Por que eu quero

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          Estava deitado no meu quarto, pensando no que fiz, no que aconteceu e como a Izzy entra na minha mente. Fazem apenas alguns dias que eu a conheço e mesmo assim, me deixo levar por ela, merda! Dei um murro forte na mesa e me encarei no espelho, eu nunca faria mal algum à Luly, apesar de tudo! Mas que porra! Me joguei na cama, e com medo peguei o celular. Haviam mais de cinqüenta ligações da Luísa. Ela com certeza estava muito irritada comigo, não ousei retornar, apenas me levantei e fui em direção à felicidade.

(...)

- Você fodeu tudo? - O Hugo parecia não acreditar enquanto eu terminava a história.

- É, mais ou menos. - Hugo riu sem acreditar.

- Caralho, que vingança digna de livro.. - Eu o encarei.

- Cala boca! Achei que ia me massacrar agora, eu fui um imbecil. - Ele sorriu e olhou por cima de mim. - Quê?

- Eu não vou te massacrar.. - Ele colocou o cigarro de maconha na boca e deu um trago.

- Reunião sem mim? - A voz da Ana ecoou na quadra.

- Mas ela sim.. - Hugo riu passando o braço ao redor do pescoço da Ana. A abraçando.

- Do que estão falando?

(...)

- Filho de uma puta! - Ana me bateu forte e eu a encarei. - Você não podia ter feito isso!! - Ela me olhava com nojo. - Eu to com muito nojo de você..

- Não precisa verbalizar.. - Ela cruzou os braços me encarando.

- Como pôde fazer isso? Ela é uma mulher, você imagina o quanto você arruinou a vida dela? - Ela respirou fundo enquanto dava alguns passos se aproximando de mim. - Como pensou nisso?

- E-eu, eu não sei.. - Omiti ter tido a ajuda da Izzy, certamente a Ana não ia ficar mais feliz do que já está ao saber que eu caí no papo de uma riquinha. - Eu, só.. - Suspirei. - Preciso disso. - Tomei o cigarro da mão do Hugo e ele me olhou, após isso senti a mão fina e pequena da Ana ir de encontro com meu rosto, muita força.

- Palhaço.. Isso é o mínimo.

- Hooo hooo!!!  - Hugo riu olhando para a Ana. - Que belo murro Ana!

- Obrigada. - Ela arrumou os cabelos e se sentou ao meu lado.

- O.K.. Eu mereci. - Falei quase neutro, e dei um trago no cigarro... Mas puta que pariu! Caralho, doeu.

(...)

         Ao chegar no Habbons senti um calafrio. Faziam alguns dias deste que havia feito aquela barbaridade com a Luísa, ainda bem que não mais a vi. A Izzy me convidou para estudar com ela esta noite, pela primeira vez deste que e entrei na Avenues alguém fala em estudar. Mas, estou indeciso se devo ou não encontrá-la. A forma como aquela garota mexe com meus pensamentos se torna perigoso, a ponto de eu fazer coisas horríveis...

- Richard, pode me ajudar aqui? - Amanda me olhou enquanto segurava com dificuldade uma caixa.

- Claro.. - Em três passos me aproximei, e peguei a caixa. Quando coloquei a caixa no chão e me pus em pé novamente, meu coração levou um baque. Minha respiração quase parou.. - Will?!

(...)

- Você mudou.. - Ele comentou enquanto comia babatas fritas, sentado na mesa próxima ao balcão. - Está forte e sem óculos.. - Ele sorriu.

- Você também não está nada mal.. - Eu estava feliz em vê-lo, apesar de tudo que aconteceu, acredito que ele é inocente.

- Eu deveria estar pior.. - Ele suspirou. - Lá não é fácil, mas eu suportei e fui liberado há algumas semanas.. - Balacei a cabeça positivimamente. Fingimos entender o que essas pessoas passam, mas só saberemos se algum dia realmente estivermos naquele lugar.

- Ana já te viu? Estava com o Hugo? - Comecei a limpar a mesa ao lado, o Habbons estava quase vazio e o expediente acabando.

- Estive em casa esses dias, pedi segredo ao Hugo. E, a Ana ainda não me viu.-  Eu sorri, ela vai ficar furiosa em saber que foi a última. - Hugo me disse que ela está envolvida de novo..

- É, eu sei. - Disse parado o encarando. - Escolhas..

- Na verdade, as vezes não temos escolhas. Fazemos o que é possível, não podemos fugir do destino.

(...)

       Estava todo arrumado quando meu celular vibro. Por segundos lembrei da Luly, e em seguida lembrei de tudo o que aconteceu. Desbloqueado o ecrã do celular me notifica mensagens da Ana.

" Saída hoje? Vamos! Comemorar que o Will está de voltaaaaa! "

           É engraçado até.. Nós passamos por muitas coisas, foram longos anos deste que a Morgana apareceu morta em um galpão, onde  eu, Hugo e Ana estávamos para pegar uma mercadoria para o Will. Só queríamos um dinheirinho para ir ao cinema e comprar chocolate, invés disso ganhamos vários policiais em nossas portas, olhares de reprovação e a desconfiança que nos persegue até hoje.. Sei que não foi proposital, mas além disso, depois de tudo isso, o desejo de todos é estar juntos novamente.

        Mas não, não poderia desmarcar com a Izzy. Próxima semana o primeiro teste geral aconteceria e eu precisava estudar, além do mais, ela até pode ser louca, ter duas personalidades e me induzir ao mal, porém, ainda é a aluna com melhor nota da escola então deve me ajudar em algo.

(...)
      Enquanto a loira arrumava os livros em plena ordem em cima de uma mesinha de centro que se encontrava no meio do seu quarto, eu a obeservava. A desgraçada é linda. Ela me olhou e sorriu.

- Pode fazer um desenho, se quiser. - Eu ri fraco. - Ficou com raiva de mim? - Era a primeira vez depois de semanas que a Izzy falava neste assunto. - Entendo que não tenha aprendido o gosto da vingança, mas achei que aquilo te ajudaria de alguma forma.

- Não vamos falar disso. Eu fiz, e me culpo, não pense que te culpo. - Ela me olhou. - Mas não há como reverter, às vezes não temos escolhas... - Lembrei do Will.

- Você está certo. - Ela sorriu. - Vamos começar por... - Ela começou a ver os assuntos na tabela e comparar com os livros, enquanto a olhava me lembrei do que a bibliotecária me disse, seria verdade que os alunos compram suas notas? Izzy me arrancou dos pensamentos com a voz autoritária. - Por Geografia! - Ela abriu o livro e o pós na minha frente.

- Por que? - Falei neutro.

- Por que eu quero.

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