OBRA COMPLETA!
Aline é uma sereia. Cabelo platinado, olhos verdes, orelhas bicudas e uma cauda azul.
Ela é escolhida para ir numa missão com vários riscos, na terra. Tem de encontrar o Coração do Mar, que fora roubado ao Rei dos oceanos, pelo se...
Enquanto voltavamos para a costa, Lilian fazia me milhares de perguntas, com os seus olhos radiosos a brilhar a luz do sol.
- Afinal como é que me encontraste? - perguntei-lhe, interrompendo a sua teoria de que achava que as sereias e os vampiros estavam ligados.
- Quando te vi a virares me costas no meio da rua, eu fui procurar-te e encontrei te caída na areia! - respondeu ela sem prestar muita atenção. Ainda devia estar a pensar nas suas teorias.
Continuamos a andar, sem rumo.
- Eu vou ter que ir embora! - realsei a palavra "embora".
- O quê? Porquê? - disse ela a perder o ânimo e a ganhar um tremor na voz.
Olhei-a de frente, estacando no chão arenoso, e coloquei os meus braços nos seus ombros.
- Ja fiz tudo o que tinha a fazer aqui.
Ela baixou o olhar, visivelmente descontente.
- É melhor assim, é melhor se eu for.
- Mas...agora que sei tudo sobre quem realmente tu és... - gaguejou ela, com os seus cabelos a esvoaçar com a brisa e uma expressão que era difícil dizer que não.
Encolhi os lábios e puz-lhe uma madeixa do cabelo por trás da orelha.
- Eu adoro-te - finalizei, enquanto as minhas mãos, lentamente, desciam do seu corpo e se ajustavam ao meu num cruzar de braços.
Ela esboçou um pequeno sorriso e seguimos as duas para casa. Casa. Uma palavra que eu nunca pensei que se aplicaria a um lugar como este.
No dia seguinte, encontrei Toby na porta do prédio com quartos para arrendar, onde vivia Lilian em tempo de escola, e eu, temporariamente.
Os meus braços, automaticamente, abriram-se na forma de um abraço. Ele retribuíu o gesto, então, saltei para o seu colo enroscando-me nos seus braços.
- Obrigada por vires! - disse lhe ao ouvido.
- Tenho de me despedir, certo?! - respondeu ele, com a sua voz encantadora com um sussurro que me arrepiou de tão carinhoso.
Então, eu tirei a cara do seu ombro e cosi os meus lábios aos dele, sentindo o seu perfume familiar e doce. Os meus olhos fecharam-se tanto, que quando os abri já não via direito.
- Vens visitar-nos, certo?!
- Claro! Não vou conseguir passar um dia sem pensar em vocês.
Ele sorriu e voltou a colar a sua boca a minha, numa espécie de ritual baboso.
De mãos dadas, fomos para a praia juntos.
Quando pisamos a fronteira entre a areia molhada e seca, eu entrelacei as mãos nas deles e disse-lhe:
- Eu nunca te vou esquecer!
- Eu amo-te - respondeu em troca.
Sorri, e vi o seu sorriso, talvez pela última vez em muito tempo.
Depois desprendi a mão direita, sempre olhando para a sua cara angelical. Estiquei os braços. Um deles apontava para o mar, a minha verdadeira casa, e a outra mão ainda pegava na do Toby, mas já a alguma distância.
Olhei-o nos seus lindos olhos e depois corri para dentro de água e mergolhei.
Adeus Toby. Adeus Lilian. Adeus Jacob. Adeus segunda casa.
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