Ao chegar no meu quarto, não havia ninguém o que significava que tudo estava correndo conforme planejado. Sheel conseguira prender Edwin e Dana. Minhas coisas estavam arrumadas e meu passaporte em cima da cama. Tomei meu banho, e me arrumei. Dali a poucas horas eu estaria fora do Instituto e atrás de Tate.
Eu sabia que se avançasse com o plano eu estaria indo longe demais. Talvez um caminho sem volta. Fechei os olhos, tentando pensar em algo, alguém, qualquer coisa que me fizesse mudar de ideia. Mas as coisas já não eram fáceis como antes. Não haviam mais tantas opções. Se eu ao menos pudesse voltar no tempo e contar tudo que eu descobrirá pra Tate, antes que ele sumisse. Mas eu não tinha esse poder.
Agora, eu teria que alcança-lo. Usar tudo e o pouco que estava ao meu dispor para achá-lo. Salva-lo. Droga, Tate. Por que fora se meter numa confusão dessas? E o que me restara além de ajuda-lo? Ele era... engoli em seco, ainda era difícil assimilar a verdade. Mas eramos mais do que apenas iguais. Eramos irmãos.
Eu tinha as respostas que ele tanto procurou.
Eu havia conseguido as respostas, até mais do que eu gostaria de ter. Além do mais, eu tinha medo de como Tate reagiria.
--Ei, vadia.—ouvi a voz irônica, que tanto me odiava, me chamar. Olhei pra porta e lá estava ela.
--O que quer Lilyth?—falei—Já disse que não sei onde Tate está.
--Claro que não. Mas eu sei do que você e seus amigos planejaram.
Fiquei sem reação por segundos e engoli em seco, piscando.
-- Não sei do que estava falando.
--Ora, não me faça perder tempo. Tenho um carro esperando fora do Instituto para nos levar para o aeroporto. Claro, se quiser ir comigo atrás do meu irmão.—anunciou. Eu levantei.
--Como...
--Como eu soube? Fácil, querida. Tenho ouvidos. Quando Sheely passou por mim parecendo um zumbi, eu desconfiei e a segui e ouvi tudo que ela falou com aquele nerd e a esquisita. Tate está sumido e corre perigo.
-- Você nem gosta dele.
--Isso não é novidade.
--Então por que?—questionei.
--Tenho meus motivos.
--Olha isso não vai funcionar, se você não me explicar direitinho o que está acontecendo, por que quer me ajudar e acima de tudo, por que se importa com Tate?!
--Vou lhe dizer tudo, mas não aqui. Quando estivermos longe. Agora se ainda não estiver pronta, sugiro que se apresse.
--Você não vai comigo. Não confio em você.
Ela me olhou com desprezo, e sorriu.
--Não sei se fui clara o suficiente. Você não tem escolha. Não tem carro, dinheiro ou meios de chegar até Veneza.
--Tenho uma conta no meu nome que meus pais fizeram pra mim. E Sheel já tinha pedido pro motorista dos pais dela vir nos pegar.
--Tolinha, isso não é o suficiente. Somos menor de idade, nunca embarcaríamos num voo comercial normal. E eu tenho um jatinho particular.—falou, satisfeita.—Ah e se isso ainda não é o suficiente pra te convencer, devo dizer que seu gosto pra homens é exótico e perigoso.
--O que?!
-- Penso em como Selena reagiria se soubesse que uma aluna recém saída das fraldas anda dando uns amassos no cara com quase um milênio de idade a mais que ela?—disse, me fazendo cambalear. Não!—Isso mesmo, eu sei de você e Demetrios. Vi vocês hoje na floresta e uau, que Show!
--Você não ousaria...
-Me teste. Agora, podemos ir? Já estou cansada de perder tempo.
--Você tem um plano pra sair daqui, não é?—ela disse. Ao pararmos atrás de uma pilastra, próxima ao portão dos fundos guardada por dois consillieres. Assenti, Edwin havia conseguido os nomes dos dois consillieres e junto objetos pessoais de ambos. Segurei em minhas mãos e fechei os olhos. Sentindo uma frescor fluir de mim para os objetos e deslizando sob meus pés indo em direção aos consillieres. Desejei que eles ficassem imóveis aos nos ver passar, e depois que esquecessem da nossa presença ali, como se tudo não tivesse passado de um sonho.
--Vamos.
--O que?!
--Eles não vão nos impedir. Não vão nos ver.—falei, saindo de trás da pilastra e indo direto pro portão. Lilyth hesitou e me seguiu, incerta. Me mantive concentrada nos objetos a minha mão e no meu desejo. Passamos por ele como eu esperava.
Sem sermos interrompidas.
Já la fora, o carro nos esperava. Lilyth andou depressa e eu parei, olhando pra trás. Aquele podia ser meu último dia no Instituto. Eu podia nunca mais ver ninguém dali. Nem Sheel ou Dana. Nem Edwin. Ou Demetrios... Fechei os olhos, segurando as lágrimas. Eu sabia que tinha que ser rápida. Sumir. Quanto mais longe, menos ele me sentiria. Menos... sentiríamos a falta um do outro. Mas a verdade, era que eu já sentia. Meu corpo se esfriava a cada passo. Um vazio tomava conta de mim cada vez que a distância aumentava.
Era como deixar um pedaço meu pra trás.
--O que você está esperando?!—Lilyth chamou. Me apressei entrando no carro.
Era isso. Não tinha como voltarmos atrás.
A viagem era longa, por isso podíamos aproveitar o dia para dormir. Mas eu não estava com sono.
Não conseguia fechar os olhos. Lilyth parecia calma demais e isso me perturbava.
--Lilyth, acho que já esta na hora de me explicar tudo.
--Upft.—resmungou— O que quer saber?
--Tudo?—falei o obvio. Ela revirou os olhos.
--Muito bem, você sabe que eu recebo cartas de um tal de C.D.S, não é? Ele me mandou uma há duas semanas que dizia pra ficar de olho em você. Eu fiquei irritada, quer dizer, o que você tinha de tão interessante que fazia ele insistir?! Bom, o obedeci. Meu pai o conhece pessoalmente, eu não. E meu pai tem respeito por esse cara. Então, tenho também.—disse, e entendi que o que ela queria ter dito era "medo" e não "respeito" —Comecei a seguir você e na maioria das vezes ou você estava com Demetrios ou com Tate. Claro, demorou um pouco mas fui descobrindo, ouvindo conversas.
--O que você ouviu?
--Sei que Tate não é filho do meu pai. Que minha mãe pode ter sido assassinada. E que Tate está a procura do pai biológico. E que ele não é doente como eu pensava, ele é diferente, apenas. Assim como você.--ela me deu um olhar de lado--Sei que vocês dois tem dons. O que só pode significar uma coisa, vocês são irmãos. Então enviei minhas suspeitas e minhas descobertas pra C.D.S. Ele retornou eufórico. Falando que graças a mim, suas suspeitas estavam confirmadas e que em breve eu não teria que aturar nem você nem meu irmão.—narrou, me encolhi—Claro que não entendi a princípio o que ele quis dizer com isso, foi aí que meu irmão desapareceu. Mandei outra carta pra ele perguntando o que ele tinha feito. E não recebi respostas desde então. Fui até você e você disse que também não sabia dele.—meu sangue pareceu gelar a cada palavra dela. Já sabiam sobre mim e Tate.-- Fiz meu dever de casa, fui pra minha casa e remexi nas coisas do meu pai.—falou, e notei que sua voz havia assumido um tom cauteloso.—Eu descobri quem é C.D.S.
-- Quem é ele, Lilyth?
--Tate não vai encontrar quem ele quer, e sim, vai encontrar quem o procura. E ele é a pior coisa dos vampiros que existem.
--De quem você está falando?
Ela me olhou, com medo e disse.
--Dorian. O irmão de Demetrios.
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RENASCER
VampireTessalia Dragon, ou Tessy como gosta de ser chamada, levava uma vida normal aos 16 anos e sua maior preocupação era sobreviver ao ensino médio. Mal sabia ela que carregava uma herança milenar que mudaria sua vida para sempre. Agora longe de todos q...
