Capítulo 9

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– Colega de quarto? O quê? – O maior perguntou olhando ao redor tentando entender o que estava acontecendo.

– Você está no hospital Harry. O que aconteceu capitão? – Louis perguntou virando-se de lado até onde a dor lhe permitia.

– Hospital? – O maior questionou confuso e sentindo sua cabeça latejar e só então verificando o soro que estava ligado à sua veia.

– Você é sonso ou se faz? – O menor questionou perdendo a paciência.

– Nossa acabou a relação. – Harry falou tentando desviar o foco do outro para que não perguntasse o motivo que o levou àquela cama.

             O mais velho levou a mão ao peito dando um soco de leve e abriu a boca em falsa surpresa.

– Espera Harry, nós tínhamos uma relação? – Louis brincou com a cara do outro erguendo a cabeça com a mão para olhar para Harry mesmo que o movimento lhe causasse dor.

– Por que não conversa com os outros igual conversa comigo? – O mais novo perguntou lembrando que os médicos disseram que o outro paciente raramente abria a boca.

           O de olhos azuis desfez aquela posição ficando novamente de barriga para cima, ele cruzou os dedos sobre ela e pareceu pensar um pouco antes de dar uma resposta definitiva.

– Não sei, eu gostei de você. Posso confiar em você, não é Harry? – O Tomlinson perguntou virando a cabeça em direção ao outro que parecia copiar sua posse.

– Em mim você até pode confiar, mas digamos que tenho problemas de confiança, então eu posso confiar em você Louis? – Questionou em oposição.

– Bem, eu não falo com ninguém mesmo. Aliás o Coronel Payne falou que assim que puder ele volta. – Louis recordou e deu o recado.

– Ah sim, o Liam. – Harry comentou batendo a mão em sua testa.

          Agora o mais velho não o deixaria em paz, aquela situação apenas comprovava tudo que lhe foi dito. Depois disso não haveria nenhuma chance de retornar à corporação nem via recurso, era o seu fim.

– Vocês se pegam? – Louis perguntou aleatoriamente tirando o outro de seus devaneios.

           Harry o olhou franzindo o cenho, que raios de pergunta era aquela?

– O quê? De onde tirou isso? – Indagou horrorizado.

         Ele conseguia ouvir os ossos do seu irmão estralando no túmulo caso isso acontecesse.

– Ele falou que era uma pessoa muito próxima a você, achei que fosse pelas patentes, contudo até agora nenhum colega militar veio te ver. Presumi que a relação entre vocês fosse de outro tipo. Diga-me ele é bom? Grande? Assim ou maior? – O mais velho questionou movendo as mãos e deixando um espaço entre elas.

         Harry tossiu engasgado com o ar e começou a rir de nervoso.

– Louis, pelos deuses! Não temos nada do tipo e quem disse que sou gay e passivo?

– Um gay reconhece o outro Harry, ao menos quando o gaydar funciona e o meu estoura perto de você. – Louis disse sorrindo por ter conseguido tirar a cara de bunda do outro. – Quanto a ser passivo ou não foi suposição, apesar que você tem cara de passivo.

– Eu sou ativo tá. – Provocou o cacheado.

– Duvido. Ativo? Ativo o cu e saio dando. Brincadeira, eu não importo com isso, o bom da vida é ser flex. – O de olhos azuis respondeu rindo das suas próprias piadas.

           Infelizmente para quem estava com as costelas feridas rir não é uma opção muito favorável.

– Haha. Liam é meu cunhado. – Harry contou brincando com seus polegares.

– Ai meu Deus, você transa com seu cunhado? O que seu irmão pensa sobre Isso? – Louis brincou com o maior para descontrair.

– Eu não tenho nada além de amor fraternal pelo Liam, meu irmão ele... Ele...– Harry começou a falar, contudo as imagens começaram a vir a sua cabeça e logo seus olhos estavam lacrimejando.

        Louis percebeu que tinha tocado na ferida de Harry e logo se levantou ignorando sua dor, pegou seu suporte de soro e andou até a cama do outro. Sentou-se e enxugou as lágrimas do cacheado que trouxe a cabeça para o colo do menor recebendo um cafuné do de olhos azuis.

– Desculpa capitão, não queria te deixar triste. – Pediu sinceras desculpas após entender que não estava tudo bem.

– Eu não sou mais capitão Louis, aqui está somente Harry, só eu. – Contou sentindo-se um zero a esquerda.

– Já é mais que suficiente Styles. Mais que suficiente.

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           Louis apertava o botão para chamar a enfermeira desesperadamente.

– Harry!!!

             Logo alguns enfermeiros entraram no quarto dos dois e Louis foi para sua cama, colocou as mãos nos ouvidos e começou a chorar baixinho.

         Uma enfermeira retirou o travesseiro de Harry e logo seu corpo foi virado de lado já que ele vomitava.

– Convulsão. – Um deles disse começando a retirar os itens da cama para realizar o atendimento.

– 15 mg de Diazepan. – A enfermeira principal pediu vendo uma terceira preparar a solução e entregá-la. 

– Positivo.

              Algum tempo depois a convulsão foi controlada e o local foi limpo, Harry dormiu sob efeito do remédio enquanto Louis assistia com o coração na mão agitando, tanto que foi necessário também acalmá-lo já que sua pressão e batimentos estavam muito altos. Algumas horas mais tarde quando o médico estava fazendo a ronda geral, seguiu até os pacientes sendo que Louis ainda parecia dormir tranquilamente.

– Como você se sente? Qual seu nome? – Um médico perguntou averiguando os reflexos do paciente mais novo.

– Harry Edward Styles. Estou horrivelmente horrível. – Respondeu desanimado.

– Em que ano estamos? 

– 2019.

– Ótimo. Conseguimos te estabilizar e tivemos também que dar um calmante para o Louis, Harry você precisa voltar para o psicólogo. Dessa vez você se safou de um suicídio, mas e da próxima? Pense nisso. – O médico pontuou preocupado com a situação do jovem enquanto anotava algo em sua prancheta.

– Por que tiveram que dar um calmante para o Louis? – O Styles indagou olhando para o outro lado onde Louis repousava sereno.

– Ele estava desesperado com sua situação. Ele estava em pânico, vou te dizer uma coisa Senhor Styles, Louis confia em você como não confia em ninguém. Eu sei que quer ajudá-lo, mas para isso você precisa estar bem consigo mesmo. Chega de usar máscaras Harry e assuma que não está bem. Não há nada de errado em assumir que está quebrado, difícil é se manter firme quando está sozinho, mas você não está.

– Ok.

– Preciso ir. Qualquer coisa é só chamar algum enfermeiro, não esqueça do que eu te falei.

            O médico saiu e deixou Harry com seus pensamentos.

– Harry. – Louis chamou sem sequer abrir os olhos.

– Oi Louis. – O Styles respondeu esperando ver aqueles belos olhos azuis.

            Contudo o dono deles não os revelou, ainda sem mover nada além dos lábios declarou:

– Se você se matar, eu te ressuscito e te mato depois, imbecil!

Dogs & Cops (Larry)Onde histórias criam vida. Descubra agora