Divirtam-se!
O céu era de um azul brilhante, o sol quente na terra. Ainda assim não conseguia derrotar o calor do fogo queimando atrás de Louis, destruindo o navio em que ele era prisioneiro apenas minutos atrás. O fogo estralava, o ar cheirava a fumaça e um pouco de carne queimada, sobrepondo o cheiro salgado do oceano.
Os pulsos de Louis doíam, amarrados juntos com uma corda grossa às suas costas. Os joelhos pulsavam de dor contra o chão duro de madeira do navio. Ele era um entre muitos outros prisioneiros sendo trazidos do navio em chamas e alinhados em uma longa fila. Eles estavam cercados pela tripulação que os havia capturado.
No rosto dos piratas, expressões similares: frieza e apatia, julgando os prisioneiros como se fossem inferiores. Um homem, muito obviamente o capitão, passava de prisioneiro a prisioneiro, fazendo as mesmas perguntas, dando a eles destinos diferentes dependendo das respostas que recebia. Entre Louis e o capitão havia apenas dois homens.
— Nome? — o capitão perguntou, a voz baixa e ríspida. Havia desinteresse em seu tom, como se ele já tivesse feito aquilo vezes demais. Louis suspeitou que sim.
— D-David Monroe, s-senhor — respondeu o rapaz com a voz trêmula. Soou jovem, assustado. Louis soube no instante em que a resposta gaguejada foi despejada, que o rapaz iria morrer. Ele chamou o capitão de senhor. Dizer senhor era como um insulto para capitães piratas, pois era assim que marinheiros eram chamados. E piratas não toleravam ser comparados a marinheiros. Não toleravam ser comparados ao inimigo.
— Algum talento, David Monroe? — o capitão perguntou, um quê de deboche quando pronunciou o nome do rapaz.
— E-eu posso c-cozinha, senhor.
— Cozinhar? E quem te ensinou a cozinhar, David? — mais deboche. Louis sentia a humilhação de onde estava, o corpo cada vez mais tenso.
— Minha m-mãe, senhor — David respondeu.
— Me conte, sua mãe está morta?
— Não, senhor? — o rapaz questionou, confuso para onde a conversa estava indo.
Louis fechou os olhos, preparando a si mesmo para o que estava por vir.
— Isso é muito ruim — o capitão disse. — Se ela estivesse morta, talvez você seria capaz de dar a ela um olá por mim.
No segundo seguinte o som de um tiro, então o baque do corpo inerte contra o deck de madeira. Louis se encolheu mais contra si mesmo.
Foi difícil aceitar de que apenas minutos atrás ele estava amarrado ao porão de outro navio, escutando o som do mar, de homens trabalhando e de seu raptor dando ordens, de rum balançando nos barris. Ele esteve lá por dois dias inteiros antes de ouvir o som de gritos de guerra, o som de espadas batendo em espadas e pistolas disparando rapidamente.
Ele tinha dividido o confinamento com outro prisioneiro chamado Niall, um cara irlandês com cabelos loiros sujos e uma estranha atitude otimista, considerando a situação.
Depois de vários minutos do que parecia ser uma disputa sangrenta, Louis e Niall foram duramente empurrados para fora do porão por homens diferentes, homens que Louis não reconhecia. A primeira coisa que ele viu quando alcançou o deck foi cadáveres e mais sangue do que jamais tinha visto em sua vida. Ele foi levado para o outro navio, que pertencia aos atacantes, e lá eles haviam sido forçados a se ajoelhar e esperar pelo julgamento do capitão. A primeira coisa que Louis notou foi que ele obviamente era muito impiedoso em suas decisões. Ele evidentemente não tinha medo de fazer seu trabalho sujo também.
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A sea without water, a compass without direction
Fanfiction"Me conte, Louis," Capitão Styles disse, inclinando-se um pouco. "Você acha que eu sou um idiota?" "Eu- o quê?" Louis perguntou, surpreso pela pergunta abrupta. Ele estava esperando por algo diferente, algo do tipo como ele aprendeu música, ou como...
