Noah
Eu esperava encontrar qualquer pessoa, mas jamais aquela deusa de ébano. E principalmente, descobrir que ela era amiga da minha cunhada.
Mais uma vez, me vi sem palavras diante dela, como um moleque bobo. E a meu favor, ela também pareceu bem atônita ao me ver.
E se é possível, alguém ficar mais bonito, ela conseguiu nesses dias.
Meus Deus !!!
Toda as minhas resoluções de curtir a vida, ficar sozinho, foram por terra ao vê - la.
E um desejo de te - la em meus braços, me dominou instantaneamente.
Eu procurei afastar esse pensamento da mente, parecia muita loucura esse desejo que me invadiu dessa maneira.
Eu não tinha nem mesmo conversado com ela e, tinha a certeza de que a mesma deveria ser minha.
Não conseguia evitar de olha - la, mas procurava evitar fazer isso ostensivamente.
Também não estava conseguindo me entender, sou sempre tão expansivo, mas hoje uma timidez surreal está me paralisando e não consigo romper o silêncio que reina na mesa.
- Então, Noah como estão os projetos de acessibilidade para as escolas ? - Eliane perguntou - Vocês apresentaram a proposta a semana passada, não é ?
Que alívio, um assunto prazeroso e seguro.
- Ah, sim. Apresentamos para três escolas na zona leste, reformar toda a estrutura. Incluindo a colocação de elevadores.
- Vivi, o Noah é arquiteto e trabalha na empresa de engenharia e construção do pai.- Eli explicou à ela que bebia seu vinho .
- Interessante. - respondeu monossilábica, parecendo nada interessada, na verdade.
Ela me olhou firmemente e molhando os lábios, questionou:
- Mas você tem projetos só seus ? Em pequena escala? - e nessas perguntas havia real interesse. - Porque tudo que envolve governo e licitações, me levam a um descrédito imediato.
- A empresa do meu pai é idônea !!! - rebati prontamente - Trabalhamos corretamente e estamos no mercado há anos, temos credibilidade, uma reputação a zelar.
- Então vocês são a exceção, que confirmam a regra. Porque quando vejo os contratos que venceram as licitações, para efetuar as reformas na minha escola e como as realizam, sei que a idoneidade passou longe.
- Então realmente, somos a exceção. - afirmei a encarando- Sei como esse meio é corrupto, mas nós nos mantemos longe disso. E quanto a sua outra pergunta, sim, eu tenho outros trabalhos que desenvolvo como freelance.
- Entendendo. - ela pegou minha mão por cima da mesa e um choque percorreu meu corpo da cabeça aos pés - Desculpe se soei grosseira, mas é que quando se trata de alguns assuntos, sou muito veemente.
- Está tudo bem. - sorri aproveitando o toque dela - Bom saber que você tem opiniões fortes e as defende com unhas e dentes. Também sou assim e compartilho da sua opinião nesses caso.
Ela sorriu e meu coração disparou. Olhei para nossas mãos, o contraste lindo que formavam, mas ela imediatamente retirou a mão de cima da minha envergonhada.
- Bem, e você o que faz exatamente, dona Vivian ? - perguntei a encarando.
- Eu sou diretora de uma escola de ensino fundamental I e II, estou aguardando para assumir meu cargo de supervisora de ensino.
- E há quanto tempo você e a Eli se conhecem?
- Há uns dez anos ... - sorriu nostálgica - nos conhecemos dando aula, quando trabalhávamos no estado ainda, meninas de tudo.
- Hum, ontem então !!!
Ela riu, antes de responder :
- Quem dera !!! Fiz vinte oito anos, já. - seu ar de seriedade era cômico.
- Uau !!! Praticamente, uma matusalém.
Ela riu com o meu comentário e fiquei encantado com o som contagiante.
- Você é mais velho ou mais novo ?- me perguntou me analisando detalhadamente.
- O que você acha ? - devolvi com outra pergunta.
- Mais velho. - respondeu na lata.
- Por que ?
- Seu jeito sério, todo responsável.
- Mas eu sou mais novo dois anos, faço aniversário em novembro. Tenho vinte e sete.
Percebi um certo ar de alívio na expressão dela e me contive para não rir.
- E você quando fez aniversário ? - eu queria confirmar se a nossa diferença de idade era de meses ou de um ano.
- Fiz em junho agora.
- Hum, poucos meses nós separam. - sorri com a confirmação rápida dela.
Depois disso a conversa fluiu fácil.
Descobri que ela adorava comer bem, ler, música e dançar. Odiava exercícios físicos e acordar cedo.
Contei à ela sobre minhas paixões : trabalho, esportes, Kal.
Mostrei até mesmo uma foto dele no celular e, ela ficou encantada, o comparando a um urso.
Rimos e esquecemos de que Colin e Eli estavam nos acompanhando, presos em uma bolha de felicidade.
Porém, em determinado momento, tivemos que voltar ao convívio com os demais. Estava na hora de irmos para o teatro, assistir o famoso musical O Fantasma da Ópera.
Infelizmente, estávamos em quatro carros, tínhamos vindo do trabalho e fomos separados.
Contudo, ao chegar ao teatro Eli e Vivian, sorriam como se tivessem aprontado alguma coisa.
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Uma nova chance para amar
RomanceNoah, jovem, bonito,arquiteto, bem sucedido e com a vida do jeito que havia planejado, tem seus planos alterados drasticamente ao ser diagnosticado tardiamente com uma doença autoimune e degenerativa. Acostumado a ter o controle de tudo e de todos e...
