Noah, jovem, bonito,arquiteto, bem sucedido e com a vida do jeito que havia planejado, tem seus planos alterados drasticamente ao ser diagnosticado tardiamente com uma doença autoimune e degenerativa. Acostumado a ter o controle de tudo e de todos e...
À partir do momento em que tive alta e vim para casa, meu pesadelo começou. Minha mãe voltou a me tratar como um garotinho de cinco anos e o fato de estar dependente, não ajudava em nada minha situação. Sugeri que contratessemos um cuidador, mas foi o mesmo que declarar a terceira guerra mundial e meu pai precisou de muito tato e persuasão para acalma- la. Sendo assim, eu esperava Noah para me ajudar no banho e o restante do tempo, aceitava a ajuda dela, mas me sentia sufocado. Quanto à Eliane, minha mãe passou a trata- lá friamente, como se a culpa do acidente fosse dela. Eu percebia seus olhares hostis e isso me magoava. Para piorar as coisas, minha recuperação não se deu no tempo esperado, precisei trocar de gesso e ficar mais duas semanas sem colocar o pé no chão. A única coisa que estava caminhando bem, desculpe o trocadilho pobre, era a procura pelo apartamento. Noah havia encontrado uma cobertura em um prédio no Alto do Ipiranga, com um preço acessível e eu tinha feito uma oferta. O bairro era ideal para mim e principalmente, para Eli que irá ficar à dez minutos de seu trabalho e, também muito próxima de Vivian Que aliás, agora é minha cunhada e o mais novo xodó da minha mãe. Nunca vi Noah tão feliz !!! Ainda bem, porque assim minha mãe se concentra na felicidade dele e me esquece um pouco. Por falar nisso, hoje vou ver o apartamento. Eli vai trazer uma cadeira de rodas que alugou e vou poder ter mais independência. Inclusive, já combinamos que vou contar sobre os nossos planos hoje aos meus pais e que vou passar o final de semana lá, assim me refugio da fúria de dona Lilian. Do contrário, é bem capaz de ela quebrar minha outra perna, do jeito que anda estressada. Age como se o mundo estivesse contra ela. E se falo qualquer coisa em discordância, logo dá um jeito de acusar Eliane de estar tentando me colocar contra ela. Que estou sendo ingrato, um filho desnaturado e por aí vai. Imaginem ficar com alguém o tempo todo tentando fazer com que comam e tentando colocar vocês, contra quem amam ? Desgastante. Porque fora a dor constante que eu estava sentindo, também me sentia exausto mentalmente com o bombardeio que ela fazia.
Porém, tentava relevar ao máximo e nem mesmo com Noah comentava as situações desgastantes do dia a dia. Também andava preocupado com a mudança e com a convivência que eu e Eli, viríamos a ter. Afinal, somos muito diferentes.
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Eli também não vinha facilitando em nada com relação ao comportamento da minha mãe. Parecia ter aceitado a declaração de guerra. Era um toma lá, dá cá. E eu ficava no meio, tentando não ser atingido por nenhum estilhaço e principalmente, apaziguar os ânimos. Entretanto, devo confessar que não tenho sido bem sucedido.
No final da tarde, me troquei com dificuldade, o fato de ficar a maior parte do tempo deitado por conta das costelas fraturadas e também do meu pé, me fazia sofrer com tonturas constantes, além da dor. Aguardei por Noah e Eli, sentado na poltrona, respirando profundamente numa tentativa para que o mal-estar passasse. - Colin ? Filho ? - minha mãe entrou indo direto em direção à cama. - Oi, mamãe. - respondi calmamente - Estou aqui na saleta. - O que você está fazendo aí ?! - questionou surpresa. - Estou aguardando o Noah e a Eliane, nós vamos sair. - disse tentando manter a calma. - Sair ?! Você enlouqueceu ?! - Sua irritação era palpável - Não vai mesmo !!! Você precisa de repouso absoluto ou quer ficar mais tempo imobilizado ?! Seu irmão e essa moça, perderam o juízo ?! - Mãe !!! Por favor!!! Eu não quero discutir. - Não há o que discutir, Colin !!! É muito simples, você não vai a lugar algum. - disse autoritária - Vem, vou te ajudar a se trocar e voltar para cama. Fiquei olhando para ela, perplexo com o o modo como me tratava, ignorando completamente minha vontade. - Mãe, eu já disse que vou sair. Tenho um compromisso ... - Que compromisso ?! Se há um mês você não sai de casa ?!- me interrompeu abruptamente - Vai aonde ?! O que há de tão especial, para você colocar sua recuperação em risco, Colin ?! - me bombardeou exaltada. Nesse instante, Noah e Eli entraram e percebendo o clima de enfrentamento em que estávamos, ficaram tensos também. - Oi mãe, tudo bem? - Noah a abraçou, vindo me cumprimentar em seguida. - Lilian, como vai ? - Eli disse em seguida mas mantendo distância, não mais como antes com troca de beijos e abraços. Essa distância entre elas me incomoda muito. - Na verdade, não !!! Seu irmão disse que vai sair, mas não sei como e nem para onde. - respondeu ignorando Eliane - Está colocando a saúde em risco por um capricho ... - Lilian, eu aluguei uma cadeira de rodas, ele não vai fazer nenhum esforço desnecessário. Não se preocupe. - Eli disse e minha a fuzilou com o olhar. - Ah, claro. Eu deveria imaginar de quem foi a idéia.- rebateu sarcástica - Mas ele precisa de outros cuidados ... - Mãe, eu não me tornei nenhum inválido, pelo amor de Deus !!! Noah observava em silêncio o embate e era visível a impaciência em seu semblante. - E como você vai descer essa escadaria ? Pulando ? Para trincar as costelas de novo ? - Noah vai me ajudar. - Por que você precisar sair ?! O que há de tão importante, para fazer que não pode esperar por sua recuperação ?! - a curiosidade estava a consumindo. -Algo muito especial e que vai mudar nossas vidas. Mas quero falar sobre isso com calma. - ela estava enfurecida.- Agora precisamos ir. - E você Noah, concorda com essa loucura do seu irmão ?! - Apoio integralmente. - respondeu sucintamente.- E em breve serei eu. - Bem, vamos ? - Eli se encaminhou para a porta deixando uma dona Lilian em choque, enquanto Noah me pegava no colo.
