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Armadilhas (Parte 2)

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Anoitecer...

A semana do lobisomem passara rapidamente, dando início às noites mais calmas e sem perigo de ser atacado abruptamente por enormes lobos sob a luz do luar. Em contrapartida, humanos jamais estariam cem por cento seguros, pois o único perigo apresentado após o término da lua cheia é o dos demônios noturnos que se alimentavam de sangue.

A escuridão da noite trazia consigo um silêncio apaziguante nas profundezas da mata, exceto pelas tranquilas batidas dentro do peito da arqueira há metros de distância da vampira, que derrubou-a levemente, dando-lhe um susto.

Seus olhares profundos analisaram uma a outra, com um misto de um sentimento de amizade e lealdade. Robin conseguia sentir que poderia confiar naquela vampira, conseguia sentir que naquele coração parado ainda havia o sentimento de amor. Entretanto era possível enxergar dentro dos orbes azuis que ela ainda não estava preparada para derrubar suas barreiras, embora ela tentasse.

— Estás em meu território! — Alice sorriu em uma expressão divertida, cruzando os braços e arqueando uma de suas sobrancelhas. — Estás em meu território e sabes que todos os intrusos são mortos.

— Exceto eu! — soltou uma leve gargalhada ao receber o braço de Alice para levantá-la. — Sinto-me lisonjeada por isso.

A lobisomem curvou seus lábios em um sorriso discreto ao perceber o olhar da loura em uma trilha que a arqueira criara pela mata. Dava passos silenciosos atrás da vampira, que vagava seu olhar azulado pelas altas árvores, pelos campos de borboletas azuis ao sobrevoarem sobre suas cabeças, ao caminhar sorrateiramente sem fazer um barulho sequer. Ato que fazia Robin se perguntar onde aquela mulher aprendera a andar tão cautelosamente, camuflando-se ao som daquela floresta, quase como se fosse seu habitat.

— Acho que estás indo até minha casa... — Robin sussurrou, fazendo a loura se virar inesperadamente, olhando seus olhos em centímetros de distância.

— Moras na floresta? — perguntou com seu olhar percorrendo cada canto da face da arqueira, franzindo o cenho. Observara a outra loura assentir de olhos fechados, como se estivesse contemplando aquele momento em que as pequenas borboletas voavam baixo, momento em que suas faces encontravam-se centímetros de distância. — Por quê? De quem estás fugindo a ponto de morar no meio de uma floresta?

— Bem, agora sou um monstro para a sociedade. — deu de ombros, sorrindo curto. — Ser diferente no meio de tantos humanos acaba levantando suspeitas... E aqui não me sinto tão solitária. Acabei descobrindo que não sou a única que se esconde na floresta.

— Florestas são bons esconderijos quando se é um fugitivo. — respondeu silenciosamente, abaixando a cabeça e dispersando seus pensamentos. Pensamentos nos quais a levavam para toda sua infância, escondida em uma torre no meio de uma floresta, com medo de ser encontrada por todos os que a queriam morta. — Entretanto, deves ser um fugitivo que a conhece bem... Que consegue falar com a natureza, ou podes acabar fazendo barulho e atraindo todos os que estão atrás de ti.

Outra vez, o movimento de Alice se virando para continuar sua caminhada pegou a arqueira de surpresa. Os curtos cabelos cacheados chacoalharam em sua frente, fazendo-a analisar quão belos eles eram, como se escondiam tão bem dentro da longa capa vermelha. Como os passos eram bem calculados sem ela ao menos precisar olhar para o chão, sem causar som que anunciasse sua presença.

— Deverias me ensinar a andar assim, sem fazer som algum. — suspirou.

— Não é todo mundo que consegue aprender. — disse sinceramente, não lhe dando muita esperança. Ela aprendera tudo aquilo por ter se habituado em fugas desde seus quatro anos de idade, por ter sido uma espiã por um curto tempo de sua vida, por todos os séculos que vivera. — Mas prometo tentar te ensinar.

Into The MoonlightHistórias para pegar e não largar. Descubra agora