Surpresas II

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                    Noah

Vivian tinha me dito que ia ao médico para verficar a razão de estar passando constantemente mal.
Finalmente, a teimosa tinha cedido aos meus apelos.

Também depois de ter passado extremamente mal e quase ter botado os bofes para fora, decidiu ser racional.
Obviamente, estava contrariada, mas quando percebeu meu nível de estresse e preocupação, admitiu que a situação estava preocupante.

Contudo, até agora não me ligou ou deu sinal de vida. E confesso que estou prestes a ir atrás dela.
Para uma consulta de rotina, essa demora é angustiante.
E de angústia, já acabei com a minha cota.

A situação de Colin e Eli, está exaurindo a todos nós.
Sei que meu irmão está no limite de suas forças, por ver a esposa debilitada, sem poder fazer nada para aliviar seu sofrimento.
É fato que se fosse possível, ele trocaria de lugar com ela sem pestanejar.

Para ajudar a conversa com Cíntia, foi um verdadeiro fracasso. E ele agora se martiriza não só pelo filho perdido, mas também pela condição dela.

Temo que ele não aguente tanta pressão. Apesar de todo o apoio, que estamos dando à eles, não consigo mensurar a barra pela qual estão passando.
Viver sobre a iminente ameaça de perder um filho, para mim é um sofrimento inenarrável !!!
E no caso de Colin, se isso acontecer, será o segundo.
Pesado.

No dia em que pudemos conversar mais à vontade, percebi o quão tenso e angustiado ele está.
Tentei conforta- lo, mas sei que nada será o suficiente para aliviar seu sofrimento.
Por um instante, me imaginei na situação dele ... E cheguei a conclusão, de que não saberia o que fazer !!!

Se bem que eu e Vivian, estamos longe de vivenciar uma gravidez.
Ela nem cogita a possibilidade de morarmos juntos. E olha que já dei a entender ...
Quando tentei tocar no assunto, ela se esquivou e para disfarçar minha decepção, fingi estar brincando.
Algo me diz, bem no fundo, que ela não quer se prender a mim por conta das minhas limitações.
E ter um filho comigo, deve ser uma ideia aterrorizante para ela. Provavelmente, pensa que terá que cuidar de duas pessoas.

Mas não a culpo.
Realmente não tenho tido progressos em meu tratamento, por isso tenho evitado, de ficar na casa dela quando estou me sentindo mal.
Procuro justificar dizendo que ela precisa ter seus momentos de privacidade, para não enjoar de mim. E também alego, que minha mãe está me perturbando.
O que ultimamente, não tem acontecido.

Contudo, não quero que ela me veja fragilizado. Infelizmente, as palavras daquele maldito doutorzinho, me afetaram.
E por mais que eu tente lutar contra a sensação de inferioridade e insegurança que me assola, muitas vezes, sou vencido pela mesma.

Balanço a cabeça com ímpeto e passo as mãos pelos cabelos, para afastar esses pensamentos sombrios.
Consulto as horas mais uma vez e, decido ir atrás dela. Tento mais uma vez o celular, mas cai direto na caixa postal.

No caminho, tentarei novamente. Mas preciso saber o que está acontecendo.
Essa inquietação no meu peito, me diz que há algo ocorrendo.

Desço do carro em frente ao hospital, com o celular em punho. Mais uma ligação que foi direto para a caixa de recados.
Como vou fazer para encontrá-la nesse hospital imenso ?!
Procuro nas mensagens que trocamos, o nome da médica. E de posse dessa informação, me dirijo à recepção.
Depois de muita insistência, charme e uma pequena mentira jogados, consegui confirmar que ela passou em atendimento, mas que foi embora há algum tempo.
Agradeci a recepcionista, que mesmo achando que sou casado, não se furtou a me  dar o telefone em um cartão do hospital.

Uma nova chance para amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora