4. Jersey Ten

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Bruna

Rolei os olhos ao me dar conta que Marina estava do outro lado do aeroporto correndo em pânico.

Seria cómico se eu não estivesse tão irritada pelo fato dela estar atrasada.

Cruzei as pernas jogando um pequeno punhado de pipocas entre meus lábios ao ver a ruiva se aproximar jogando uma das malas e parando no meio do caminho com a mão contra seu peito, ofegante.

“Eu falei para dormir na minha casa pois sabia que iria se atrasar.” comentei e ela mandou o dedo do meio ainda respirando mal por conta da pequena corrida.

“Eu não me atrasei. Atrasar seria perder o vôo, o que não aconteceu.” proferiu com ironia e eu apontei ao ecrã com a cabeça.

“O que quase não aconteceu. Vamos antes que tenhamos que assistir a copa pela TV.” disse ironicamente e ela gargalhou de forma cínica enquanto se apossava das malas.

“Haha, Marquezine.”

Dia seguinte

“Bom dia, Rússia.” ouvi a voz de Marina em um tom exageradamente alto ecoar pelo quarto enquanto a mesma abria a porta de meu quarto.

“Bom dia, Rússia, nada! Volta para o seu quarto.” pedi manhosa enquanto cobria meu rosto com o edredon.

“Nada disso. Hoje vamos almoçar fora e comprar camisas da seleção brasileira como planeado.” explicou e eu rolei os olhos, embora ela não pudesse ver por conta do edredon, sei que se irritou pelo do silêncio.

“Silêncio, criatura.” pedi e em alguns segundos o cobertor foi retirado. Meu corpo deixou de aderir a temperatura quente transmitida pelo mesmo e passou a adquirir o clima um tanto gélido de Rússia naquela manhã.

“O dia é longo.” proferiu animada.

“Me acorde quando for catorze horas.” resmunguei voltando a me cobrir e ela gargalhou.

“Catorze de amanhã? Querida, já são quinze, acorda!” tornou a retirar meu cobertor e eu a xinguei mentalmente enquanto levantava e andava até o banheiro.

Algumas horas depois
Loja da Nike

“Vai mudar o número ou é o de sempre?” Marina perguntou colocando alguns fios de seu cabelo por trás da orelha e eu ergui uma das sobrancelhas.

“Mudar o número? O de sempre?” questionei e ela gargalhou.

“Se vai adquirir outro número ou vai usar o dez, como o de sempre. O número do jogador, besta.” explicou e eu dei de ombros.

“Me dê um número que me dê sorte.” disse encarando os tênis da marca que se espalhavam pelo local.

Ten and Twelve, please.” ouvi a ruiva pedir para a moça do balcão e revirei os olhos pela escolha.

Poderia pensar que a camisa doze seria para mim mas é da Marina que estamos falando por isso sei muito bem que ela escolheu dez para mim.

“Toma, essa é a sua...” disse alguns minutos após atraindo a minha atenção e esticou a sacola preta com o símbolo da Nike.

Mergulhei minha mão no interior da sacola e retirei a camisa que a preenchia me dando conta de que era a camisa doze.

“Quê?” proferi baixinho.

Eu não estava incomodada por ela ter me dado tal camisa mas sim surpresa, jurava que me daria a dez.

“Idiota.” gargalhou e esticou a sacola que estava em sua mão. “A doze é minha.” explicou e eu bufei, revirando os olhos pela enésima vez enquanto dava a sacola certa para ela.

“Bem me parecia.” disse sarcasticamente e ela sorriu.

“Estava quase chorando por não ter dado a dez para você que eu sei.”

“Nem por isso.” confessei e saímos da loja.

“Está afim de um sorvete?” perguntou e eu a olhei com cara de tédio.

“Eu só estou afim da minha cama, pode ser?”

“Vou pegar de morango para você.” falou me entregando sua sacola e caminhando até a sorveteria.

Gargalhei e sentei em uma das mesas, pegando em meu celular.

Ouvi algumas pessoas gritarem em pedido de atenção e direccionei o olhar.

Duas pessoas estavam correndo até mim e eu sorri com a atitude mas de onde elas vinham, haviam mais e eu estranhei mas dei de ombros atendendo os dois fãs.

Depois deles se retirarem, continuei olhando a multidão aglomerada na escada do shopping e estreitei o olhar quando estas se retiraram me dando uma visão apropriada de quem se tratava.

“Ih...” Marina proferiu e eu não desviei o meu olhar.

“Você sabia que ele vinha?” questionei e ela chacoalhou a cabeça repetidamente em defensiva.

“Eu sou 100% brumar shipper mas não sabia que ele vinha, eu juro.” se defendeu e eu mordi o lábio a olhando por fim.

“Vamos tomar logo essa sorvete pois eu quero dormir.” disse pegando o sorvete rosado de sua mão dando um último olhar para Neymar que graças aos céus ainda não havia percebido minha presença a distância.

After UsOnde histórias criam vida. Descubra agora