Capítulo 2 - Totalmente Ferrados

210 14 2
                                        

Meu couro cabeludo está fazendo cócegas. Deus, o que é isso? É... é alguém puxando meu cabelo?


Eu só quero dormir. Por que não me deixam dormir?

Uma mão acaricia o meu rosto, alisando meu cabelo para trás. Toques carinhosos que me tiram daquele lugar repousante que eu gostaria de voltar.

Eu franzo meu nariz e tento me afastar. Meu corpo está pesado. Drogado. Minha boca está como algodão seco. Consciência lentamente brota em mim e percebo que minha cama está mais suave do que o habitual.

Os lençóis debaixo de mim também.

A mão volta. Eu tremo quando sinto um polegar deslizar em minha bochecha. No fundo da minha mente, eu processo que existe um pulsar maçante na minha cabeça.

Um martelar, minúsculas punhaladas de dor, seguido pela queimadura ligeira na parte de trás do meu couro cabeludo. Um pulsar que temo que vá se transformar em uma enxaqueca se eu acordar.

Não quero acordar. Algo está me alertando que é melhor eu ficar no escuro.

O escuro é mais seguro. O escuro é reconfortante. No escuro você pode se esconder da realidade. Eu posso me esconder dele.

Esconder-me de coisas que quando estou acordada não fazem sentido.

Quase como se meu pensamento o conjurasse, eu ouço sua voz me chamando. Parece que ele está tão longe, muito longe.

—Valu. Abra os olhos, boneca.

É ele. Meu melhor amigo. Um homem que eu amo quase como um irmão. Mike. Acordada, eu amo estar com ele. Gosto de passar tempo com ele. É muito mais simples e inocente quando estou acordada. Seu papel em minha vida é definido. É claro.

Mas nos meus sonhos...

Não entendo por que me sinto diferente em relação a ele em meus sonhos. Não faz sentido.

É por isso que eu corro dele quando eu estou sonhando. Fujo e me escondo. Por isso eu me afasto do som de sua voz agora.

—Não seja teimosa, amor. Estamos em uma profunda merda.

Eu sou agarrada. Levantada. E forçada a me sentar como se fosse um mero boneco. Em seus braços, eu estou sem peso.

Minha cabeça começa a rodar.

Eu gemo, apertando os olhos fechados quando a náusea faz seu caminho até a minha garganta. —Eu vou vomitar.

—Respire para mim. — Aquela mão grande e quente desliza por baixo do meu cabelo até minha nuca. —Abra os olhos. Essa sensação vai passar. Isso também aconteceu comigo. — Ele massageia a base do meu pescoço, seus dedos da mão cavando ligeiramente, e eu solto um gemido involuntário.

Puta merda. Mike realmente está aqui comigo? Por que ele está no meu quarto?

Abro um olho, sibilando com a luz brilhante.

Preto. Roxo. Seda. Couro. Veludo.

Mas.

Que.

Porra?

O choque me faz esquecer tudo sobre minha dor de cabeça e meus olhos voam abertos. Um suspiro fica preso na minha garganta enquanto olho cada polegada do quarto.

Estou em um quarto.

Não é meu. Não é dele.

Um quarto elegante e suntuoso, com espreguiçadeiras, uma lareira, um candelabro e uma cama enorme.

Encurralados  Histórias para pegar e não largar. Descubra agora