Passado Obscuro

203 12 0
                                        


Com o fim da chantagem de Mirtes, Jurandir e Milu não precisavam mais esconder a paixão deles e principalmente que estão juntos. A relação deles gera bastante fofocas e comentários por Serro Azul, algumas pessoas apoiam o casal e outras acham um absurdo um homem religioso se envolver com uma vidente, ou melhor, para elas a consideram uma feiticeira.

Certo dia, Jurandir e Milu estavam namorando na praça sob os olhares de pessoas que ali passavam, eles começam a falar sobre suas vidas anteriores antes do romance deles:

-  Meu querido como era seu casamento com a mãe de Elisa? Deve ter sido muito feliz, eu sinto isso, só que infelizmente a vida a tirou de você.

- Mi, a Silvia foi uma mulher maravilhosa, uma mãe maravilhosa, boa esposa, uma dona de casa excelente já que ela sempre preferiu cuidar dos afazeres domésticos e eu trabalhava fora. E você como era antes de se estabelecer em Serro Azul?

- É... Passei uma temporada no retiro espiritual que aprendi tudo o que sei hoje, depois resolvi abrir a loja aqui em Serro Azul.

- Eu falo de família minha querida, não teve algum amor igual ao nosso ou melhor, não se casou por quê?

-  O que importa é agora, a vida amorosa de Milu com Jurandir, ou melhor nós, meu querido. - ela o beija encerrando o diálogo.

Jurandir fica ressabiado com a amada, mas não pergunta mais nada e se deixa levar pelo beijo deles. As palavras dele deixam Milu preocupada que se pergunta: " Será que estou agindo certa? Um dia será que vou conseguir me abrir com o Ju?".

O casal segue cada um para suas tarefas, Jurandir resolve ir à igreja pedir que o coração se acalme em razão da desconfiança em relação a Milu. Feliciano que está como sempre no seu posto, sentado na escadaria do templo de Deus, dá de cara com o beato e só dá um aviso a ele:

- Trate de fazer a Milu feliz, ela é uma pessoa muito especial que não merece que a vida seja cruel, um anjo como ela não merece ter decepções e ilusões.

Agora com essas palavras ditas por Feliciano, Jurandir se questiona e o ciúmes toma conta dele: " Não é possível a Milu e o Feliciano terem tido um caso, do jeito que esse homem fala ele a conhece tão bem! Quero que ela me explique direitinho por que esse homem vem me dar conselhos".

Feito um raio Jurandir corre para Cristalina e sorte que a loja está vazia e só está Milu, estranhando a visita do namorado chega perto dele e nota que a expressão facial não está das melhores ele começa a tirar satisfações:

- Não quis me contar do seu passado porque tem vergonha de assumir que você e o Feliciano tiveram um caso é isso? E ainda esse homem vem me dar um aviso para fazê-la feliz já que é um anjo que não merece ter decepções e ilusões.

- Alto lá de onde tirou essa ideia que eu e o Feliciano tivemos um romance? Ele é apenas um amigo que eu ajudo devido às más condições que ele vive como todos nós sabemos.

- Do jeito que ele fala de você, a sua vida é mais aberta a ele do que para mim, quando pergunto do seu passado você se esquiva, o que quer que eu pense?

- Se você não confia em mim, é melhor nem continuar esse namoro. Agora preciso trabalhar, mais tarde conversamos!

- Não temos nada para conversar, passe bem Milu!

Milu começa a chorar, vendo o homem que ama desconfiar dela e sabe que no fundo ele tem razão na questão de não contar da sua vida anterior. Ela resolve fechar a loja mais cedo e se recolhe num canto pedindo uma solução para aquele incidente.

Jurandir que também está infeliz com o incidente, encontra a filha em casa e procura consolo nos braços dela:

- Elisa eu e Milu rompemos! Tudo porque ela não quis se abrir comigo a respeito da vida passada dela e ainda tenho que ouvir do Feliciano que tenho que fazer a Milu feliz porque é especial e um anjo que não merece passar por sofrimentos. Só me levou a crer que ela não quis me contar do passado, que isso tem haver com um suposto caso deles e fui lá tirar satisfações com ela. Acabamos discutindo, colocando um ponto final na nossa história e nem dei chances para ela se explicar.

