Seguir meu Amigo

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   A morena deu uma risada quase sarcástica e em seguida mordeu os lábios, eu sabia exatamente no que ela estava pensando e sinceramente esperei que se jogasse no meu colo arrancando a blusa do seu corpo; Mas isso, ela não fez.

- Só amigos.. - Ela respondeu por fim. - Eu te magoei, você também me magoou.. Não podemos voltar como éramos antes, do dia para noite.  - Eu balancei a cabeça concordando.

- Tudo bem Iz.. - Balancei a cabeça. - Luly! Ficamos assim.. Obrigada por me abrigar bêbado.

- Vem.. - Ela estendeu a mão. - Vamos tomar café.

(...)

    E por incrível que pareça, depois de tudo oque aconteceu, eu e Luly nos sentamos na mesma mesa, falamos sobre as aulas que ela tem dado na faculdade, e as aulas que eu tenho recebido na Avenues. Foi um grande erro me deixar levar por um momento de raiva, mas ao menos serviu para mostrar à ela mesma, que um relacionamento embasado em mentiras e traições não daria certo.

     Trabalhamos no Habbons, e eu confesso que havia sentido saudades. Passei essa manhã com a Luly, mas não me esqueci da safada da Izzy. Ainda quando lembro dela escuto seu gemido, e pra piorar, o ato feito não era comigo..

- Terra chamando Richard? - A voz da Luly me trouxe para realidade. - O que foi?

- Hum.. Nada.. - Menti.

- Tem duas coisas que você não faz direito, arruma os guarda napos e mente. - Eu sorri. Ela é esperta.

- Sei lá.. - Eu dei de ombros. - Preciso ir embora, me arrumar pra escola.. Nos vemos de noite?

- O que? - Ela me olhou com o cenho franzido. - Hoje o habbons é fechado durante a noite, como pode estar esquecido do nosso único dia de folga?! - Eu ri.

- Tchau Luly. - Fui dar um beijo em sua bochecha, e ela virou o rosto. Quase era em sua boca. A química entre nós era nítida. Olhando a morena, era como se o mundo tivesse parado, e ali só existisse ela e sua boca. Sua boca muito linda.

- Richard?! - Ouvi a voz do Hugo, muito alta. - RICHARD DESGRAÇADO! - Hugo estava mais bravo!

Abri os olhos sem entender nada. E ele deu um murro no meu braço. Eu estava na quadra, onde nós nos reuníamos para fumar e falar da vida alheia. Tava frio pra caralho e minha boca estava tão seca, eu precisava de muita água gelada.

- O que porra ta fazendo aqui?! - O Hugo me encarou e eu estava tentando entender também. - Você nem mandou mensagem ontem quando voltou do bar, encontrou a merda do celular?

- Calma ai.. - Eu disse me levantando, estava muito frio.. E a claridade estava me incomodando.

- Ficou bêbado e dormiu na praça.. - Ele disse quase rindo. - Dessa vez sonhou com quem?

- Não me enche.. - Eu estava um pouco indignado. Mais uma vez, a porra de um sonho! Talvez eu esteja carente, ou com saudades, ou só bêbado mesmo.. Mas que cachaça forte foi essa?!

- Hun.. - Hugo me olhou, enquanto acendia seu cigarro de maconha. Nem sei que horas são ele já está nessa? - Deveria ir para casa, tomar um banho, e ficar no quente. Não é hoje que você joga pela primeira vez no time dos riquinhos?

- Puta que pariu.. - Passei a mão na cabeça. Mais isso? Eu sou muito otário, muito otário! - O que você ta fazendo aqui? São.. Quatro da manhã.

- Vim resolver umas pendências, e você que dormiu na praça.  - Ele começou à cantar. - Pensando nelaaaa. - Eu fingi que ia bater nele, e ele se afastou sorrindo.

- Que pendências? - Ele parou de sorrir.

- Mas que cara chato, anda dá o vaza.

- Fala Hugo..

- Você não vai resolver.. - Eu o encarei e ele revirou os olhos. - A uma semana atrás, as drogas que deveriam chegar para mim foram extraviadas ou roubadas, eu sei lá.. E agora eu estou com uma pequena dívida.

- Já ta resolvendo? - E de repente, mais uma coisa para se preocupar...

- Hurum.. Relaxa ai, quer dizer.. - Ele gargalhou. - Nesse banco não, vai pra casa.. É melhor. - Eu o olhei fingindo sorrir de suas piadas. E então ele me deu um leve empurrão e eu caí do banco, dentro da pista de skate. Desgraçado.

- Hugo.. - Uma voz masculina familiar soou, e eu continuei deitado na pista. - O que quer falar comigo? - É.. A mesma voz do homem que estava com a Izzy. - Vamos dar uma volta, e então você me explica tudo.

O Hugo não respondeu, de repente o ar estava pesado. Vi os dois se afastarem e saí da pista. Eu precisava tomar banho, dormir, estudar, treinar para hoje mais tarde, encontrar com a Ana, desmascarar a Izzy, mas tudo isso poderia esperar por que agora... Agora meu instinto me manda seguir meu amigo.

A Face do Disfarce Onde histórias criam vida. Descubra agora