Laila é uma jovem brasileira que se mudou para a Inglaterra com os pais, vivia uma vida solitária, mas normal. Contudo algo inesperado acontece... Henry, um inglês abastado, acostumado com a solidão tem uma bela surpresa em sua triste vida.
Direit...
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Ela era louca, como seria possível tal coisa acontecer? Eu não poderia deixá-la na minha casa por mais tempo, mas não tinha certeza alguma de que ela saberia voltar para sua própria casa. Pensei em algumas hipóteses de como ela poderia ter chegado e a mais plausível e "sensata" era a de que ela poderia ter perdido a memória e esperava que algum familiar a procurasse em breve.
Infelizmente eu recebi uma excelente educação, e por culpa do meu cavalheirismo eu me sentia responsável por ela, então teria que fingir acreditar naquela história louca de viagem no tempo até conseguir mandá-la embora.
– Você disse que eu poderia conhecer tudo depois que me trocasse – Ela lembrou quando voltei para a sala, provavelmente tentando compensar o fato de ter me agredido. Mas não pediu desculpas, exatamente como imaginei. Realmente não tinha educação.
– Sim, é verdade. Nós encontraremos algumas criadas e provavelmente o jardineiro, então direi que você é uma prima distante que veio de Londres sem aviso prévio. Os únicos que sabem a verdade são: você, Mary e eu, não conte a mais ninguém.
– Tudo bem, mas eu não sei agir como você, sabe? Não sou tão educadinha assim. Ninguém vai acreditar que sou sua prima. Nós nem nos parecemos – Ela tinha uma expressão de desdém.
Suspirei.
– Isso não será um problema por agora. Te levarei à sala de jantar.
Ela assentiu e seguimos em direção à grande porta que ficava perto do meu escritório. Na sala de jantar, havia apenas uma mesa de madeira rústica de vinte lugares que ficava no centro e muitos candelabros nas paredes, além das cortinas com pequenos e delicados bordados que cobriam as três janelas.
– Que mesa enorme – Ela disse quando entrou no cômodo – Você come aqui?
– Sim, onde mais o faria?
– Quem mais come aqui além de você?
– Apenas eu, senhorita.
– Você come sozinho todos os dias?
– Sim, não recebo muitas visitas.
Tive a impressão de que ela perguntaria "por que Mary e as outras pessoas que trabalham aqui não comem junto com você?" e a chamei para conhecer a biblioteca antes que as palavras saíssem de sua boca. Passamos para o lado oposto da sala de visitas e seguimos por um dos corredores atrás da escada até chegarmos em frente à porta.
Era um cômodo quase secreto, mas não era modesto. Haviam estantes em todas as paredes e algumas espalhadas no centro. Pequenas escadas facilitavam o acesso às partes mais altas e as poltronas nas extremidades proporcionavam uma leitura confortável. Era tudo muito luxuoso e bem iluminado.
A senhorita Laila subia e descia as escadas, olhando todos os livros que era capaz; com toda aquela euforia, não me surpreenderia se ela ficasse paralisada, apenas olhando de longe.
Ela falou sem parar durante muito tempo. Contou algumas das histórias que ela tinha lido anteriormente, falou sobre alguns desejos pessoais, cantarolou canções enquanto foleava livros e fez vários comentários sobre como as poltronas eram confortáveis.
Eu já estava a ponto de implorar por silencio quando Mary entrou para avisar que o almoço seria servido em uma hora. Sugeri que poderíamos ver alguns dos cômodos mais relevantes da casa durante esse tempo e assim o fizemos. Mostrei a ela os cômodos que ela mais usaria, como: o quarto que ela ocuparia, o quarto de vestir, um pequeno escritório no primeiro andar onde ela poderia escrever cartas para familiares (se ela se lembrasse deles), a sala de música e o jardim dos fundos o qual agradara a todas as pessoas que já passaram por lá.
– A casa de Londres é muito maior e mais luxuosa – Eu disse no fim do passeio.
– Uma casa maior do que essa?
– Sim. Esta é uma casa razoável de campo. Em Londres as casas são muito maiores. Nunca esteve em Londres, senhorita?
– Já, mas faz tempo. – Ela disse.
– Suponho que venha de uma família pobre.
– A minha família não é rica, mas nós não passamos fome – Seu tom de voz era um tanto agressivo.
– Não foi isso que eu quis dizer. As famílias mais pobres não costumam ir para Londres com frequência, e quando vão, não visitam muitos lugares.
– Acho que esse é o motivo de eu não ir à Londres com frequência – Ela riu.
Uma boa oportunidade para saber se ela se lembrava de sua família.
– A senhorita tem irmãos?
– Não. Sou filha única.
– E os seus pais, onde estão? – Perguntei.
– Bem, se essa história de viagem no tempo for verdade, eles estão aqui em Kent, Dover.
Parei e a encarei.
– No futuro – Ela insistiu.
– Eu não estou tentando enganá-la. Nós estamos sim em 1837. Eu espero que recupere a sua consciência em breve e volte para casa.
– Minha consciência vai muito bem, obrigada. E só para esclarecer: você não foi convincente o bastante para me fazer acreditar no que disse.
– Farei o meu melhor para convencê-la.
Claro que não o faria. Não era minha responsabilidade.