18. The curse

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Bruna

Eu e Neymar já estávamos em uma clima calmo. De vez em quando eu fazia visitas aos treinos abertos e o clima tenso não se fazia presente como no início da copa.

Agora, estava no quarto de Larissa, passando o batom numa tonalidade fraca contra meus lábios enquanto as outras mulheres tagarelavam sem parar.

Era dia do jogo contra Bélgica e eu estava nervosa. Neymar tinham finalmente desistido da idéia que o Hexa não viria e podia dizer com segurança que todos da seleção estavam mais motivados depois do último jogo.

Ajeitei o short contra o meu corpo e me virei para elas.

“Está mais linda do que o normal.” Ainê falou com um sorriso fraco no rosto e eu sorri em uma intensidade maior, visivelmente ansiosa para o jogo.

“Bom, que comecem as apostas.” Mari falou gesticulando algo estranho e nós apenas rimos.

“Hm, 3-0? 3 do Brasil e 0 da Bélgica.” Larissa falou animada.

“Ah, 2-1? 2 da Bélgica e 1 do Brasil.” Ainê falou gargalhando e nós a olhamos de maneira incrédula. “Ai gente, 'tava zuando. Mas imagina que épico se fosse verdade? Ainda com um gol contra de sei lá quem... Tipo, o Neymar.” falou e eu bati em seu ombro fazendo uma carreta.

“Pare de nos amaldiçoar... E o Neymar também. O jogo será fantástico e não isso... Eca!” falei dando língua para ela que apenas riu mais.

“Sua aposta é essa mesmo, Ainê? Ou estava zoando?” Marina perguntou lançando o olhar confuso para a mulher que apenas deu de ombros.

“Acho que... Não? 2-1 e dessa vez 2 para o Brasil e 1 para a Bélgica porque o seu ex-crush pode marcar.” Ainê provocou, o que ocasionou um dedo do meio da ruiva.

“Ex-crush? Quando você desistiu do Hazard que não me contou?” a olhei indignada.

“Eu não... Ai foda-se!” explodiu indo até o banheiro e fechando a porta com força.

“Que drama adolescente.” Larissa falou revirando os olhos gargalhando.

“Bruna você deveria ser mais atualizada que a gente.” Clarice pontuou enquanto se apoiava de uma mão na cama.

“Tá tá... Mas quem é o crush atual?”

“O...—” fora interrompida pelo grito histérico da Marina.

“Vai pra casa do caralho, Clarice!” berrou em grosseria.

“Me conta no estádio.” pisquei para ela enquanto sussurrava e ela sorriu.

“Ai, Marina. Sai logo daí, temos um jogo para ver!” Ainê berrou e a porta finalmente se abriu.

Duas horas depois

Brasil 1 — 2 Bélgica

“Eu não acredito nisso...” murmurei sentindo minha cara afogar em minhas próprias lágrimas.

“Ninguém acredita.” Marina também estava chorando mas ao contrário de mim, ela limpou as lágrimas e falou com indiferença.

Decidi fazer o mesmo, limpando os olhos com a barra de minha camiseta.

“Tem como a gente ir para o vestiário?” Clarice perguntou assim que saímos da arquibancada, acedendo ao corredor.

“Creio que sim. Anda, vamos falar com os seguranças.” Larissa incentivou e depois de um tempo, foi permitida a nossa entrada no local com consentimento dos jogadores.

Logo, fomos levadas pelos homens até lá.

Eu apenas fiquei na porta, assistindo todas entrarem para consolarem seus respectivos maridos. Enquanto isso, Marina correu até Gabriel e o abraçou.

Os dois não estavam chorando mas ainda assim, tristes.

Sorri procurando com os olhos por Neymar. O encontrei num canto do local. Seus olhos estavam vermelhos, sem rastros de lágrimas mas ainda assim vermelhos, suas veias mais expostas que o normal e o seu olhar perdido nos pontos do sítio.

Involuntariamente, uma lágrima deslizou de meu olho e eu corri até o jogador.

Eu sabia o quão ele queria isso... Eu sabia o quão ele estava sendo criticado por não conseguir isso.

“Ney...” sussurrei mas ele apenas me apertou naquele abraço.

Ao contrário do que esperava ele se manteve em silêncio. E em meio ao pequeno barulho do vestiário, o que me importava era nós os dois ali.

After UsOnde histórias criam vida. Descubra agora