Os orbes castanhos se abriam vagarosamente, acostumando-se com os feixes de luz solar que adentravam pelas janelas, iluminando gradativamente o local. Sua cabeça doía latejante, embora estivesse pousada sobre o macio travesseiro, fazendo-a soltar um leve gemido de dor e lembrar-se de ser golpeada no alto de sua cabeça, enquanto, naquele momento, sentia a fraca luz do sol queimar sua pele. Assustou-se ao ver que o sol já havia nascido e que aqueles homens levaram Regina durante a noite.
— Regina! — Ivy chamou, desesperando-se por estar em seu quarto e, ao tentar abrir a porta, perceber que estava trancada. Bateu fortemente na porta, insistindo desesperadamente em gritar outras vezes. — Regina! — gritou, porém, ninguém respondeu. — Mãe? Mãe, abra essa porta!
O silêncio predominou torturantemente naquele âmbito, exceto por perguntas e preocupações gritantes em sua mente, fazendo com que deslizasse as costas sobre a madeira da porta e caísse sentada no chão.
Regina Mills está em perigo! — sua mente insistia em relembrá-la disso, resultando em algumas lágrimas a mancharem sua face. Sentia-se inútil dado o fato de que estava armada e por hesitar em atirar, por não ter coragem de ferir alguém, perdera a mulher que tanto amava.
— Socorro! — gritou outra vez, depositando socos contra a porta de madeira de seu quarto, mas ficando um enorme período de tempo sem resposta alguma.
Com a palma de suas mãos enxugou as lágrimas e curvou seus lábios em um sorriso ao escutar o som de uma chave destrancando a fechadura e, em seguida, a porta ser aberta fazendo com que ela percebesse que era sua mãe. Não seria nenhuma surpresa se sua mãe houvesse destrancado a porta em outras ocasiões, mas aquela era deveras suspeita. Ivy havia gritado por quase uma hora, havia chorado a ponto de quase enlouquecer, e somente naquele instante sua mãe retornara para acalentá-la?
— Demoraste para me destrancar, mãe. — pronunciou-se imediatamente para disfarçar suas suspeitas sobre sua mãe. Entretanto, odiava o fato de pensar que ela seria cúmplice de tudo aquilo, fazendo-a se perguntar o que ela estaria ganhando em troca. Victoria Belfrey estava em casa durante a noite, junto aos outros moradores da pensão, e só aparecera para trancá-la em seu quarto? — Por quê me trancaste aqui?
Victoria, ainda em silêncio e com uma expressão séria em seu rosto, trancou habilmente a porta atrás de si, ato que Ivy ficara surpresa uma vez que a mais velha também carregava uma pequena bandeja em mãos.
— Estás desconfiada, Ivy? — Victoria perguntou com claro tom de repreensão, encarando ardilosamente a mais nova. Dava seus passos até o criado mudo próximo a cama, pousando a bandeja sobre ele. — Estavas desacordada no topo da escada, minha filha. — Victoria Belfrey respondeu ríspida, olhando-a por cima do ombro.
— Não seria mais prudente ter chamado um médico ao invés de trancar-me? — a morena indagou, atentando-se a resposta de sua mãe. Torcia para que Victoria não tivesse envolvimento com o rapto de Regina, e que ela a ajudasse a encontrá-la.
Observou Victoria Belfrey virando-se totalmente de costas, inclinando-se para entornar um chá de cor vermelha – que costumava fazer – em uma xícara de porcelana branca, a mesma que sua filha tanto amava.
— Tome, querida. — desviou-se do assunto, mexendo com o talher, misturando um possível adoçante com o chá. Entretanto, por algum motivo, a jovem sentiu-se ameaçada e tentou controlar os pequenos tremores que institivamente seu corpo dava. — Nem que seja um único gole... Garanto que ficarás melhor após beber um pouco.
A mais nova virou o rosto, sentindo que sua mãe havia bufado com aquela atitude. Certamente ela não esperava uma recusa e desconfianças vindas de sua parte.
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Into The Moonlight
Fiksi PenggemarHá séculos condenado às trevas; condenado à uma solidão eterna. Adormecido por quase quatro séculos, continua a sentir tudo o que acontece ao lado de fora dos túneis de escavações. Desde que caiu sob sua terrível maldição, surgira também lendas sobr...
