Capítulo número 4

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Saí da máquina que nos tinha transportado e segui Toby até junto dos amigos dele.

Estavam quatro. Dois rapazes e duas raparigas. Depois das apresentações, sentei-me num dos troncos de madeira que lá estavam e, enquanto eles punham a conversa em dia, eu tentava memorizar os seus nomes e as suas respetivas aparências. Lucas tinha o cabelo ligeiramente comprido, preto com as pontas pintadas de vermelho. Uma pele muito branca, quase translúcida; tinha um aparelho em forma de meia-lua, com umas rodas dos lados, à volta do pescoço. O outro era Jacob, tinha um ar misterioso que me chamou a atenção. O cabelo era quase tão claro como o meu, mas podiam-se destinguir madeixas loiras algures. Os seus olhos eram intrigantes, azuis muito claros, e deixavam transparecer uma impressão de que tinham mais do que uma cor, de que escondiam algo. Entre as raparigas, uma chamava-se Clarissa, com cabelos castanhos, nariz arrebitado e óculos redondos e a outra Lilian. Esta última, estava sentada a meu lado, por isso pude perceber melhor as suas feições. Cabelo ruivo e com volume e olhos castanhos claros. Ela transmitia a toda a gente uma paz libertadora e agradável.

Estava a pensar neles, enquanto conversavam animadamente, até que o rumo das atencoes se virou para mim. Todos fizeram perguntas sobre a minha vida e a minha adaptação, à excepção de Jacob. Este permaneceu a observar a fogueira, distraidamente. As sombras que o fogo provocava no chão e nas pessoas eram engraçadas e ele podia estar a observa-las. Ou talvez não se apercebera do rumo da conversa, ou esteja a evitar o assunto.

Lilian falava comigo como se me conhecesse desde sempre. Era boa aquela companhia.

- Tu tens onde ficar enquanto não voltares para casa? - perguntou ela num tom de voz mais baixo, para que os outros não ouvissem.

- Não, mas eu arranjo-me em qualquer lado! - respondi eu.

- Sabes, eu aluguei um quarto perto da faculdade. E estou lá sozinha, o que é uma grande monotonia! Tu podias ficar a dormir lá, comigo! Assim ficavamo-nos a conhecer melhor!

Eu estaquei completamente. Era uma boa ideia. Eu ainda nem pensara num lugar onde ficar!! Mas assim tinha que dar justificações para as minhas escapadas e eu tinha de acabar a missão.

Acabei por concordar com ela. Mais tarde inventaria uma desculpa para os desaparecimentos súbitos que eu sabia que iam acontecer.

Começou a ficar tarde, mas nós continuavamos a conversa pela noite a dentro. Tinhamos comido qualquer coisa que o Lucas e a Clarissa tinham trazido e depois a fazer jogos de palavras inventados na hora.

Clarissa tinha me emprestado uma genero de farda confortável. Umas calçase uma camisola. Ela disse que tinha sempre roupa supelente à mão por causa da natação. Se eu soubesse o que ou quem é a natação...

Quando os alertei para as horas, já era uma da manhã. Lucas, Jacob e Clarissa foram indo embora em suas próprias maquinas. Lilian entrou na sua e ficou à minha espera. Antes de me ir embora, queria me despedir de Toby. Ele olhava-me pelo canto do olho. Eu aproximei-me e ele perguntou quando me voltaria a ver outra vez. Uma onda de tristeza invadiu-me. Eu não fazia ideia de quando seria a próxima vez que o ia ver. Ele pegou na minha mão e deixou um pequeno papel com uns números escritos. Olhei para aquilo e guardei nuns buracos que tinha no lado das calcas.

Olhei para ele uma última vez.

Depois entrei no "transportador" da minha nova amiga. Lembrei-me de como Toby o tinha feito e repeti-o. Dentro da máquina de Lilian estava calor. Chegamos ao quarto alugado rapidamente. Andei desajeitadamente até à porta e entrei. Era um quarto pequeno, mas acolhedor. Havia muitas coisas lá expostas. Um retângulo preto, que me assustou quando apareceram seres pequenos lá dentro, um pedaço de pano redondo que envolvia algo que se acendia e iluminava o compartimento e até um estranho e comprido objeto preto, confortável, onde ela perguntou se eu me importava de dormir aí.

- Não te importas de dormir no sofá certo?! - perguntou ela.

- Claro que não me importo de dormir no sofá - carreguei na palavra desconhecida. Era a primeira vez que a dizia. Ela lançou-me um olhar surpreendido, mas satisfeito.

Deixei-a ir dormir primeiro. Depois, abri a porta devagarinho para a espreitar. Ela estava deitada num género de tábua, que devia ser confortável, pois ela parecia gostar de dormir ali. Reparei na maneira como ela se deitou. Depois fui emitar para o tal sofá.

Olhei para o teto branco do quarto. Pus-me a pensar no que se tinha passado hoje. Nos amigos que fizera. No meu Reino que dependia de mim. Na minha família que devia estar preocupada comigo e com a minha capacidade de enfrentar esta missão. No Toby. Porque será que ele ficou comigo? Se ele me conhecesse e soubesse quem eu sou realmente, talvez se apercebesse que o meu mundo é, para ele, perigoso e a minha missão encolve riscos para mim e para as pessoas que me redeam. Eu não podia ser tão próxima dele. Se continuasse, esconder a verdade ia ser mais dificil, e a despedida ia ser mais dura.

A pensar em tudo isso, adormeci num sono profundo e reparador.

Aline, Destino Imprevisível Histórias para pegar e não largar. Descubra agora