Romênia – 1889
Traumas, quando ocorridos em nossas vidas, criam cicatrizes que jamais podem ser removidas. Mancham fortemente a alma e o psicológico do ser humano, corrompendo-o de alguma forma. Regina, porém, não demonstrava sequelas visíveis causadas por tudo o que sofrera naquele porão da antiga capela; o que não significava que tudo não havia atingido a menina.
A escuridão transmitida naquele recinto fazia-se presente durante toda a parte de seus dias, como se jamais amanhecesse; o frio da tenebrosidade tomou lugar da sensação de calor da luz solar, e de seus feixes fracos e aconchegantes. O único feixe presente naquele âmbito fechado era o que adentrava por um minúsculo buraco que havia no teto de madeira no qual, consequentemente, acima, tornava-se o piso de madeira da antiga capela em que os antigos membros da ordem puniam seus infiéis.
– Regina, tu sabes por que estás aqui? – uma voz, até então, incapaz de decifrar pela jovem ecoou enquanto o mesmo avaliava-a. A jovem Mills respondeu que não com a cabeça, ao mesmo tempo em que tentava abrir seus olhos contra a luz da lanterna a fim de enxerga-lo.
Um recipiente com água foi dado em suas mãos, fazendo com que despejasse o líquido em sua boca, molhando sua garganta seca e saciando a sede. No entanto, mesmo que molhasse a garganta não seria o suficiente para deixa-la bem, pois o ar lhe faltava cada dia mais, e tudo o que conseguia aspirar era o incomodo cheiro de poeira acumulada.
– É chegada a hora de liberta-la, cara Regina... – dedilhou o rosto macio de sua cativa, observando sua beleza. O homem jamais quis lhe fazer mal, aliás, sempre vira a bela jovem frequentar as missas cobrindo seu rosto com um véu. Ela era irreconhecível, e incomparável era sua bondade. Sendo assim, durante os anos em que a mantiveram no porão da antiga capela, o mesmo tratava de não deixá-la definhar naquele lugar mesmo que tivesse que bater o pé com seus argumentos contra seus irmãos da ordem. – Antes, porém, gostaríamos de saber o que seus pais lhe disseram sobre a ordem.
– Ordem? – Regina olhou dentro dos olhos castanhos do padre, fazendo-o acreditar em sua feição desentendida. – Desculpe-me, mas meus pais jamais me contaram sobre ordem alguma. – uma série de recordações de conversas entre seus pais que escutara sem querer por de trás da parede vieram em sua mente. Às vezes era escutado aquele nome: Ordem do Dragão. No entanto, antes de perder os dois para a morte, nenhum de seus pais lhe disse o que significava aquele nome. – Manteve-me aqui por achar que eu sabia algo sobre essa tal ordem? Responda-me, por que ela é tão importante para ti?
O homem cujo usava vestes de padre, porém, escondia seu rosto num capuz engoliu em seco.
– Jamais quis lhe fazer mal, Senhorita Mills. – finalmente a jovem identificou a voz preocupada do padre que sempre esteve ao seu lado, assim como ao lado de seus pais. – Agora, por ora, te protegeremos até chegar a hora dos planos criados há séculos. Não podemos falhar desta vez... – analisou os lábios da moça, percebendo que faltava apenas a cicatriz para assemelhar-se inteiramente à Lana. Ergueu a cabeça da jovem enquanto, com a outra mão, segurava sua navalha que sempre levava consigo. – No momento certo, tu irás fazer tua parte do plano.
– Não irei ajuda-lo em quaisquer planos que seja. – vociferou.
– Agora tenho a absoluta certeza de que seus pais não lhe contaram sobre a ordem... Acho que para poupa-la de saber o que tu és. – ainda segurando a cabeça de Regina, ergueu a navalha, que refletiu junto ao feixe de luz, revelando o rosto do homem. – Regina, tu irás nos ajudar sem ao menos perceber. O plano foi escrito, e tua face é a prova de que tudo está prestes a acontecer.
– Padre... – balbuciou, sem encontrar palavras certas para pronunciar. –... Senhor Gold, tu me manteve presa aqui por todos esses anos? – numa velocidade impressionante a navalha encostou-se à boca da jovem, fazendo-a sentir o gosto de seu próprio sangue conforme o objeto rasgava profundamente a parte superior de seus lábios.
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Into The Moonlight
Fiksi PenggemarHá séculos condenado às trevas; condenado à uma solidão eterna. Adormecido por quase quatro séculos, continua a sentir tudo o que acontece ao lado de fora dos túneis de escavações. Desde que caiu sob sua terrível maldição, surgira também lendas sobr...
