Acordei tarde, na mesma posição com que tinha adormecido. Segundo Lilian era domingo. O fim-de-semana era ideal para as investigações de que necessitava.
Não sabia bem onde começar, por isso fui dar uma volta pela rua. Passei pelo liceu onde teria de frequentar a partir do dia seguinte e fiquei a observar. Tudo era diferente na terra. As pessoas, as paisagens, os lugares.
Sentei-me num escondido banco de madeira, que se encontrava à sombra de uma árvore de copa larga, num pátio perto da escola. Ali de baixo estava fresco e arejado. Um pequeno pássaro sobrevoava os ramos por cima da minha cabeça, cantando incansavelmente as suas melodias de animal. A natureza era diferente! Os pássaros agitados faziam-me lembrar os peixes pequenos que viviam connosco, nas nossas pequenas casas, na vastidão do oceano. Uma borboleta pousou no assento a meu lado, distraindo-me com a sua cor pálida e tranparente. Levantei uma mão para pegar na criatura, mas ela fugiu, voltando a voar e a bater as leves asas como inseto que era.
Estava entretida a observar as coisas que se passavam à minha volta, até que avisto nas ruas desertas, uma pessoa, com passo acelerado. Via-se apenas claramente, o seu cabelo branco como a neve. Levantei-me desenfreadamente e percorri as ruas, veloz como nos tempos de cauda e guelras. Virei na esquina, como ele o tinha feito e apanhei-o à espera de passar num piso com listras brancas e pretas, alternadas.
Olhei-o intrigada. Só conhecia sereias com o cabelo tão claro como o meu e o dele. Sabia que não era pintado como o do Lucas, poque se fosse eu conseguiria senti-lo.
Ele deixou caír algo das suas mão e logo acorri para apanhar o objeto por ele. Ele não contava com o meu movimento - nem com a minha presença - por isso abaixou-se também. As nossas cabeças colidiram. Ele apanhou o que cairá antes de eu conseguir ver sequer o que era. O seu cabelo, quando ele se levantou, mostrou as suas orelhas que sempre estiveram escondidas. O meu olhar fixou-se nelas e ele reparou. Depois olhei nos seus olhos azuis. As evidencias estavam todas à vista. Como não tinha reparado antes? A sua forma de evitar falar sobre o meu passado, os cabelos platinados, os olhos claros e agora, as orelhas bicudas! Jacob era um tritão.
Ele olhou-me mal encarado e atravessou a rua sem olhar para trás, sem rodeios. Eu segui-o. Tinha dúvidas e perguntas para lhe fazer! Porque estaria ele ali, se já havia uma sereia para se encarregar da missão? Foi por acaso que ele se tornou amigo de Toby, que me viria a conhecer? Porquê esconder-se de mim, se sou da sua espécie?!
Jacob começou a andar muito mais rápido, quase em passo de corrida. Tinha mais treino do que eu, provavelmente, porque não o consegui apanhar, mesmo forçando ao máximo a minha velocidade. Perdi-o de vista. Desisti então de andar atrás dele. Tinha algo em mente.
Dirigi-me até à praia, por aquilo que me lembrava do caminho. Tinha esperança que Toby estivesse lá a surfar. Estava certa. Quando me viu aproximar, largou a prancha que tinha na mão e saiu a correr da água. Ele estava surpreso. Cumprimentou-me com um abraço pouco chegado, pois ele estava molhado e eu não queria estragar as roupas que Lilian me emprestara para sair, hoje.
Meti conversa com ele e sentamo-nos na areia. Ele comentou que já estava a dar o último mergulho antes de ir embora, quando eu apareci.
- Conheces o Jacob há muito tempo? - perguntei-lhe tentando não parecer dar muita importância ao assunto.
- Não. Ele chegou na semana passada. Mas porquê o interesse?
- Nada, nada. Intrigou-me a cor do seu cabelo - inventei.
- Parece que vocês têm os mesmos gostos de cor para pintar o cabelo! - afirmou ele, com um tom de desinteresse nas suas palavras.
- Pois, claro - não podia dizer-lhe que a cor não era pintada.
Ele perguntou, ainda, se eu queria boleia para a casa da Lilian, mas eu neguei, com gentileza, a oferta. Ele foi andando, com a toalha ao ombro e a prancha debaixo do braço.
Olhei para o mar. O sol do meio dia estava mesmo por cima dele. Eu nunca estivera tão perto do calor do sol. No entanto, tinha saudades de nadar na água refrescante do oceano. Prometi-me a mim mesma que passaria por ali ao anoitecer, para poder nadar sem que ninguém me visse.
Prometido, cumprido! Eram dez horas da noite quente de verão. Desta vez fui preparada com roupa para mudar e uma toalha para me secar, que "pedi emprestada" da casa da minha amiga. Pousei as coisas na areia fina e entrei dentro de água. Estava fria. Eu gostava dessa temperatura. Mergulhei de cabeça e permaneci durante, aproximadamente, um minuto debaixo de água, com os olhos fechados. Quando os voltei a abrir, os meus cabelos estavam com o brilho ofuscante dos de uma sereia e em vez das pernas cansativas, estava uma cauda, a cauda azul, que me ajudava a movimentar com velocidade.
Comecei a nadar debaixo de água. A olhar para as algas e para os peixinhos, que eram iluminados pela luz da lua. Era noite de quarto crescente. Não podia estar ali se fosse lua cheia!
Depois de percorrer alguns quilómetros e ter voltado, sentei-me na rocha onde tinha saido de água pela primeira vez. Sentei-me, mas com a ponta da minha cauda a tocar na água, para não me tornar humana. Estendi a minha mão e elevei-a a cima da água. Imediatamente, um tubo de água formou-se e elevou-se, à medida que eu elevava também a minha mão. Era a primeira vez que ousava usar os meus poderes de controlar a água à superfície.
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Aline, Destino Imprevisível
FantasyOBRA COMPLETA! Aline é uma sereia. Cabelo platinado, olhos verdes, orelhas bicudas e uma cauda azul. Ela é escolhida para ir numa missão com vários riscos, na terra. Tem de encontrar o Coração do Mar, que fora roubado ao Rei dos oceanos, pelo se...
