pequeno detalhe. Talvez o problema dela fosse comigo. – Arizona? – Despertei de meus pensamentos. Não acredito que Callie me escondia esse fato de si mesma. Senti uma raiva tremenda. Eu queria gritar com ela e perguntar o que tinha de errado comigo que ela me rejeitou a anos atrás e ficou com Erica Hahn? Me deu nojo. Embrulhou-me o estômago. E eu não estragaria meu relacionamento defendendo alguém que nem se importava em ser sincera comigo. – Me desculpe querida...quis levar Callie para conhecer nossos amigos. Não se preocupe. Somos apenas amigas. Nada aconteceu entre nós. – Aproximei de minha noiva e a beijei. Não tinha dito a Callie sobre isso. Por um lado porque eu queria vê-la para saber o que meu sentimentos diriam. Se eu devia lutar por ela. E foi o que eu quis ontem. Parece injusto com Carina. Afinal eu tinha me comprometido a ela, mas quando Callie aceitou meu convite me vi naquela mesma situação de sete anos atrás. Após o nosso acontecimento. E Callie quebrando meu coração em mil pedaços mudando completamente os planos que eu tinha para nós. Depois desse dia meu relacionamento com Carina evoluiu muito. E acredite eu gostava dela, mas sempre que se tratava de Calliope eu ficava maluca. E foi o que aconteceu na semana anterior quando a convidei para conhecer minha vida em Boston. Tudo ia bem. Até eu vê-la descer a escada rolante. Meu coração errou os batimentos. Pensei que podia ser um ataque cardíaco, mas não, era apenas Calliope. Apenas ela me fazia agir da maneira impulsiva que agi ontem. E claro que Carina estava chateada. Ela não ficou feliz quando disse que Callie viria. Ela no fundo sabia. Sete anos atrás bem no inicio de nossa relação. Ela viu como retornei mudada da California, e que isso tinha algo a ver com Callie. Foi nesse momento que me engajei mais em nosso relacionamento. Tentei compensar a escrota que eu tinha sido em ir para a cama com outra mulher. E é claro que nada mudaria o que eu tinha feito, mas me ajudou a dormir a noite por esses sete anos. E agora eu estava noiva de Carina. E mais uma vez me pegando nessa ridícula situação onde na minha cabeça eu pensava em jogar tudo o que eu construi por esses anos e apenas pegar Calliope e fazê-la minha de novo, mas isso foi ontem. Hoje eu vi o quão errada estava de sequer considerar essa loucura. Porque eu faria tal coisa com a mulher que me fez feliz por esses sete anos? Que pelo menos teve coragem de assumir os sentimentos por mim. Quanto a Callie que apesar de ser a pessoa que eu mais amei nessa vida. A primeira da minha vida. E tudo o que tenho com ela de histórico é nossa amizade. Não poderia trocar o certo pelo duvidoso. E então decidido isso eu teria de contar a ela que eu estava noiva. Ela ficaria feliz por mim certo? Ela ficaria. Ela é a minha melhor amiga afinal. Fiz panquecas e o café foi mais agradável que quando chegamos. Carina baixou a guarda. Eu estava mais carinhosa com ela. E isso a fez ficar feliz, pois ela pensava que não teria coragem de fazer tal coisa na frente de Callie. Ela dizia que eu colocava Callie num pedestal e que ninguém poderia sequer citar ela que eu já me agitava. Isso acabaria hoje de uma vez por todas eu a tiraria da cabeça. Carina e Callie conversavam como velhas amigas. Claro que Callie a trataria bem. Não é do feitio dela destratar alguém. E Carina era uma pessoa fácil de se gostar. –

- Calliope...esqueci de lhe contar a grande novidade com toda a agitação de ontem. – Callie que bebia café parou o que fazia para prestar atenção em mim. Ela parecia tensa. Eu chamava ela de Calliope quando era algo sério. Seus olhos nunca deixaram os meus. – Carina e eu estamos noivas! – Carina acariciou minhas costas. Vi uma Callie decepcionada. O que ela esperava afinal? Que eu corresse para seus braços? Ela me rejeitou. Ela tomou a decisão dela sete anos atras. E eu tomei a minha. Hoje. Eu dei a ela uma chance mentalmente. E ela falhou não mencionando sua reunião particular com Erica na festa. Ela finalmente sorriu. Podia ver o esforço que ela fazia. Ela forçava o sorriso e parecia extremamente desconfortável. Carina fechou a cara me olhando. Silêncio na gigante sala. – Quero que seja minha madrinha! O que acha? – O sorriso forçado da morena de desfez. Como se seu rosto desabasse. Carina sorriu dessa vez. Eu conhecia esse sorriso. Ela enchia o peito. Como se dissesse perdeu otária. Era isso o que esse sorriso dizia. O pedestal em que eu colocava Callie desabava sobre sua cabeça. Eu podia ver de longe sua luta interna para dizer algo. – Callie?

- Desculpe...eu só...fiquei meio chocada. Quem diria! Alguém fisgou Arizona Robbins! – A mesma sorriu novamente, mas eu podia ver seu olhar magoado. Só eu e ela sabíamos disso. Carina não percebeu ela não conhece a Callie como eu conheço. – Meus parabéns! E claro que serei sua madrinha! Estarei lá muito orgulhosa dessa sua nova conquista! – Eu sei que estaria. Meus olhos diziam. Se tem uma coisa que Callie nunca foi era uma péssima amiga. Ela sempre cumpriu esse papel com honra. Mesmo em situações como essas. Onde ela com certeza em sua mente dizia o quanto ela não aprovava nada disso. Eu sei disso porque ela me olhava dessa forma quando a apresentei para Eliza Minnick alguns anos atrás. Não havia cristo que fizessem as duas se gostarem. E ainda por cima nos afastou ainda mais. Mas desta vez eu sabia que ela não diria nada como da outra. Callie engoliria seja lá o que estivesse pensando. Porque ela queria me ver feliz. Eu deveria me sentir feliz, mas tudo o que eu sentia era duvida. Eu espero que esteja tomando a decisão certa.

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