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Das trevas para a luz (parte 2)

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A mente entorpecida e confusa despertava lentamente, repetindo em flashes de memórias as cenas ocorridas na noite anterior, durante sua transição. Naquele instante, enquanto forçava abrir seus olhos contra a claridade do sol, fazendo-os cintilarem como as águas inquietas do rio, Robin levava sua mão direita à nuca, que doía quase como um alarme de que batera fortemente a cabeça, porém, tinha consciência de que não a havia batido.

— Alice! — exclamou, levantando seu tronco da grama sobre o solo, lembrando-se do evento que ocorrera noite passada.

— Robin... — Zelena chamou-a, acariciando o rosto, percebendo que sua prima procurava alguém dado o desespero ao olhar em sua volta.

— Prima, Zel, não viste Alice? — indagou.

Em sua memória, embora não recordasse de quase nada daquela noite, lembrava-se perfeitamente da jovem loura que estivera ao seu lado, sem soltar sua mão uma vez sequer.

— Robin, cheguei minutos antes do sol nascer... Deixei-te entre as regiões mais próximas de Brasov, próximo ao antigo castelo, lembra-se? — a mais nova, então, assentiu positivamente a cabeça. Estavam entre as regiões mais afastadas de Bucareste. — Cheguei ao local em que te deixei... No entanto, as correntes estavam arrebentadas, e apenas teu arco e flecha estava lá, mas os trouxe comigo.

— Onde estamos?

— Ao redor de Bucareste. — respondeu prontamente, recebendo o olhar espantado de Robin.

Arrependida por não ajudar a prima nas últimas semanas, Zelena abraçou-a fortemente, deixando-a confusa.

— Vamos para casa, hm? — sugeriu, enrolando-a com um tipo de cobertor, afim de aquecê-la e cobrir o corpo deveras exposto, por conta das vestes se rasgarem na transição. Logo, tentou ajudá-la a guia-la novamente para o caminho da cidade.

A trilha estreita mostrava-lhes o caminho correto para retornar à cidade grande, mas a partir daquela noite seu lar era a floresta. Seria o único local seguro para si mesma, e ela mesma possuía uma cabana não muito distante do Castelo de Bran. Observando minuciosamente o estado em que se encontrava, Robin paralisou.

— Robin, minha prima, o que houve? — indagou Zelena West Mader.

Robin voltou o olhar para trás, para a floresta enorme, que cercava as diversas cidades, povoados e vilarejos.

— Meu lugar não é em Bucareste, Zel. — respondeu, fitando o olhar confuso da ruiva. — A floresta... A antiga cabana da família, abandonada no meio desta floresta, é o lugar mais seguro para alguém como eu.

— Não posso abandona-la mais uma vez! — abraçou-a outra vez, num pedido de desculpas, torcendo para que a loura a perdoasse. — Irás me deixar pelo erro que cometi? Robin, deus, eu me arrependi profundamente de tê-la largado quando tu mais precisaste, principalmente por saber que estás assim por minha culpa. Perdoe-me!

Ela riu.

— Pares de ser boba, Zel! — fingiu dar uma bronca, fechando os olhos e erguendo o queixo. — Imagines o que achariam aqueles bárbaros ao me avistarem saindo assim da floresta. Seria uma sentença de morte! — levantou a face da ruiva com o dedo polegar, fazendo-a olhá-la nos olhos. — Nunca estaria com raiva de ti, minha prima. Eu... Só preciso estar no meu lugar, que, a partir de agora, é a floresta, longe das outras pessoas. — a ruiva assentiu em compreensão. — E preciso encontrar alguém.

— Deixe-me ver... — posicionou a mão esquerda segurando o queixo, fingindo pensar. — Essa tal Alice? Quem é essa moça, hm?

— Isso que quero descobrir, Zel, quem poderias ser? Tudo que sei é que Alice é uma vampira. — Zelena piscou os olhos três vezes ao ouvir aquela afirmação. Robin, caçadora de vampiros e seres sobrenaturais, agora tornou-se amiga de uma vampira? — Tudo o que me dissera é que possuía duas mães, e parece que teve uma longa vida, uma vez que mencionara conhecer e presenciar diversas vezes a transição tanto para o vampirismo, quanto para a maldição do lobo.

Into The MoonlightHistórias para pegar e não largar. Descubra agora