Enquanto estava na casa da Izzy, meu celular simplesmente não parava de vibrar. Certos momentos ela parava de ler e me encarava. Isso se repetiu quase a noite toda, e então às dez, Izzy iria para sua jornada no bar e e eu para casa.
- Não quer mesmo vir comigo? - Ela se aproximou de mim, e meu coração acelerou, ela era tão mais linda de perto.
- N-não sei.. - Limpei a garganta e me afastei. - Não, eu prefiro ir dormir.
- Que chato. - Ela fez bico. - Vou ir sozinha então.. - Ela deu um sorrisinho e foi de encontro à porta de saída de seu quarto.
- O.K.. - Eu me rendi e ela sorriu. - Vamos lá.
(...)
O bar estava com menos gente hoje. Ainda assim, haviam jovens e adultos de todas as idades, bebendo e dançando. Izzy já com sua peruca e sua roupa mais que provocante, apareceu no balcão, chamado a atenção. Não importava como ela estava vestida, ou como gostaria de ser chamada, ainda era um espetáculo de mulher.
- E então é aqui que você estuda agora? - A voz da Ana no meu pé do ouvido, me pegou despercebido, então me virei rápido.
- Oi Ana.. - a saudei neutro e levei um belo chute na canela. - Onde está essa menina? Nós te convidamos e você não vem, ela te convida e você vem?! - Os olhos dela estavam vermelhos como seus cabelos.
- Ana, ei! - Hugo a puxou pelo braço. - Oush, ta fazendo o que aqui? - Ele me olhou com o cenho franzido.
- Por que estão parados, achei que íamos nos divertir. - Will passou a mão pelo meu pescoço. - Vamos logo.
(...)
Enquanto dançavam, eu os observava. Nesse pequeno encontro de pessoas desconhecidas, ninguém parou a música ou jogo de luz para nos dizer que estávamos juntos e que isso era uma ameaça. Hora ou outra, Ana sumia e quando ela voltava, Hugo saia. Eles estavam vendendo drogas, e Will aparentemente entendia isso. Mas eu não, nunca me sujei com isso, apesar de estar tão imprevisível com as coisas que faço, nunca me rebaixaria a vender drogas.
TODO MUNDO PRO CHÃO!
A voz da polícia ecoou por todo salão, quando olhei rápido vi uns policiais puxando o fio do som, e acendendo as luzes. Senti um tapa forte em minhas costas, e então me deitei no chão assim como todos os outros, e nos estamos fodidos. Ainda deitado olhei para os lados afim de achar a Ana, o Hugo e a Izzy, o Will estava do meu lado, deitado e com uma cara de: Colocaram um radar em mim?
Aos poucos com toda delicadeza do mundo a polícia foi levantando de pouco em pouco o pessoal, algumas meninas menores de idade foram liberadas e os rapazes levavam alguns tapas. Inclusive, a que eu levei estava doendo até agora. Quando eu e Will fomos levantados, vimos a Ana e o Hugo sentados próximo à uns polícias. Meu coração gelou, pegaram eles com drogas! Ana piscou pra mim e baixou a cabeça, eu não tinha entendido porra nenhuma e não sabia se estávamos muito ou pouco ferrados, mas meus olhos ainda caçavam a Izzy.
- Coloca as mãos na cabeça! - A autoritária voz do polícia foi atendida com toda educação, já apanhei uma vez e não queria que isso e acontecesse novamente.
Ele checou meu bolsos e fez todo procedimento padrão, olhou bem para meu rosto e deu um riso, talvez de deboche, talvez de nojo. Passou para o Will e fez a mesma coisa, mas ainda bem, que não achou nada. Foram 7 espancados e 9 levados presos, todos vendendo drogas. E quando finalmente pude sair daquela boate, encontrei a Izzy com um sorriso no rosto.
- Sara! - A Ana gritou e deu alguns passos largos até a loira, que agora estava morena por conta da peruca. - Você conseguiu? - Não entendia do que elas estavam falando e nem se quer sabia que elas se conheciam.
- Eu sempre consigo. - A voz doce da Izzy me fez ficar aliviado, estávamos bem e principalmente soltos. - Você está bem, eu vi o tapa que ele te deu. - Ela olhou pra mim e eu balancei a cabeça dizendo que sim. A feição da Ana ficou estranha, ela não sabe que nos conhecemos e talvez a Izzy tenha esquecido disso.
- E as minhas? - Hugo a olhou. - Preciso falar com ele, depois. -
- Ele não está na cidade, e você sabe que não é tão simples assim pra falar com ele. Mas qual o problema? - Hugo colocou a mão nos bolsos e olhou para todos nós. Ele não sabia se era boa ideia dizer.. Na minha frente? Izzy limpou a garganta e ele balançou a cabeça concordando.
- Tudo bem.. - Izzy bateu as mãos. - Eu vou ir arrumar essa bagunça. Ana e Hugo tenham cuidado, e Will.. Não é bom aparecer por aqui, os irmãos da Morgana também frequentam. - Estou impressionado, a riquinha bonequinha conhece todos os meus amigos e a história da Morgana, então como é possível que tenha me conhecido só no colégio?
Ana pegou no meu braço e no braço de Hugo. Nos puxando, olhei para ela meio confuso e ela apenas sorriu. Will veio nos acompanhando e caminho inteiro eu estava sem entender, e como tenho observado, ficaria assim por muito tempo.
- De onde conhecem ela? - Quebrei o silêncio que rondava o grupo.
- Hm? - Hugo me olhou. - Quem?
- Sara.. - Ana disse. - Você conhece ela? - Ela deu ênfase no "você", notou que ela tinha demonstrado cuidado comigo.
- Do bar. - Respondi neutro. - Estive lá outras vezes e ela foi legal comigo.
- Ela passa as drogas pra gente.. - Hugo disse por fim. - É muito próxima dele.
- Ele?
- Não sabemos o nome dele, mas ele é quem faz toda a sujeira. Não sabemos de onde a Sara é também, só a vemos dentro do bar.
- E ela sabe tudo sobre o nosso caso?
- Da Morgana? - Ana perguntou e depois balançou a cabeça dizendo que sim.
- Talvez, o chefe de vocês tenha tido alguma culpa na morte da Morgana. - Will disse isso e foi embora.
Eu estou muito confuso agora.
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A Face do Disfarce
Teen FictionRichard Blake, é um garoto de dezesseis anos que passa em um programa do governo e ganha uma bolsa estudantil em uma das melhores escolas da cidade. Nessa nova escola, conhecerá Izzy Yale "a garota perfeita", linda, educada e ingênua e descobrirá qu...