Capítulo 17 - Mais mortes e jogos mentais

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Valu


Três horas antes...

Consciência se aproxima das bordas da minha mente. Ela está me chamando. Exigindo que eu tome nota de que algo não está certo.

Alguma coisa está fora.

Lentamente eu desperto... e meus sentidos pegam algumas mudanças sutis.

O quarto parece pesado, consumido por uma nuvem escura que sinto à minha volta.

É estranho. Minha pele arrepia, a atmosfera dentro destas quatro paredes é sufocante. Como se alguém estivesse me observando.

Nos observando.

Não que não estamos sempre sob vigilância, mas isto é diferente de alguma forma. Mais invasivo.

Literalmente eu sinto a presença do mal sentado aos nossos pés.

Invadindo nosso sossego para seu prazer doentio.

Então isso me bate outra vez.

Como fomos levados. Como eles nos apagaram com uma droga dentro da nossa água.

Todas as vezes que fomos drogados foi uma demonstração de poder sobre nós. De certa forma, eles querem mostrar que nós não somos nada mais do que propriedades deles. Um objeto.

Mas desta vez...

Jesus, eu choramingo internamente. Aperto meus olhos enquanto desejo que meu corpo não se mova. Não quero que eles saibam que eu estou acordada.

Alguém faz um som baixo em sua garganta e está mais perto do que eu imaginava. Correntes chocalham e ouço um movimento de arrastar os pés. Mais perto. Uma cadeira raspa no chão e depois para.

Um dedo estala.

Porra. Porra. Porra.

Novamente as correntes fazem barulho contra o chão e depois o silêncio.

Não consigo respirar. Meu peito sente como se ele estivesse desabando sobre si mesmo e os lençóis fazem barulho com meus movimentos exagerados. Não importa quanto ou quão profundo inspiro, não consigo ar em meus pulmões.

Ao meu lado, Mike se desloca. Ele remove sua perna das minhas coxas e deita de barriga para baixo. Perto o suficiente que eu posso sentir cada exalação sua no meu pescoço, mas o homem desconhece nosso entorno. Os monstros a meros passos de distância.

Eles estão mais ousados. Eles não estão mais nos dando a ilusão de um limite entre nós.

Quase invejo que ele está dormindo, mas prefiro que seja eu do que ele. Ele reagiria violentamente, como uma cobra encurralada pronta para atacar qualquer coisa dentro de alguns pés de distância de mim.

Outro movimento e uma garganta sendo limpa, o som é áspero. Abrasivo. Como se a pessoa não tivesse usado sua voz há muito tempo.

Quem é? Jacques ou Clarice?

Ambos parecem sair dos meus medos. Focar mais em mim do que Mike.

—Por favor, pare. — Oh Deus, eu conheço essa voz. Está baixa e rouca, mas é a Delfina e ela está aqui. Esse som não vem de um alto-falante ou uma TV.

Imediatamente eu sento, procurando ela. Porém, minha alegria se transforma em terror no momento que nossos olhos se encontram.

—Delfi. — Eu sussurro engolindo o caroço em minha garganta com a visão dela. Sangrando e de joelhos, ela está usando uma coleira em seu pescoço, e uma corrente de metal em torno da sua mão. E há uma mão descansando no seu pescoço com uma adaga rústica.

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