Noah, jovem, bonito,arquiteto, bem sucedido e com a vida do jeito que havia planejado, tem seus planos alterados drasticamente ao ser diagnosticado tardiamente com uma doença autoimune e degenerativa. Acostumado a ter o controle de tudo e de todos e...
Eu não estava preparada para vê- lo!!! O amor ainda pulsa forte dentro de mim e meu primeiro impulso, foi de me jogar nos braços dele. E acabar de uma vez por todas, com essa dor que me consome. Porém a frieza no olhar dele, mostrou que eu já tinha sido esquecida.
Também, o que eu poderia desejar ? Que ele tivesse sentido minha falta, a cada segundo, como eu senti a dele ? É óbvio que isso não aconteceu. O tratamento gélido, que ele estava me dispensando, só corrobora a minha certeza de que ele, já me superou. Sem saber bem como agir ou que dizer, fiquei olhando para ele, como se pudesse gravar a imagem dele em minha retina. - Noah ... - o nome dele soava como música aos meus ouvidos. - Vivian ... Entretanto, ouvir meu nome sendo pronunciado por ele, mesmo que com indiferença como agora, ainda é a melhor coisa do mundo. O silêncio que nos envolveu, era tão intenso, mais forte do que milhares de palavras sendo ditas ao mesmo tempo.
- Você está bem ? - resolvi romper o silêncio sufocante - Colin ? Seus pais, como vão ?
Meu Deus me ajude !!! Eu só queria dizer, eu te amo. Ele permaneceu em silêncio e pensei que não fosse responder, até que disse secamente: - Estamos todos bem, obrigado. - me olhou da cabeça aos pés com certo desprezo achei - E você, como tem passado ?
Como tenho passado ?! Sofrendo como um desgraçada por você !!! - Muito bem, também !!! - sorri sentindo um amargor na boca - Cheguei há um mês de viagem e estou colocando a vida de volta nos trilhos. - Entendo. Novamente o silêncio sufocante se fez presente. - Bem, eu preciso ir ... mande lembranças à todos. Assentiu ainda em silêncio. Definitivamente, ele me despreza. - Então ... é isso. - falei sentindo o choro se avolumar no peito - Foi bom te ver ... Ele nem mesmo se levantou para falar comigo. Permaneceu sentado, como se eu fosse uma estranha pedindo informação. Não !!! Talvez com uma estranha, ele fosse mais simpático e até se levantasse para indicar a direção que ela deveria seguir. - Até um dia. - respondeu sério.
Uau !!! Ele tinha me dispensado mesmo. Certo. Fiz um leve meneio de cabeça e voltei a caminhar. Porém, nem três passos dados me voltei e falamos em uníssono: - Vivian, espere ... - Noah, escute ... Ficamos nos olhando e só então eu percebi as muletas ao lado dele. Ele as pegou e levantou do banco baixo, com certa dificuldade. Me aproximei instintivamente, com a intenção de ajudá - lo, mas ele recusou com um gesto. - As damas primeiro, por favor. - Eu ... hum ... - fiquei sem saber o que dizer, em meio à tudo o que eu queria falar. - Tem certeza que tinha algo para me falar ? - questionou irônico. - Tenho. Mas pode falar primeiro ... Eu estava bem perto dele à essa altura, não sei como, mas se estendesse a mão poderia toca - lo. Ele deu um passo a frente e me encarou. Me perdi naquele mar, que um dia acreditei ter sido meu. Senti a respiração dele, quente e baixei o olhar para os lábios rosados entreabertos.
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