Noah, jovem, bonito,arquiteto, bem sucedido e com a vida do jeito que havia planejado, tem seus planos alterados drasticamente ao ser diagnosticado tardiamente com uma doença autoimune e degenerativa. Acostumado a ter o controle de tudo e de todos e...
Desde o dia do último jantar aqui em casa em que nos reunimos, Vivian estava diferente comigo. Distante, muitas vezes arredia.
Me arrependi de não ter contado à ela sobre o meu encontro infeliz com Jenny. Mas depois que neguei com tanta veemência, não tive jeito de me desmentir.
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Procurei ser o mais carinhoso possível com ela e adivinhar seus desejos e necessidades. Mas ela se manteve da mesma maneira.
Preocupado, conversei com Colin sobre a situação e ele me aconselhou a questionar o que estava acontecendo. Apesar de ele achar que ela estava tendo mudanças de humor por conta da gravidez. Ele já tinha passado por isso, com Eli e me orientou a ser o mais paciente possível.
Acabei falando do encontro desastroso com Jenny e da omissão que cometi. Imediatamente, ele me disse para contar tudo à Vivian, para evitar qualquer mal -entendido. Depois que ele saiu da minha sala, avisei a Íris para cancelar todos os meus compromissos da tarde, pois decidi fazer uma surpresa para o meu girassol e contar à ela sobre o meu encontro inesperado com Jenny. Nada de manter segredos.
Com tudo acertado, fui surpreendido pela visita inesperada de Jenny. Nossos pais ainda tinham um contrato em vigor e ela ainda tinha total acesso à empresa, assim como ao andar da presidência, pois seu nome figurava como integrante da equipe de trabalho. Até porque, Íris não sabia de como nosso término havia sido desastroso.
Atônito com a sua ousadia, demorei a reagir. - O que você está fazendo aqui ?! - Eu preciso conversar com você. - Não temos nada para dizer um ao outro.- respondi ríspido- Na verdade, nada do que tenha para dizer me interessa. - Eu sei que não tem mais nenhum apreço por mim, porém você é o único com quem posso contar, Noah. - insistiu chorosa - É uma questão de vida ou morte. A analisei por um instante, fixei seu olhar desesperado e me comovi. Afinal, tínhamos tido uma história, que mesmo não tendo terminado bem, teve lá seus momentos bons. - Ok, Jenny. - cedi - Qual o problema ? - Ah, não quero falar aqui. Tenho medo que meu pai nos ouça e ... - Não há como isso acontecer. - interrompi impaciente. - Por favor, Noah !!! Vamos tomar um café, aqui do lado da empresa mesmo. Só preciso sair daqui. - Cinco minutos. Você tem cinco minutos, Jenny. A acompanhei até o pequeno café ao lado da empresa e pedi um cappuccino, enquanto ela pediu um café expresso. Depois que atendente anotou nossos pedidos e saiu, ela permaneceu em silêncio. Irritado, a pressionei : - E então, qual é o problema ?! Seu tempo está se esgotando. Ela me olhou com os olhos marejados e com os lábios trêmulos, inspirou fundo antes de responder: - Eu estou devendo cem mil para um agiota. E ele disse que vai aleijar meu pai, se eu não pagar até sexta- feira. Acontece que não tenho de onde tirar esse valor ... - Jennifer !!! Como você se meteu nessa enrascada ?! - chocado a interpelei - Não colocou só a sua vida em risco, mas a da sua família também !!! - Eu sei, Noah !!! Não preciso de julgamentos e sim de ajuda !!! Você pode ... Nesse instante, a atendente trouxe nossos pedidos e ela parou de falar. Assim que a mesma saiu, pegou sua xícara e tomou um gole do seu café. Fiz o mesmo, praticamente tomando todo o líquido em um gole só. - Jenny, eu vou te emprestar esse valor, pela sua família. Por sua mãe, principalmente. Porque por mim, você e seu pai, podem se danar. - Ah, meu amor !!! Muito obrigada !!!- disse efusivamente, nitidamente aliviada - Nem sei como te agradecer !!! - Primeiro, não sou seu amor. E em segundo lugar, pode me agradecer sumindo da minha vida, de uma vez por todas. - Eu vou te pagar, prometo !!! - afirmou. Porém, eu sabia que estava falando da boca pra fora e, que eu nunca mais verei a cor desse dinheiro. Mas mesmo nao tendo nenhum tipo de sentimento por ela, ainda respeito muito a mãe dela que sempre foi de uma gentileza ímpar para comigo. E também não tenho coragem de permitir que algo ruim aconteça a alguém, se posso impedir. Em meio à essas reflexões, comecei a sentir uma forte sonolência e um mal-estar estranho. - Eu vou voltar para o escritório ... Não estou me sentindo ... bem ... Minha visão começou a ficar desfocada e tudo passou a rodar, ao meu redor. - Jenny ... - Calma amor, eu te ajudo. Essas foram as últimas palavras que registrei conscientemente.