- O ciúmes o cegou, meu pai. O senhor ama dona Milu, o que tiver que tenha acontecido na vida dela já foi e agora ela está, ou melhor estava, de compromisso com o senhor, vai procurá-la e peça perdão! 

- Elisa é isso mesmo que eu vou fazer, obrigada minha filha por abrir meus olhos!- Jurandir beija a testa da filha em sinal de agradecimento.

Jurandir ainda estava inconformado com toda situação que armou com Milu por ciúmes, Deus como ele podia ter feito tal coisa, não acreditava que tinha sido capaz de falar tudo aquilo para ela, ele foi até a casa dela pensando como iria se desculpar. Quando chegou a porta daquela casa que conhecia muito bem, parou um segundo a mais para pensar no que dizer, o furin da casa de Milu balança de modo frenético como vento, e mesmo do lado de fora tudo ali tao ela, ele por fim criou coragem e bateu na porta, ela não atendeu, bateu de novo e desta vez chamou o nome dela, pareceria que sua caminhada até ali tinha sido em vão, ele estava começando a se afastar da casa quando ouviu a porta ser destrancada, ela saiu , e mesmo naquela situação ele apreciou sua beleza por alguns segundos, perguntou enfim:

- Será que podemos conversar?

- A que veio até aqui Jurandir?

- Por favor Milu me deixa entrar para pelo menos dizer tudo que pensei vindo até aqui.

Ela não disse nada, apenas fez um jeito para permitir a passagem dele mesmo estando encostada na porta. Milu fechou a porta, olhou para ele, e ele estava admirando tudo ali, aquele cheiro maravilhoso dela, como ele pode ser tão burro em desaponta-la. Os dois não conseguiram falar por alguns minutos, mas ela tomou iniciativa:

- O que quer em minha casa?

- Eu pensei muito depois que sai da Cristalina, conversei com minha filha, me acalmei e percebi o quão idiota eu fui, por um minuto o ciúmes me cegou e...

- Para, nem continua se foi para isso que veio, você me magoou muito, terminou comigo na primeira oportunidade...

- Milu me escuta...

- Não me escuta você, acha que vou te desculpar toda vez que for rude comigo? Toda vez que achar que um homem que fez parte do meu passado...?

- Não eu não farei mais isso, Milu eu sei que é fácil prometer, mas normalmente cumpro tudo aquilo que prometo, Milu eu fiquei triste por não querer compartilhar comigo quem você foi no passado, mas eu percebi que o passado não importa, só nós, no presente.

Milu cruzou os seus braços sobre o corpo tentando manter todos os sentimentos guardados para ela mesma, pensou ao dizer:

- Eu te disse sobre o valor do presente e você não quis me escutar.

- De fato naquela hora eu não teria escutado nada, mas Milu olha para mim, eu sei que você sente mais do que posso dizer, toque meu rosto...

Ela fez isso, tocou o rosto dele e seus corpos já estavam em chama, a ausência do outro fez esse calor ser ainda maior, ele a pegou pela cintura e a trouxe para perto dando-lhe um beijo com muita paixão, ela correspondeu o beijo na mesma intensidade, Jurandir já havia tirado a camisa dela e agora passou a tirar a própria camisa, não podia perder mais tempo sem ela, sem tê-la para si, nesse momento Milu indicou o sofá para Jurandir e ele se sentou, ela não perdeu tempo e sentou em seu colo, beijando seu pescoço, seus lábios, mas Jurandir não queria mais joguinhos, segurou Milu e a levou para o quarto, onde se amaram com desespero do outro.

De manhã quando Milu despertou viu Jurandir sentado na cama a observando dormir:

- Bom dia meu amor, você fica linda dormindo.

- Dormindo pode até ser, mas com essa cara de quem acabou de acordar duvido.

Eles sorriam um para o outro, Jurandir se aproximou e tocou os lábios dela com carinho. Ela segurou as mãos dele e disse:

- Vou te dizer tudo sobre meu passado, e assim se quiser ficar comigo depois de contar tudo ficará sem sentir enganado.

MILUDIROnde histórias criam vida. Descubra agora