Drama II

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Noah

Uma cacofonia de sons invade minha mente, dor junto com a lembrança do que tinha ocorrido no meu último momento consciente.
Preciso ir atrás dela.
- Vivian ... - consigo murmurar apesar da secura na garganta e da sensação que minha língua pesa uma tonelada.

- Graças a Deus, ele acordou !!!-  depois de um breve silêncio, reconheço a voz chorosa da minha mãe.
- Vou chamar o médico !!!- diz meu pai eufórico.
- Ah, irmão !!! Graças a Deus !!! Que susto ... - Colin tentando disfarçar a emoção.

Reconheci a todos, sem nem mesmo abrir os olhos, minhas pálpebras também pareciam pesar toneladas.
Eu tinha ciência de que estava em um hospital, mas há quanto tempo ?!
Preciso ir atrás dela e ...
Tento mexer meus pés e a dor  que vem em retribuição, me diz que há algo muito errado comigo. Afinal, as medicações se não acabam com as dores em definitivo, ao menos as suavizam.
Em um novo esforço, mexo os dedos e além da dor, os sinto limitados, como se estivessem imobilizados.
Assustado, me forço a abrir os olhos e a luz branca intensa me faz piscar repetidas vezes.
- Meu bebê !!! Graças a Deus, você acordou !!! - minha mãe se atira em cima de mim em prantos.
- Lilian, cuidado com as costas dele !!! - ouvi a repreensão do meu pai que se aproximou e passou a mão pelo meu rosto e segurou minha mão por fim. - Fiho que bom te ter de volta.
Sinto que a reprimenda de meu pai à minha mãe é válida, quando uma dor aguda se espalha pela parte inferior da minha coluna.
Essa dor é nova ... Mas não tenho tempo de me concentrar nela.
Colin, assim como Eli, também me cumprimentam, porém silenciosamente e visivelmente emocionados.

Minha esperança caiu por terra, quando vi que eles eram os últimos.
- O que aconteceu ? - questionei perdido no tempo, sentindo a dor aumentando, assim como o medo.
Meu pai respirou fundo e começou a falar:
- Você teve um surto no escritório, precisou passar por uma cirurgia ...
- Cirurgia ?! - interrompi assustado.
- Sim. E foi colocado em coma induzido para que seu corpo pudesse se refazer do trauma. - passou as mãos pelos cabelos em um gesto característico de nervosismo- Contudo, após a suspensão da medicação, você demorou mais do que o esperado para acordar ...
- Há quanto tempo estou dormindo ?! - perguntei aflito.
- Há uma semana exatamente, filho.- minha mãe disse.
- Já se passaram sete dias ... - sussurro sentindo o pânico me dominar.
- Na verdade, você está no hospital há nove dias.- Colin respondeu desta vez.
- Eu preciso ir para casa !!! - minha agitação fez os monitores começarem a apitar descontrolados - Eu tenho que ...
- Você tem que se acalmar !!!- meu pai disse firmemente.- Seu médico está saindo de uma cirurgia e já vem conversar com você. Por favor, Noah !!!
- Por que a Vivian não está aqui ?!

Percebi a troca de olhares, as expressões sérias, porém, antes que alguém dissesse algo, Dr. Fanelli entrou sorridente:
- Oi, Noah!!! Você nos pregou um susto dos grandes !!! - seu olhar me avaliava - Nunca um paciente meu demorou tanto a voltar de um coma induzido.
- Há sempre uma primeira vez, para tudo. - respondi irritado com seu bom humor.
- Isso é verdade. - deixou de me encarar como um espécime raro e passou a me examinar, assumindo uma postura profissional. -  Deve ter percebido que seus pés e pernas estão imobilizados, por conta do surto. Além disso, você passou por uma cirurgia nas duas últimas vértebras da coluna, nós injetamos uma espécie de colágeno artificial entre elas, para tentar evitar o enrijecimento das mesmas.
- Cirurgia na coluna ? - repeti como um idiota.
Eu não estava conseguindo entender a razão desse procedimento, não conseguia lidar com a dor cada vez mais intensa e muito menos com a ausência de Vivian.
Só queria sair dali e ir atrás dela desesperadamente.

- Noah!!! Você está me ouvindo ? - Dr. Fanelli me olhava intensamente.
- Desculpe ... Eu estou com muita dor ...
- Foi justamente isso que acabei de lhe perguntar. Numa escala de zero a dez, como a classififica ?
Pensei por um instante, antes de responder. Se fosse honesto e dissesse dez, provavelmente, ele demoraria a me dar alta.
- Cinco.
- Sério ?! Cinco, depois de passar por uma intervenção cirúrgica na coluna ?! - sisudo me encarou - Noah, ficar com dor, não vai fazer com que tenha alta rapidamente. Você só será liberado, quando estiver apto e bem para isso.
Nesse momento, o odiei com todas as minhas forças. Mas ele tinha razão.
Eu estava sendo inconsequente.
- Está certo, Dr. Fanelli. - admiti com a voz embargada -     Dez.
- Muito bem. Eu vou fazer novas prescrições e solicitar novos exames de imagem. Por enquanto, descanse.- fez uma breve pausa olhando discretamente ao redor - Fico muito satisfeito que tenha voltado ao nosso convívio.
- Obrigado.
Observei sua saída silenciosamente, agradecendo aos céus por ter um profissional tão eficiente e dedicado, cuidando de mim.

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