Capítulo número 12

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Sorri levemente para Toby.

A campainha tocava, agora. Aquele som irritante e agudo entrava nos meus ouvidos e destraia-me da confusão em que me metera.

O dia estava a passar tão depressa e eu ainda não sabia o que havia de fazer quando chegasse o momento!

Na penúltima aula, que também era com o Toby, decidi perguntar-lhe de que se tratava o assunto que ele tinha para me falar. Talvez não fosse muito importante, que desse para adiar. Mas então, ele respondeu-me. Estremeci quando ele chegou os seus labios perto da minha orelha e me disse:

- Eu sei que tu não estás inscrita nesta escola.

Olhei para ele surpresa e desconfiada. Como é que ele descobrira? Será que me andava a investigar?

Descolei-me um pouco da sua beira e encolhi-me, ligeiramente mais afastada, não sabia porquê, ele não conseguia sentir o cheiro de uma sereia.

Faltava apenas uma aula para a temível decisão.

Eu não dei pela hora a passar. Parecia que apenas um minuto depois de me sentar já tinha de me voltar a levantar.

Quando o portão se abriu, senti uma manada de alunos excitados a correr para a saída. Eu fui arrastada por uns quantos. Quando me libertei daquela confusão, respirei fundo e encostei-me na parede, à espera que chegasse o meu companheiro. A decisão estava tomada.

Vi um cabelo brilhante e igual ao meu a olhar para os lados à minha procura. Fui ao encontro de Jacob.

- Sabes que podes ficar aqui, se quiseres!?

- Eu tenho de ir. É o meu dever e responsabilidade - respondi, enchendo o peito de ar. Será que Toby me perdoaria?

Jacob seguiu em frente e eu segui-o pela multidão que se dirigia aos seus próprios aparelhos de transporte.

Enquanto o tritão me levava até à tal praça, eu olhava para todo o lado, para reter na minha memória o que era aquele espaço, a terra, a temida e maravilhosa terra.

Quando chegamos a uma pracinha com casas à volta, Jacob parou e eu quase ia contra ele.

- O que estás a fazer? - perguntei-lhe. Ele aspirava o ar, como uma golfinho a cheirar a sua presa.

- Quando fores mais experiente, irás conseguir sentir o cheiro de seres marinhos em terra.

- Mas e como é que tu és experiente nisso, se só estás na terra com apenas mais uma semana do que eu?

- Não irias perceber... - suspirou Jacob, enquanto andava com a cabeça de um lado para o outro, aperceber o caminho certo.

Depois apontou para um armazém parcialmente abandonado. Estava em frente das casas que pertenciam à praça.

Antes de entrarmos no local onde deviam estar os bandidos, o meu amigo tritão pediu-me para esperar ali e foi para trás de uma casa branca das que se encontravam à nossa frente, à frente do refúgio de Theodore.

Quando voltou, para meu espanto, trazia consigo uma luz espectral que se elevava a cima do chão. Quando se aproximaram, pude comprovar que era, afinal uma ninfa do pôr-do-sol. Olhei para ela com interesse. Nunca tinha visto tantas ninfas em tao pouco tempo.

- Ela vai ajudar-nos - explicou Jacob apontando para o ser maravilhoso que estava ao seu lado.

A ninfa ergueu as mãos na nossa direção e Jacob abraçou-me e tapou os meus olhos com a sua mão imponente. Eu não conseguia ver porque o rapaz de cabelos brancos me tapava os olhos, mas sentia um clarão a iluminar o meu corpo. Um calor inexplicável.

Jacob largou-me finalmente. Olhei à minha volta. Havia uma cúpula dourada a rodear-me e ao meu companheiro. A ninfa já não estava ali. Levantei a mão para tocar naquela superfície. Parecia uma bolha de ar gigante.

- Para que serve esta proteção? - perguntei, enquanto o meu braço se voltava a estender ao longo do corpo.

- É um género de reflexo. Nós conseguimos ver o que se passa do lado de fora, mas os de fora não conseguem ver o que se passa por dentro - explicou ele.

Começamos a andar em direção à porta. A bolha acompanhava os nossos movimentos, sem arrebentar e moldou a sua forma com a nossa passagem pela porta ferrugenta que estava entreaberta.

Estava escuro lá dentro. Ouvia-se umas vozes distantes. Nós seguimos o som e paramos numa salinha pequena, com uma lâmpadazinha pendurada no teto, e que estava sempre a falhar.

Eu avistei o Coração do Mar. Estava ao pescoço do meio-irmão do Rei.

Apontei para lá para que Jacob o visse também.

Tinha a forma de uma esfera e um conteúdo magico e brilhante esvoaçava no seu interior. Um pingente com a forma de uma conha dourada, estava pendurado por um arco em forma de meia lua, que envolvia a esfera mágica.

- O senhor tem a certeza de que a melhor solução é andar sempre com o amuleto?

- É a forma de ninguém nunca mais mo roubar - respondeu o homem de um olho de cada cor.

- Afinal porque é que nos chamou aqui? - perguntou o outro servo.

- Eu quero que destruam aquela rapariga que escapou.

Senti um frio a percorrer- me. Uma raiva incandescente a irradiar de mim. Aproximei-me dele e Jacob seguiu os meus passos, para a bolha não rebentar.

Theodore, de repente, estacou, como se tivesse pressentido algo.

Olhou na minha direção, apesar de não me poder ver, e ia preparar-se para me lançar uma estaca de gelo no coração, mas eu arranquei o amuleto do seu pescoço primeiro, rebentando a proteção da Ninfa.

Aline, Destino Imprevisível Histórias para pegar e não largar. Descubra agora