Noah, jovem, bonito,arquiteto, bem sucedido e com a vida do jeito que havia planejado, tem seus planos alterados drasticamente ao ser diagnosticado tardiamente com uma doença autoimune e degenerativa. Acostumado a ter o controle de tudo e de todos e...
Depois do último encontro com minha preta, apesar de sua resistência, percebi que ainda mexo com ela de alguma forma. A reação exacerbada, não nega que ainda existem sentimentos. Notei o quão abalada ficou, ao saber das sequelas que o namoradinho pode apresentar em breve. Aliás, mais breve do que ela pensa.
Sei que jurei preservar vidas e o faço com todo empenho. Mas no caso de Noah, só estou ajudando a natureza seguir seu curso. Com a ajuda de Lia, que trabalha com Amanda, tenho acompanhado a evolução do caso dele. Em troca de um pouco de atenção e alguns mimos, Lia me mantém informado de cada medida adotada por Amanda. E eu como quem não quer nada, sugeri à jovem doutora em uma conversa durante um simpósio, uma linha de tratamento intensivo e agressivo para minimizar os efeitos da síndrome. Seria perfeito para o paciente, se o caso dele não fosse raro e cheio de peculiaridades.
Contudo, não contava com a surpreendente recuperação dele. Filho da puta sortudo !!! Porém, essa sorte vai acabar, afinal o tratamento que está fazendo, tem acelerado a progressão da doença. E pelo que eu soube, Vivian não gosta de Amanda, porque a mesma está interessada no namoradinho aleijado. O que em breve, vai fazer com que ele acabe por procurar outro médico, provavelmente, não tão capacitado quanto Amanda e, colocará sua saúde em risco. Minha preta sempre foi ciumenta. Pena que está desperdiçando energia com esse idiota !!!
Impaciente, com o período de bonança que atingiu a vida deles, estou decidido a usar outra tática. Apelar para o coração mole de Vivian. Ela é extremamente solidária, amorosa e não nega ajuda a quem quer que seja.
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Sendo assim, vou dar uma cartada arriscada.
Preta ... me ajude ... Socorro ... - Léo o que aconteceu ?! - assustada me interrogou - Onde você está ?! - Eu ... bati o carro ... me ajude ... Está doendo muito ... O desespero na voz dela, me animou e confirmou que estou no caminho certo. - Leonardo !!! Me diz onde você está, pelo amor de Deus ?! Deixei que o silêncio encerrasse a ligação. Obviamente, estou confiando no que conheço da personalidade dela.
Agora era só esperar que ela viesse ao meu encontro, para colocar o restante do plano em prática. Sei que parece loucura, mas amo essa mulher e tenho que te- la de volta para mim, para ama- lá como merece.
Como previ, lá está ela, vindo aflita em minha direção. - Léo ... o que aconteceu ? - sua voz estava repleta de angústia. Permaneci de olhos fechados, esperando o momento certo, para agir. - Meu Deus !!! Por favor, fale comigo ... Ela passou as mãos pelo meu rosto, cabelo e notei o quão geladas as mesmas estavam. - Preta ... você veio ... - murmurei, abrindo os olhos devagar. Por um instante, me senti mal por faze-la passar por isso, mas era para um bem maior. - Léo !!! Graças a Deus !!! - disse aliviada - O que aconteceu ?! - Eu não quero viver sem você ... - Espera aí ... o que você fez ?! Voltei a fechar os olhos, desfalecendo o corpo. - Ai meu Deus ...
Por fim, ela agiu como o esperado. Chamou uma ambulância e me acompanhou durante o resgate. Fui levado para o Albert Einstein, como solicitado no meu cartão de emergência e logo fui atendido. Obviamente, só tinha escoriações leves, mas como combinei previamente com o meu colega que me prestou atendimento, ele irá passar outro prognóstico à ela. Terei que ser um ótimo ator.
Já acomodado em um quarto, fazendo uso de oxigênio para alívio e cercado de aparelhos, a vi entrar receosa. - Léo ... - disse suavemente, aproximando -se da cama - como está se sentindo ? Demorei para responder, observando atentamente cada centímetro daquele rosto lindo e tão amado. - Vivo... infelizmente. - disse por fim com a expressão mais desolada que consegui. - Por Deus, não fale assim !!! - me repreendeu exaltada - O acidente foi grave, seu carro deu perda total !!! Você poderia ter morrido !!! - Mas não morri !!! Nem para isso, presto ... - Leonardo !!! - Eu não quero viver sem você ao meu lado !!! A vida não faz sentido ... - Não diga isso !!! Você é jovem e tem toda a vida pela frente ... - Vida que não tem valor, sem você. - insisti, tentando arrancar o sensor que media minha freqüência cardíaca, fazendo o alarme disparar. A enfermeira responsável por mim, entrou rapidamente e agiu com extrema destreza, colocando o sensor no lugar. - Dr. Leonardo, se o senhor não colaborar, precisarei seda-lo !!! O Dr. Carlos está vindo conversar com o senhor, por favor, não piore sua situação. Vivian olhava para ela apavorada e eu muito satisfeito, com seu desempenho. Ela saiu e encarei Vivian, taciturno. - Por favor, vá embora ... - Não vou sair daqui de jeito nenhum !!! - respondeu enfática - Seus pais estão a caminho, estavam na praia, mas consegui localiza-los. Não vou te deixar sozinho. Minha preta linda !!! O plano está dando certo.
- Não quero que ... - Leonardo !!! Cara que susto, nos deu !!! Carlos entrou no quarto com o tablet em mãos, aparentando apreensão. - Helena me disse que está dando trabalho.- disse sério, referindo- se a enfermeira. Olhou atentamente para Vivian, o que me irritou profundamente e, se apresentou : - Bom dia, sou o dr. Carlos Alberto e sou o médico responsável pelo Dr. Leonardo. - Vivian ... sou uma amiga da família. - respondeu hesitante. - Bem, vou coloca- lo a par do seu prognóstico, Leonardo.- disse por fim, olhando para mim, que assenti em silêncio.- Apesar da grave pancada que seu corpo sofreu, você só apresenta contusões e leves escoriações. Nas ressonâncias, não encontramos nenhuma fratura, hemorragia interna ou lesão mais grave. - Certo. E quando terei alta ?- questionei me preparando para o golpe final. - Ficará em observação só por precaução, por mais um dia. Caso não apresente nenhuma intercorrência, te darei alta amanhã. - Nem pensar !!! Não vou ficar, nem mais um minuto nesse hospital !!! - falei arrancando os sensores, cânula do respirador e acessos. Tentei levantar e seguindo o plano, assim que apoiei meus pés no chão, caí como um saco de batatas. - Carlos !!! Minhas pernas !!! Não sinto minhas pernas !!!- imprimi o máximo de desespero que pude a minha voz. - Ai meu Deus do céu !!! - ela disse nitidamente em pânico.
Cartas lançadas, jogada feita. Agora no aguardo, do movimento do outro jogador.
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