- Volta a malhar, hein bolota !!! - ele brincou e eu ri. - Você que é um fracote !!! - Vocês dois vamos parar de brincadeira e prestar atenção nessa escada !!! - Eli disse preocupada carregando minha pequena mala - Porque serão duas querendo me matar, se acontecer alguma coisa !!! Rimos descontraídos e logo ele me acomodou na cadeira. - Tudo bem ? - ela perguntou atenta a minha reação. - Tudo. Só estou cansado, parece que corri uma maratona. - sorri. - É por ficar muito tempo deitado. - Sim. Mas logo ficarei bem. - Bom, vamos embora antes que a dona Lilian, resolva tentar nos impedir. - Eli falou com ironia. - Vamos, estou ansioso para ver nossa casa, meu amor.
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O apartamento era lindo, estava recém reformado, dispensando qualquer retoque, era só mudar. Móveis planejados na maioria dos ambientes, só exigiriam a compra de um bom sofá, mesa e cama. E sendo na cobertura temos nossa própria área de lazer, com piscina e churrasqueira. Perfeita !!! - E então minha morena o que você acha ?! - É lindo, meu amor !!! - O brilho de entusiasmo no olhar dela era contagiante - Noah, você tem um gosto espetacular !!! - Concordo !!! - nos surpreendemos com a voz de Vivian que acabara de entrar. Ela o beijou e em seguida me cumprimentou, por fim fazendo o mesmo com Eli. - Cunhado prepare - se porque aqui vai ser o point de fim de semana. - disse sorridente. - Se você cozinhar, fechou !!! Porque sabemos que sua amiga e cozinha, combinam tanto como água e óleo. - respondi rindo, fazendo todos tirem também. - Ah, é engraçadinho ?! Então esse será um longo final de semana, para o senhor !!! - minha morena falou tentando ficar séria. - Colin, nada que um Ifood não resolva.- Vivi a provocou. - Vivian pensei que você fosse minha amiga ... - E eu sou !!! Mas não posso deixar meu cunhado passar fome durante o final de semana inteiro. Você não tem coração ?! - Nossa o amor te pegou de jeito, hein !!! - Eli retrucou olhando direto para Noah - Não sei o que você fez, Noah, mas transformou minha amiga nesse poço de doçura. Parabéns !!! - Quer parar com isso, Eli !!!- Vivi retrucou envergonhada, enquanto Noah a abraçava com o maior o sorriso do mundo - Eu estou do mesmo jeito de sempre, tá !!! - Que pena !!! Pensei que minha presença na sua vida, tivesse alterado tudo, como você mudou totalmente a minha. - Noah disse fazendo manha. - Amor, você entendeu o que eu quis dizer. - Bom pombinhos, deixem a D.R para depois, agora preciso que me deem suas opiniões sobre o apartamento. - interrompi bem humorado. - Eu não preciso nem dizer que acho perfeito para vocês dois, em todos os aspectos.- Noah falou sério. - E eu endosso a opinião dele, principalmente, porque vou ter minha amiga há apenas dez minutos de mim.- as duas se abraçaram felizes. - E você amor ? Se vê morando aqui ? - Com certeza !!! E nos vejo muito felizes, meu amor !!! Fiquei em silêncio, admirando minha morena por um instante, vendo seu entusiasmo e como isso a deixava mais bonita. - Ótimo !!! Então, temos uma casa nova dona Eliane !!! Agora precisamos decorar e nos mudarmos.- falei contente. - Amor !!! Estou tão feliz !!! - falou sentando no meu colo - Quanto a decoração, temos um arquiteto na família amor. Rimos satisfeitos. Enquanto Noah bagunçava meu cabelo me parabenizando pela ótima aquisição e Vivian apertava meus ombros, contente. Depois das felicitações, Noah a voz da razão, trouxe à luz o problema que eu teria que enfrentar : - Agora só falta colocar os nossos pais a par desse passo que você deu, Colin. - O papai, não será problema. Dará graças aos céus.- a lei preocupado - Porém, a mamãe, essa vai dar trabalho... - Trabalho ?! Se já estamos enfrentando uma guerra fria, aí será declarada e com direito a todas as armas. - Mas ela vai ter que aceitar.- respondi a ele, enquanto as meninas só observavam - É tenho certeza, que não vai demorar muito. A mamãe não é irracional, não é ? Ninguém ousou responder. Depois disso saímos para jantar e comemorar. Eu estava dando o primeiro passo na longa caminhada do amadurecimento.
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