Capítulo 6 - Sentimentos

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Notas:

Terminologia importante:

Timoneiro: a pessoa que direciona o navio ou o barco.


...

O som do tiro ressoou pelo mar quieto, um eco quase indetectável o seguiu. A pistola fumaçou ao que a bala se plantou no peito de Lazare, bem onde seu coração estava. O olhar do homem lentamente se encheu de horror puro, seus olhos deixando os de Louis e virando para o buraco em seu peito que estava gradualmente sendo circulado com sangue. Então seus olhos se tornaram petrificados e seu corpo caiu para o lado, acertando o deck com um baque surdo.

Foi o som do corpo sem vida de Lazare batendo no chão que trouxe Louis de volta de seu transe. No momento em que ele percebeu o que tinha feito, a mão segurando a pistola começou a tremer pesadamente, seu peito pesado ao que ele deu um passo abalado para trás. Harry deve ter percebido, porque colocou uma mão na lombar de Louis para estabilizá-lo e pegou a pistola. Seus olhos se encontraram, os de Harry preocupados e os de Louis arregalados. Sua boca estava repentinamente seca, seu estômago afundando e seu coração batendo forte.

— Era hora — um dos homens disse de repente. Isso fez com que Louis virasse sua cabeça para ele, quebrando seu olhar com o de Harry. — Nunca gostei dele. Nunca conseguia se controlar.

Alguns outros homens murmuraram em concordância. Pareceu que Harry não estava muito preocupado em fazer algum memorial para Lazare quando ele guardou a pistola de volta no coldre e deu um passo para frente.

— Vamos fazer disso uma lição para qualquer um de vocês que está pensando em quebrar qualquer uma das regras — ele disse, sua voz estranhamente alta sobre o oceano. — Louis é parte da tripulação, vocês gostando disso ou não. Tratem ele como tal. Aqueles que não o fizerem, bem, eles sabem o que vai acontecer a eles. — Harry olhou de relance para o corpo de Lazare, que agora estava começando a sangrar no deck. — Se livrem dele. Não quero vê-lo nem um segundo a mais.

Isso fez a tripulação começar a se mover de novo. A maioria voltou para a sua estação, o resto começou a limpar o corpo e o sangue de Lazare. Louis não se moveu e apenas podia encarar o homem morto. O homem que ele tinha matado. Ele tinha matado alguém, simples assim, tirando a vida de um homem mesmo que não fosse sua para decidir. Ele era um assassino.

Harry virou, dando alguns passos para frente para que ele estivesse parado na frente de Louis.

— Louis — ele disse gentilmente. Quando Louis não reagiu, Harry colocou a mão na bochecha dele, quem agora saiu do estado de transe, os olhos encontrando os de Harry. Havia preocupação neles, uma quantia estranha para Louis, porque ele simplesmente nunca tinha visto aquela emoção em particular no capitão antes.

— Você está bem? — ele sussurrou, realmente sussurrou, e Louis apenas não sabia. Ele não sabia se estava bem.

— Eu— Eu... — Louis gaguejou, e Harry entendeu.

O capitão segurou a mão de Louis e gentilmente começou a puxá-lo de volta para a cabine. Louis o seguiu, se sentindo com algo que se assemelhava a uma máquina sem vida. Ele se sentia tão... vazio. Ele havia acabado de atirar em um homem a sangue frio, havia levantado a pistola e puxado o gatilho sem pensar duas vezes. Havia gostado de assistir o pânico tomar conta de Lazare.

Louis não sentia simpatia pelo homem, nem um pouco, mas ele era filho de alguém. Talvez um irmão, um pai. Ele tinha uma mãe que nunca iria ver o filho de novo. E Louis era a causa disso. Ele não sentia por Lazare, ele sentia pela família do homem, mesmo que ele não tivesse certeza se ele tinha uma ou não. Isso fez seu peito se sentir constrito, fazendo difícil o ato de respirar, e ele sentiu como se ele estivesse prestes a vomitar.

A sea without water, a compass without directionOnde histórias criam vida. Descubra agora