Capítulo 20 - Leilão

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Valu


De cabeça erguida, seguimos Agnes por um longo corredor. É iluminado a cada poucos metros em uma linha perfeita nas paredes de veludo amassado. Vermelho e ouro, uma mistura perfeita de opulência erótica.

O chão sob nossos pés é escuro. Eu me arrisco a dizer de madeira pelo barulho que meus calcanhares fazem neles. Luzes fracas se ajustam a uma vibe sensual durante a captura dos tons de joias na minha fantasia, a tornando chamativa.

O que nós representamos dentro desses trajes ridículos é ostentação. Nós somos o que eles querem.

Uma beleza sendo servida para a besta.

Essa donzela delicada. Desprotegida, a sua mercê.

Esta é a minha penitência por recusar o amor por tanto tempo.

E isso está bem. Estou pronta. Eu vou levar o seu amor e cada emoção escura. Cada segundo com ele é precioso e sagrado.

Que se fodam por pensar que ele é um castigo. Meu Mike é leve e bom. Ele é a vida. Pureza em sua essência mais básica.

E por ele eu vou lutar. Matar. Sobreviver.

No final do corredor há uma porta de madeira maciça. Do chão ao teto é cheio de detalhes intrincados. Parece importado. Em qualquer outra situação, eu me arriscaria a dizer bonito.

Uma figura solitária está diante dela, seu smoking todo preto, um tema eu presumo, e usando uma máscara como sempre. Todos usam uma.

Este pensamento passou pela minha mente algumas vezes.

Por que escondem seus rostos quando estamos destinados a morrer? O que há para esconder?

Medo?

—Boa noite, Sra. Agnes. — Raoul se inclina na cintura com uma reverência ao lidar com ela. É o máximo que já o ouvi dizer. Sua voz é áspera por falta de uso, profunda. Horripilante.

A máscara de Raoul também é branca, mas distinta, com linhas coloridas em áreas específicas. Vermelho, azul, amarelo e verde, um assassino bem-humorado.

Deus, o meu peito se aperta em seguida. Paramos a quatro passos do homem que acabou com a vida de Delfina, e não consigo controlar o desgosto na minha expressão.

Eu vou matá-lo. Ele é a minha missão final.

—Raoul, tão bom te ver. — Agnes o cumprimenta com um aperto de mão delicado. Se notaram a raiva irradiando dos meus poros, eles ignoraram. Em vez disso, eles agem como se eles não se vissem há anos, em vez de horas. — Estamos todos prontos? Os mestres chegaram?

Ele acena, o topo pontudo do chapéu dele balançando um pouco. —Tudo está como programado.

—Bom. Bom. — Com o rosário na palma da sua mão, ela traz a mão até seus lábios e aguarda enquanto ele a beija. Lambe a essência vermelha do sangue das contas.

Eu engasgo, mas fico em silêncio ao lado da minha rocha.

Por um segundo, meus olhos piscam para Mike, e ele está apertando sua mandíbula, olhando para eles com nada além de ódio.

Apertando a mão dele, chamo a sua atenção. Ele percebe, seus olhos amolecem de uma só vez enquanto eu mexo minha boca sem voz, lute por mim.

Sempre. Ele acena e vira outra vez. Esperamos em silêncio enquanto Agnes se afasta e pede que ele abra as portas.

Outra reverência de Raoul e ele puxa as alças douradas, nos dando o nosso primeiro vislumbre do que está dentro.

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