Dezesseis

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Acordar com a minha esposa aninhada nos meus braços era uma sensação que jamais saíra das minhas lembranças mais preciosas

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Acordar com a minha esposa aninhada nos meus braços era uma sensação que jamais saíra das minhas lembranças mais preciosas. O aroma que seu corpo exalava, sua respiração calma, a pele que me aquecia confortavelmente até nos dias mais quentes; as pálpebras tranquilas, sem pressa de se abrirem, a curva das costas que se encaixava perfeitamente no meu abdome.

A luz da manhã atravessava o tecido fino da cortina e invadia o quarto da Laila. Senti meu coração acelerar e minha respiração vacilar, torci para não acordá-la.

Já não sentia meu braço esquerdo, onde sua cabeça estava apoiada, mas a felicidade que eu sentia me permitia ignorar tudo ao meu redor.

Ela se mexeu preguiçosa e abriu os olhos devagar, procurando os meus.

– Bom dia, meu amor.

– Bom dia – Respondeu virando-se para mim. – Então não foi um sonho?

– Espero que não – Sussurrei. – Dormiu bem?

– Foi a melhor noite que tive desde o dia que voltei.

Envolvi sua cintura com meu braço livre, o tecido liso da camisola dançava em contato com a nossa pele. Beijei-a, sem pressa, sentindo sua mão acariciando o meu cabelo.

– Mamãe, papai – Ouvi John chamar do outro lado da porta.

– Parece que temos companhia – Dei mais um beijo rápido nela e me levantei.

Fiquei desconcertado ao perceber como estava vestido, a roupa de baixo que eu usava era muito pequena, não entendia como os homens conseguiam usar aquela peça desconfortável.

Vesti apenas a calça, o nosso filho certamente não se importaria com isso.

– Estou com fome – Ele disse, assim que eu abri a porta.

– Fique aqui com a sua mãe enquanto preparo algo.

Deixei a porta do quarto aberta e fui até a cozinha, acompanhado pela Poli, a cadela invasiva que me odiava.

Olhei dentro dos armários, mas não havia nada pronto, além de biscoitos e doces, então decidi preparar ovos – não consegui aprender muitas coisas com Laila.

Quebrei os ovos em uma tigela e tentei acender o fogo. Minha esposa fora paciente ao me explicar como usar aquele fogão, mas eu seria incapaz de fazer aquilo sozinho.

Eu não queria chamá-la, então continuei tentando me lembrar o que deveria fazer. Estava concentrado de tal forma que sequer ouvi o barulho da porta; quando percebi, havia um casal de meia idade parado perto da porta da cozinha. Com o susto, escorreguei e cai sobre o chão frio, completamente envergonhado.

– Quem é você? – O senhor perguntou.

Eu tentava cobrir a minha parte desnuda. O constrangimento me impedia de falar qualquer coisa.

Não Sei Como VoltarOnde histórias criam vida. Descubra agora