O crepitar de um rádio preenche o silêncio do quarto. Ele é recebido pelas respirações duras de Mike. Uma pequena sinfonia de sons distorcidos torna o silêncio assustador.
Por horas estivemos aqui com nenhuma ideia do motivo de nosso sequestro. Não há instruções. Só palavras, frases gravadas nas paredes como avisos do que está por vir.
Estamos aqui para servir a quem? Eles. Ou um ao outro.
Há um conjunto de alto-falantes em cada canto deste quarto. Quatro paredes, nenhuma fuga. Sem janelas, e a porta está oculta de alguma forma. Não está visível a olho nu.
O som de alguém respirando segue um barulho de crepitar e isso me aborrece. É áspero e alto.
Meu coração bate em meus ouvidos. Não consigo parar de ranger os dentes, e a ansiedade da nossa situação envia respostas fisiológicas ao meu corpo em um excesso de velocidade.
Meu Deus. E se eles nos deram uma droga que pode eventualmente nos matar? Não posso dizer se minhas reações estão normais ou não. Tudo parece fora de sintonia.
Mais sons seguem, sons mais ásperos. Ouço algo como o som fraco de umidade. Pelo que sei pode ser água, mas tenho medo de pensar muito sobre o fato.
—Mike... — Eu sussurro, minha pele se arrepia, e o medo se instala em meu estômago. Imagens deslizam atrás de minhas pálpebras agora fechadas e cada uma é pior do que a anterior. E se eles...
—Pare com isso. — Mike comanda como se pudesse sentir o tipo de buraco de coelho que minha mente está vagando. —Eu vou te proteger. Confie em mim.
Um gemido baixo soa, e em seguida um áspero exalar vem do sistema de som, com isso meus olhos se abrem. Olho para o Mike com os olhos arregalados, uma sensação de medo correndo através de mim. Os olhos dele estão nos meus, a preocupação clara como o dia, mas ele continua em silêncio. Mudo. Ainda como uma estátua, com exceção de sua mão.
Dedos magros sinalizam silenciosamente, me dizendo para eu me aproximar.
Exigindo que eu vá até ele. Para escutar e confiar.
Eu hesito consciente da reação ainda batendo no meu corpo e no dele. Meus mamilos apertam novamente. Pressionam contra o material do meu sutiã, a carne rosa ligeiramente visível sobre o sutiã baixo.
Constrangimento faz minhas bochechas corarem. — Talvez seja melhor se eu...
—Valu, por favor. — Mike mexe os dedos. Suas palavras são suaves, e ainda assim o tom dele não deixa margem para discussão. —Vem cá.
Antes de eu dar um único passo mais perto, o barulho cessa e uma voz feminina e distorcida ecoa. —Meus pequenos animais de estimação estão acordados.
—Quem é você? Por que estamos aqui? — Mike dispara e eu continuo congelada. Ele percebe isto e caminha até mim, me abraçando firmemente. —Responda-me!
—Você não está em posição de exigir nada. — O tilintar do gelo em um copo ecoa pelo alto-falante. O gole ganancioso soa desagradável, sujo, e eu me aproximo mais de Mike.
Peito a peito.
Seu pau duro contra a minha barriga, seu piercing arrastando contra minha pele.
—Você está aqui para o meu prazer e somente o meu. Aprenda. Viva isso. Aceite isso.
—Por favor, deixe-nos ir. — Virando a cabeça do seu peito, olho para o outro lado da sala na direção do alto-falante maior. —Não vamos...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Encurralados
RomanceValentina Zenere e Michael Ronda acordam presos em um lugar totalmente estranho, logo eles concluem que foram sequestrados. Valentina Eu acordei em um quarto escuro. De repente, há uma voz que vem através dos alto-falantes, dizendo que nós fomos e...
