O que está acontecendo ?!

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Noah

Cada momento com ela, está sendo único.
É como se tivesse, reencontrado meu lugar, minha pessoa. Ela me entendeu de imediato em relação à casa, meu modo de pensar, colocando em palavras os meus sentimentos.
Mesmo quando me senti desconfortável, com sua reação ao fato de ainda morar com meus pais, conseguimos nos compreender. Entendi sua reação, pertinente, visto o que vivencia no seu dia a dia.
As conversas fluem entre nós com desenvoltura, os silêncios  são calmos, não há constrangimento e nem a necessidade de preenche - Los  desesperadamente.
Me sinto à vontade com ela.
E tudo estava indo muito bem. Acreditei que também o desejo era recíproco, contudo, de repente, ela me afastou.
Alegando não poder continuar.
Porém, sua boca dizia uma coisa e seus olhos, assim como seu corpo diziam outra, completamente diferente.
- Vivian, me diz se fiz algo que te aborreceu, magoou ?! - insisti preocupado, enquanto ela arrumava o vestido com mãos trêmulas.
Tentei ajuda -la, mas ela repeliu meu toque e a angústia que havia em seu olhar me feriu.
- Eu só quero ajudar ... - falei me afastando magoado.
- Não precisa. - disse fria - Podemos voltar para casa ?
- Claro. - peguei minha camiseta caída na areia e joguei sobre o ombro. Segui o olhar dela, que parecia me devorar.
Mas que merda está acontecendo?!
Está mais do que óbvio, que ela me deseja, tanto quanto eu à ela. Então, qual a razão dessa reação ?!
Caminhamos rapidamente de volta para casa e dessa vez, o silêncio foi tenso, pesado.
Na varanda, segurei sua mão e vi que tremia.
- Vivian, não farei nada que você não queira. - acariciei levemente sua mão - Antes de qualquer coisa, quero que sejamos amigos. E te ver assim, está me chateando.
- Me desculpe, Noah. - respondeu com a voz trêmula também- Eu não devia ter vindo... só... eu ... - a angústia claramente lhe roubava as palavras.
- De forma alguma, diga isso !!! - interrompi veemente - Ainda bem que veio !!! Entendi que ultrapassei os limites e que interpretei errado os sinais. Prometo que não irei mais pertuba - la. Me desculpe.
- Não é isso ...
- Mas como minha amiga, quero que aproveite o domingo. Temos o dia todo amanhã e também prometi cozinhar para você, certo ? Então, vamos curtir o nosso dia amanhã, como se esse incidente não tivesse ocorrido.
Disparei a falar, para disfarçar meu constrangimento.
- Eu sinto muito ... - disse rouca sem me encarar.
- Está tudo bem. - falei rapidamente- Só não estamos na mesma página do livro. Amigos ?
Ela me fitou, com um brilho intrigante no olhar e assentiu em silêncio.
- Excelente. - falei como se por dentro não estivesse me sentindo frustrado, decepcionado. - Vou dormir, porque amanhã quero dar uma corrida logo cedo. Você precisa de mais alguma coisa ?
- Não, obrigada. - murmurou - Vou subir com você. Estou cansada.
- Ok. Mas se precisar de algo, não hesite em me chamar.
Subimos como dois robôs a escada, tensos.
Paramos na porta do quarto dela e seu olhar, era de alguém que estava travando uma batalha dolorosa interiormente.
- Boa noite.- falei com um nó na garganta. - Descanse.
- Boa noite...
Senti seu olhar me acompanhando e minha vontade foi de voltar e abraça - lá. Entretanto, eu não sabia o que estava acontecendo, apenas que não estava havendo reciprocidade de sentimentos.
Ao menos, não no mesmo nível.

Depois de um sono agitado, acordei com uma dor estranha no pé esquerdo. Como se tivesse torcido o tornozelo, o que me impossibilitou de correr e me trouxe uma irritação profunda.
Que droga estava acontecendo com meu corpo ?! Cada vez, aparece um novo ponto de dor.
Me perguntei, analisando o inchaço visível e sem explicação.
Que ótimo !!!
Não faltava mais nada para acabar com o dia, só faltava estar chovendo.
Mancando fui até a janela e, fui brindado com um dia magnífico.
Pelo menos, o tempo está colaborando.
Para afastar o mal humor, tomei um banho e durante o mesmo, tentei fazer alguns exercícios para ver se meu tornozelo, parava de doer.
Porém, a dor aumentou de intensidade, irradiando para todo o pé.
Ótimo, ao invés de melhorar , consegui piorar a situação.
Como ainda era muito cedo, desci e fui preparar o café da manhã. Me mantendo ocupado, desvio a atenção da dor e principalmente, do que está de fato me incomodando, a rejeição que sofri.
Entre um gemido de dor e outro, organizei tudo e satisfeito, decidi nadar.
Talvez , isso ajude a combater a frustração e minore a dor do corpo e da alma.

Uma nova chance para amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora