Capítulo 12

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— Tem várias pessoas lá embaixo... — eu comentei olhando para a janela do corredor do hotel.

— Você ainda se importa com isso?

— Eu não acho que elas gostem muito de mim, então...

— Sorria, vamos. Ou vão reclamar que você é rabugenta. — Peter riu, mas eu não sabia se levava a sério aquilo — É uma brincadeira, mas seria legal se sorrisse, amo seu sorriso, sabia? — fiquei calada e continuei andando — Você está vermelha.

— Não, eu não estou.

— Sim, você está, suas bochechas estão muito vermelhas...

— Oh meu Deus, Peter! — uma garota apareceu correndo e abraçou a cintura de Peter, ele a abraçou, eu apenas fiquei surpresa de como ela apareceu do nada — Eu não te vi pessoalmente antes, e isso... Isso... É um sonho.

— Qual o seu nome?

— Dellilah. Eu te mandei um chaveiro no Natal passado. Você ainda tem? — Peter se afastou da garota e tirou uma chave do bolso.

— É esse?

— Você é exatamente como eu pensei. — ela o abraçou novamente e os dois tiraram uma foto. Quando nós voltamos a ficar sozinhos no elevador, ao menos ele já havia esquecido que estava me zoando.

— Você mantém todos os presentes que eles te dão?

— Os ursos vão para a doação, e depois eu vou mandar alguns para Estela, os cartões e cartas ficam no meu quarto, em uma gaveta cheia deles, e essas coisas pequenas andam comigo, porque eles sempre perguntam sobre elas.

— É um bom sistema... Então você tem falado com seu pai?

— Eu falo com Estela, meu pai só diz "alô" e eu digo "passa o telefone".

— É um começo. Ei, é Dylan. — eu falei quando o elevador abriu as portas alguns andares antes do meu — Falo com você mais tarde.

— Tudo bem. — Peter sorriu e, antes de eu me afastar, segurou meu rosto e beijou minha testa.

— Por que você... — ele apenas deu um sorriso e o elevador voltou a fechar as portas.

Dylan continuava andando pelo corredor, poderia jurar que ele estava perdido, e tinha quase certeza que aquele nem era seu andar. Quando o cutuquei, ele se virou, me abraçou com um braço e beijou minha testa enquanto ainda falava no telefone.

— Foi somente Aurora que chegou... Sim, ela está do meu lado...

— Sou eu, Lory.

— Está vendo? Só Aurora... Não... Eu nunca trairia você... Não precisa ser paranoica... Não... Eu ligo amanhã... Também te amo.

— Ela é tão ciumenta... Como você aguenta?

— Eu perguntei isso ao Peter há alguns anos atrás...

— Muito engraçadinho... Então, devia ter perguntado isso há muito tempo, você trouxe o que eu lhe pedi?

— Sim, está na minha mala desde Washington.

— Bom saber disso.

Dylan e eu continuamos conversando, eu o deixei na porta do seu quarto e voltei ao meu caminho, podia jurar que ouvi os gritos antes de entrar no quarto. Júlia, Alicia e Jade haviam discutido. Então diferentemente dos outros hotéis, naquele em Winnipeg, Jade, Júlia e eu dividimos um quarto, mas as duas não concordavam em nada.

— Não deixe migalhas de salgadinho na cama.

— Não é nossa cama, é só uma cama de hotel.

Memórias de Saturno [CONCLUÍDA]Onde histórias criam vida. Descubra agora