A cilada II

1.6K 226 48
                                        

Noah

Desde o dia do último jantar aqui em casa em que nos reunimos, Vivian estava diferente comigo.
Distante, muitas vezes arredia.

Me arrependi de não ter contado à ela sobre o meu encontro infeliz com Jenny.
Mas depois que neguei com tanta veemência, não tive jeito de me desmentir.

Procurei ser o mais carinhoso possível com ela e adivinhar seus desejos e necessidades

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Procurei ser o mais carinhoso possível com ela e adivinhar seus desejos e necessidades. Mas ela se manteve da mesma maneira.

Preocupado, conversei com Colin sobre a situação e ele me aconselhou a questionar o que estava acontecendo. Apesar de ele achar que ela estava tendo mudanças de humor por conta da gravidez.
Ele já tinha passado por isso, com Eli e me orientou a ser o mais paciente possível.

Acabei falando do encontro desastroso com Jenny e da omissão que cometi.
Imediatamente, ele me disse para contar tudo à Vivian, para evitar qualquer mal -entendido.
Depois que ele saiu da minha sala, avisei a Íris para cancelar todos os meus compromissos da tarde, pois decidi fazer uma surpresa para o meu girassol e contar à ela sobre o meu encontro inesperado com Jenny.
Nada de manter segredos.

Com tudo acertado, fui surpreendido pela visita inesperada de Jenny.
Nossos pais ainda tinham um contrato em vigor e ela ainda tinha total acesso à empresa, assim como ao andar da presidência, pois seu nome figurava como integrante da equipe de trabalho.
Até porque, Íris não sabia de como nosso término havia sido desastroso.

Atônito com a sua ousadia, demorei a reagir.
- O que você está fazendo aqui ?!
- Eu preciso conversar com você.
- Não temos nada para dizer um ao outro.- respondi ríspido- Na verdade, nada do que tenha para dizer me interessa.
- Eu sei que não tem mais nenhum apreço por mim, porém você é o único com quem posso contar, Noah. - insistiu chorosa - É uma questão de vida ou morte.
A analisei por um instante, fixei seu olhar desesperado e me comovi.
Afinal, tínhamos tido uma história, que mesmo não tendo terminado bem, teve lá seus momentos bons.
- Ok, Jenny. - cedi - Qual o problema ?
- Ah, não quero falar aqui. Tenho medo que meu pai nos ouça e ...
- Não há como isso acontecer. - interrompi impaciente.
- Por favor, Noah !!! Vamos tomar um café, aqui do lado da empresa mesmo. Só preciso sair daqui.
- Cinco minutos. Você tem cinco minutos, Jenny.
A acompanhei até o pequeno café ao lado da empresa e pedi um cappuccino, enquanto ela pediu um café expresso.
Depois que atendente anotou nossos pedidos e saiu, ela permaneceu em silêncio.
Irritado, a pressionei :
- E então, qual é o problema ?! Seu tempo está se esgotando.
Ela me olhou com os olhos marejados e com os lábios trêmulos, inspirou fundo antes de responder:
- Eu estou devendo cem mil para um agiota. E ele disse que vai aleijar meu pai, se eu não pagar até sexta- feira. Acontece que não tenho de onde tirar esse valor ...
- Jennifer !!! Como você se meteu nessa enrascada ?! - chocado a interpelei - Não colocou só a sua vida em risco, mas a da sua família também !!!
- Eu sei, Noah !!! Não preciso de julgamentos e sim de ajuda !!! Você pode ...
Nesse instante, a atendente trouxe nossos pedidos e ela parou de falar.
Assim que a mesma saiu, pegou sua xícara e tomou um gole do seu café.
Fiz o mesmo, praticamente tomando todo o líquido em um gole só.
- Jenny, eu vou te emprestar esse valor, pela sua família. Por sua mãe, principalmente. Porque por mim, você e seu pai, podem se danar.
- Ah, meu amor !!! Muito obrigada !!!- disse efusivamente, nitidamente aliviada - Nem sei como te agradecer !!!
- Primeiro, não sou seu amor. E em segundo lugar, pode me agradecer sumindo da minha vida, de uma vez por todas.
- Eu vou te pagar, prometo !!! - afirmou.
Porém, eu sabia que estava  falando da boca pra fora e, que eu nunca mais verei a cor desse dinheiro.
Mas mesmo nao tendo nenhum tipo de sentimento por ela, ainda respeito muito a mãe dela que sempre foi de uma gentileza ímpar para comigo.
E também não tenho coragem de permitir que algo ruim aconteça a alguém, se posso impedir.
Em meio à essas reflexões, comecei a sentir uma forte sonolência e um mal-estar estranho.
- Eu vou voltar para o escritório ... Não estou me sentindo ... bem ...
Minha visão começou a ficar desfocada e tudo passou a rodar, ao meu redor.
- Jenny ...
- Calma amor, eu te ajudo.
Essas foram as últimas palavras que registrei conscientemente.

Uma nova chance para amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora