Capítulo número 11

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- Estou? - a voz dele estava aflita.

- Toby! Eu... desculpa.

- Aline? És tu? Eu tenho que falar contigo! É urgente! - falava ele, quase a gritar - vem ter comigo amanhã depois das aulas, nos bancos perto da escola.

- Está bem. Desculpa - voltei a dizer, mas Toby já tinha desligado a caixa mágica com a voz das pessoas lá dentro.

Não voltei a ver Lilian nesse dia. Depois do banho ela foi diretamente para o quarto.

Não conseguia dormir nessa noite. Pensava em tudo o que me tinha acontecido. Theodore, o aquário gigante, a minha missão, Jacob. A minha cabeça parecia prestes a explodir de dores. Quando finalmente, depois de algumas horas a cobrir-me e a destapar-me, ora com frio, ora com calor; sonhei com o sol a pôr-se na água no dia em que conheci Toby.

Acordei mais cedo do que a minha companheira e saí cedo, deixando-lhe um recado a avisar. Fui dar uma volta por aí. Talvez descubrisse algo sobre o paradeiro do homem que me tinha apanhado no dia anterior. Provavelmente tinha mudado o centro das suas operações do mal, e, principalmente, o lugar do esconderijo do Coração do Mar.

Cheguei até à beira do portão da escola, e encostado às grandes de ferro, estava Jacob, com o seu cabelo esvoaçante. Aproximei-me. Ele devia estar a contar que eu aparecesse, porque assim que me viu veio a correr na minha direção. Afinal não.

- O que estás aqui a fazer? Tens de te ir embora já! - disse ele num tom zangado e a querer gritar, apesar de sussurrar.

- O que se está a passar? - perguntei, enquanto ele me arrastava para um local longe dali - é algum rapaz que eu não conheço? - disse em tom de gozo.

Ele não estava para brincadeiras e não ligou ao que eu disse. Apenas deu como justificação que se ia passar ali uma coisa importante e que tinha a ver com a missão.

- Então vou ficar contigo! - disse eu

Ele olhou para mim por uns segundos, em silêncio - Eu não te volto a pôr em risco. Vai para casa.

- Eu pensei que só me ias direcionar para o caminho certo, e não fazeres a missão por mim! Eu fico e acabou a conversa!

Ele voltou a olhar para mim. Depois de ter percebido que eu não ia ceder, levou-me para trás de uns arbustos perto do local onde ele estivera encostado, à espera de algo acontecer.

- O que é que se vai... - tentei perguntar o que se passava, mas ele meteu uma mão na minha boca, para me calar e um dedo em frente à sua, em sinal de pedir silêncio. Os seus olhos estavam arregalados e os ouvidos prontos para escutar qualquer coisa, se preciso. De repente, apareceram dois homens à frente da secundária. Não eram os mesmos de ontem. Estes tinham um ar mais sério, que metia mais medo, já para não falar da rubustez dos seus corpos de gorila!

Eles falavam baixo, e sempre um a olhar para os lados, para confirmar que ninguém estava por perto.

- Toma a carta com as informações. É melhor por escrito, porque pode sempre estar alguém à escuta - disse um deles.

O outro pegou no papel e leu-o rapidamente - os seus olhos passavam pelas frases escritas tão rapidamente, que parecia apenas estar a finjir ler. Depois levantou a cabeça e disse:

- Como é que eu chego à praça, se não tenho carro?

- Eu apanho-te. Lembra-te da hora, não faças como da última vez, que era às duas e tu pensavas que era às três e do dia seguinte! Não te confundas! Agora é sete e não oito.

- Eu sei, eu sei. E também seria difícil confundir o dia, visto que é hoje... - heronizou o mais gordo, que acabara de receber o papel com as informações.

Jacob ergueu as sobrancelhas! Concerteza pensava que os homens não eram assim tão burros, mas estava enganado.

Quando se retiraram, Jacob levantou-se e eu perguntei onde era a tal praça.

- Como só há uma praça nesta pequena cidade, eu suponho que sei onde é! - respondeu, com as sobrancelhas ainda erguidas.

Entramos na escola, passado uns momentos. Começavam a chegar alunos.

Separei-me do meu amigo tritão e juntei-me a Lilian, que conversava com Clarissa.

Fomos para a aula de um professor que eu ainda não conhecia. Ouvi alguém comentar o nome Biologia num canto. Não sabia o que significava, mas os meus pensamentos também não se prenderam aí.

Toby estava nessa aula. Eu sentei-me ao seu lado, numa bancada preta comprida. Ele olhou para mim carinhosamente e abraçou-me. Eu tinha saudades dele; de ver a sua cara bonita, de sentir o seu cheiro agradável.

A aula não era muito secante, porque o professor era divertido, mas não pude tirar proveito dela, porque a minha atenção estava prendida em Toby. Eu olhava para ele, para tudo nele, até para os mais ínfimos pormenores. Ele devolveu-me o olhar sonhador e sussurrou-me-

- Não te esqueças de vir ter comigo depois das aulas, lá para as sete...

O meu sorriso derrerido desvaneceu-se. Eu não podia estar em dois locais ao mesmo tempo!

Aline, Destino Imprevisível Histórias para pegar e não largar. Descubra agora